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Terça - 09/02
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     DRAMA
     Tropa de Elite
     

O cotidiano de policiais e de um capitão que tenta sair da corporação são os temas do filme





  EDITORIAL
Em 1997, o Rio de Janeiro aguarda a visita do Papa João Paulo II. Apesar da cidade estar vivendo em uma situação quase de guerra entre o tráfico e a polícia, o pontífice passará sua temporada na casa do Arcebispo, no Morro do Turano. Assim, os responsáveis por garantir a segurança durante a visita serão os policiais do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar, o BOPE. Esta divisão, considerada a Tropa de Elite da polícia carioca, é a única incorruptível, mas não mede esforços para conter o tráfico.

Às vésperas de ter seu primeiro filho, o Capitão Nascimento não agüenta mais a pressão de sua vida no batalhão, mas antes de sair precisa escolher um substituto. Este, além de ser honesto, tem de ser forte para suportar o trabalho. A vaga ficará entre dois aspirantes da PM, Neto e Matias. Enquanto um age de uma forma impulsiva, sem medir as conseqüências, o outro é extremamente racional, com pouca ação, mesmo quando se vê frente a um grupo de usuários de drogas. Para Nascimento, seu substituto ideal seria um misto dos dois, que é em que ele tentará transformar um deles.

Sucesso antes mesmo de sua estréia, Tropa de Elite teve dois grandes problemas durante a produção. Nas filmagens, parte da equipe foi seqüestrada e as armas cenográficas roubadas. Durante a finalização, uma versão inacabada do filme vazou e foi parar na internet e em camelôs, o que ajudou na divulgação do longa. Mesmo quem viu a versão pirata tem motivos para conferir nas telas, já que o filme tem cinco minutos a mais e muitas mudanças foram feitas, principalmente na narração de Wagner Moura.

Fotos: David Prichard




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Cristiano

Campinas
O filme, para quem ainda não viu ou não ouviu falar, mostra como age o Batalhão de Operações Especiais - BOPE, a chamada "Tropa de Elite" da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Policiais teoricamente incorruptíveis e bem-treinados, que se utilizam de tortura, execução sumária entre outros métodos característicos de militares em regimes de exceção. O livro no qual é baseado parcialmente o filme, fala inclusive de corrupção nesse batalhão, coisa sobre a qual no filme não se fala em nenhum momento. O filme, embora extremamente bem-feito do ponto de vista técnico e sob a estética de Hollywood, é, na minha opinião, excessivamente simplista em diversos aspectos, como na colocação feita pelo anti-herói do filme, Capitão Nascimento (Wagner Moura, aliás, excelente no papel), de que "viciado vagabundo é que financia o tráfico", passando longe de qualquer discussão em relação a descriminalização das drogas ou um entendimento maior do que criou e o que mantém aquele cenário. É uma visão de um militar, criado e treinado para simplesmente matar aqueles que ele (juiz e executor) considerar que se colocam contra a verdade e a justiça. O problema maior no meu ver é a banalização da violência e da "aceitação" das técnicas utilizadas pelo BOPE como plenamente justificáveis. Fala-se muito da reação das pessoas nas platéias que viram o filme, na impressão generalizada de delírio e "torcida" quando um menino é torturado com tapas e um saco de plástico na cabeça, para dar uma informação. Ele não dá a informação, os policiais têm que ir embora, matam o menino gratuitamente. Para mim, a reação da platéia (confirmada por comentários que ouvi de pessoas que assistiram ao filme), é um sinal mais do que claro de que nossa sociedade está doente. O mesmos sistema que cria personagens como o Capitão Nascimento também gera esse sentimento generalizado de que isso é certo, de que todo pobre que mora na favela é em potencial um bandido, e cuja vida vale menos do que nada. O Capitão Nascimento, que se julga acima da lei e do arrependimento ("para um oficial do BOPE, o remorso é um sentimento muito perigoso", ele diz), justificando-se a todo momento por estar em estado de guerra, foi formado pelo sistema, o mesmo sistema que corrompe a polícia e nega oportunidades aos desfavorecidos, criando poderes paralelos em mundos paralelos, onde a moral ganha novos contornos com inversões de valores. Afinal , quem protege e ajuda (até financeiramente algumas vezes) a comunidade não é o poder público ou a polícia, mas sim o traficante que controla o local. E é interessante que no momento em que ele, Capitão Nascimento, precisa se tornar humano, com o nascimento do filho e a necessidade de estar próximo da família, ele precisa se desligar do BOPE. O BOPE não pode ter policiais humanos. Os "fracos" lá não entram. E a mensagem que o filme passa (ao menos para mim, não sei se era a intenção do diretor) é isso, de que temos uma sociedade doente que cria figuras como essa e são - para meu espanto, sinceramente - apontados como hérois, como aqueles que não se renderam à corrupção ou se omitiram. Simplesmente "vão para a guerra", onde qualquer atitude é justificável. Não sei se o que me preocupa mais é saber que essas coisas (tortura, execuções e abusos por parte daquela que seria a "elite" da polícia) acontecem no nosso cotidiano, ou saber que isso é visto por grande parte da população como um ato de heroísmo e justiça. Tenho realmente muito medo do futuro em uma sociedade onde a maioria da população possa vir a acreditar que a solução seja realmente a proliferação de batalhões como esse, para acabar com todos os problemas de segurança que possam existir...

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Luzia

Itap da Serra
Finalmente um filme que denuncia sem medo de represálias...

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  INFORMAÇÕES
Diretor: José Padilha
Elenco: Wagner Moura, Caio Junqueira e André Ramiro
Nome Original: Tropa de Elite
Ano: 2007
País: BRA
Duração: 118








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