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Eles fazem performances de encher os olhos e de dar inveja. Atração à parte, os bailarinos da noite arrasam quando o assunto é mexer o esqueleto

Por Pamela Marul



Pista lotada, som nas alturas, conversas e xaveco rolando soltos. Enquanto a galera balança o corpo, o ritmo toma conta do ambiente. No meio da madrugada, para deixar a noite ainda mais quente, eles surgem, cheios de estilo, às vezes caracterizados, outras com um figurino que remete ao tema da festa. Os profissionais de hoje  romperam há tempos a imagem associada a dançarinos de casas de stripper; agora agitam as baladas com suas performances ousadas e cheias de atitude.

 De uns tempos para cá, aliando números e coreografias,  viraram um atrativo à parte das festas, deixando de ser figuras colocadas em cima de queijos ou esquecidos nos cantos. Mais do que diversão na noite, dançar na balada é profissão, e muitos deles ganharam status, sendo conhecidos e requisitados por promoters de eventos diferenciados. O Guia da Semana conversou com alguns artistas e mostra que para ser respeitado nessa profissão é preciso rebolar.

 Anos 50

 Foto: Divulgação
 

Inspirada nas dançarinas burlescas ícone dos anos 50, como a famosa pin-up Bettie Page, Lekka Glam, 27 anos e muitas tatuagens pelo corpo, começou a dançar de brincadeira. Desde pequena, já praticando atividades corporais como artes marciais e ballet, resolveu estudar tipos de danças e expressões corporais e com o tempo aperfeiçoou-se em performances e figurinos.

 Dançando profissionalmente há nove anos - inclusive com algumas apresentações na Argentina e no Uruguai - Lekka brilha na festa Perversa, do Clube Glória, em São Paulo. "A inspiração para as performances também vem das dançarinas dos anos 50, mas dependendo da festa, eu estudo o tipo das músicas que vão tocar", conta.

 Leves micos

 Foto: Arquivo pessoal
 

Da cidade de Ribeirão Pires, interior de São Paulo, Thaty Lira começou a dançar profissionalmente há 9 anos. Depois de integrar o corpo de baile de bandas de formatura, dançar em eventos e rodeios, ela chegou às casas noturnas. Hoje, além de requebrar na boate The Week, em São Paulo, faz parte também do balé do cantor Leonardo. "Tenho uma equipe de bailarinos e bailarinas que trabalham comigo", conta ela que trancou a faculdade dejornalismo e agora cursa moda.

A performer se prepara muito para suas apresentações. Além das aulas de dança, pratica corrida e tem uma boa alimentação. Sempre antes de uma performance, ela pesquisa a temática da festa para montar as coreografias e o figurino. Mesmo com toda essa preparação, acontecem imprevistos. "Um dia, em uma festa muito especial, eu coloquei um figurino lindo que não podia usar sutiã. Coloquei um daqueles peitos de borracha e, enquanto estava dançando, senti uma coisa batendo em minha perna. Quando olhei, eram os peitos!", conta rindo. "Eu comecei a falar para os promotores: 'Meu peito caiu! Meu peito caiu!'. Foi a maior vergonha!".

  Glamour

Foto: Divulgação


Em uma profissão que nem todos recebem com bons olhos, Amanda Chang, 24 anos, consegue ganhar elogios por suas performances. "As pessoas ainda são muito conservadoras, mas eu recebo elogio de muitas, inclusive de mulheres", conta ela que acha que a aceitação vem dos números sensuais, chiques e muito glamurosos que faz no Privilège, de Búzios. Dançando na casa há quatro anos, Amanda também passou algum tempo trabalhando em Ibiza, e foi lá que ela caprichou na dança para sair de uma situação complicada. "Dançando na Privilège, meu sapato caiu do pódio. Fiz uma cena super engraçada, fui até um cara, fiz ele beijar meu pé e colocar o sapato de volta", conta.

Trabalhando também como relações públicas da casa, Amanda conta que depois das apresentações ainda dá para curtir um pouco da balada, mesmo com o assédio que sofre. "A gente acaba conhecendo muita gente e o assédio é intenso, mas dá para aproveitar".

 "Vem cá, te conheço?"

Foto: Arquivo pessoal


Alex Moreno, 31 anos, tem a dança como hobby. Começou a dançar na noite quando Márcio Salles, dono do Clube Caravaggio, em São Paulo, o chamou para criar uma noite mensal que tivesse como atração principal performances. "Desse convite nasceu a festa Fever, há um ano e quatro meses, e desde então, mensalmente eu danço na noite", conta ele que também é ator,  atualmente em cartaz com a peça Advocacia Segundo os Irmãos Marx.

As performances que acontecem na Fever vão muito além do que subir no queijo e dançar. Para isso, Alex se prepara muito, tanto em academia, quanto em ensaios exaustivos de coreografias para agradar os olhos mais exigentes. "Lá precisamos estar dentro dos temas e detonar nas coreografias. É delicioso fazer!", fala.

Com o rosto exposto no teatro e nas noites, Alex já sente o gostinho de ser reconhecido nas ruas. Em uma recente viagem, a atendente da cia. aérea o olhou e disse: 'Te conheço'. Ele logo achou que a moça havia assistido alguma peça que participou. Ela pediu que ele tirasse os óculos que usava e aí veio a surpresa: 'Você é o cara da balada!'. Pronto, motivo suficiente para ser gozado pelos amigos que o acompanhavam.

 Pole Dance

 Foto: Arquivo pessoal
 

Casada e mãe de um menininho de cinco anos, Renata Wilke, 29, dança há sete meses em baladas. Professora de pole dance, ela se apresenta mensalmente na Festa Batom, no Clube Glória, em São Paulo. Renata geralmente dança com um figurino escolhido pelas organizadoras da festa, como maiôs, botas, máscaras, luvas e capas. "Depois que iniciei com o pole dance, há mais ou menos seis anos, comecei a dar aulas, fiz apresentações em feiras, chás de lingerie e por fim, as baladas", conta ela.

Para a dançarina, o melhor lugar para se apresentar são as baladas GLS. "Eu gosto de dançar nessas casas, o público é muito animado e respeitador. São pessoas que curtem a noite com animação", fala ela que sempre arruma um tempinho para curtir a balada depois da apresentação. "Algumas pessoas chegam em mim durante a balada, faz um comentário, um elogio, pede um cartão, e minha noite segue numa boa!".



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