Guia da Semana

9 curiosidades sobre a vida e obra do artista Vincent Van Gogh

O pintor foi marcado pelo fracasso e morreu sem saber que seus quadros, um dia, estariam entre os mais caros do mundo

Em vida, Vincent Van Gogh não teve fama, nem riqueza. Durante 37 anos, passou fome, frio, foi ignorado pela crítica e também pelo mundo artístico. Suicidou-se com um tiro no peito e fora, por muitos, considerado louco.

Tendo vendido apenas uma única tela, morreu sem saber que seus quadros estariam, algum dia, entre os mais caros do mundo. Após sua morte, foi reconhecido como gênio e também um artista brilhante.

No dia 27 de Julho completamos 125 anos sem ele e, por isso, o Guia da Semana lista tudo o que você precisa saber sobre um dos mais incríveis nomes da arte. Confira:

ORIGENS

Vincent Willen Van Gogh nasceu no ano de 1853, na Holanda. Era o mais velho dos seis filhos de Theodorus Van Gogh e Anna Cornelia Carbentus. Foi educado de forma rígida e tornou-se uma criança séria, quieta e de poucos amigos. Sua única grande ligação era com o irmão mais novo, Theo, que no decorrer da vida, tornou-se seu único amigo.

CONTATO COM A ARTE

Ainda criança iniciou seus primeiros desenhos e os estudos das línguas francesa, inglesa e alemã. Aos dezesseis, começou a trabalhar em uma galeria de arte, fazendo visitas frequentes a alguns museus. Foi transferido para Londres, onde conheceu outras galerias, expandindo seu conhecimento artístico. Mais tarde foi para París, mas seu envolvimento com os estudos bíblicos comprometeram seu desenvolvimento e interesse pelo trabalho. 

MISSIONÁRIO

Buscando novos rumos, partiu para a Bélgica como missionário e, em uma mineração de carvão, conheceu a extrema pobreza. Passou a viver com os pobres, com quem dividia seu dinheiro, roupas e comida, além de também ler a Bíblia.

Dedicou-se inteiramente para ajudá-los, mas seus superiores julgaram o comportamento como obsessivo. Afastado, entrou em profunda depressão por achar que seu esforço não valera a pena.

DEDICAÇÃO NA PINTURA E RELAÇÃO COM AS CORES

Abandonou sua vocação religosa e decidiu dedicar-se inteiramente à arte. Para isso, contou com o apoio financeiro do irmão, que o sustentou  até o fim de sua vida. Conheceu técnicas de pintura e passou boa parte de seu tempo com alguns pintores e entusiastas da arte, com os quais discutia e visitava museus, expandindo ainda mais os seus conhecimentos.

Através de Theo, que administrava uma galeria de arte, Van Gogh entrou em contato com os trabalhos dos Impressionistas Claude Monet, Pierre-August Renoir, Camille Pissarro, Edgar Degas e Georges Seurat e foi profundamente influenciado com relação ao uso da cor.

Assim, mudou-se para Arles, no sul da França, onde, segundo ele, havia mais cor e mais sol - lugar onde observou as cores da natureza. Abandonou a temática triste e sombria de suas obras, que receberam tons mais claros e luminosos, amarelos intensos e vermelhos vivos. Nesse lugar que tanto o encantava, morou com Poul Gaugin, um conhecido pintor da época.

VELAS NO CHAPEU

O artista também pintava durante a noite, no campo, ao ar livre. Para iluminar a tela, as tintas e os pincéis, colocava um chapeu e uma fileira de velas em sua aba. 

POUL GAUGIN 

Ambos partilhavam da mesma admiração pela arte. Porém, a convivência não chegou nem perto de ser pacífica. As diferenças de temperamento causaram crises nervosas em Van Gogh e as discussões eram frequentes. Instabilizado emocionalmente, Van Gogh atacou Gauguin com uma navalha e acabou cortanto um pedaço da própria orelha.

ENTRE A LOUCURA E A RAZÃO

Sentindo-se abandonado pelo amigo e vivendo em um labirinto pessoal entre sanidade e loucura, completamente ausente de sua razão, o artista embrulhou o pedaço de sua orelha em um jornal e o entregou a uma prostituta. Foi internadoA frequência crescente de suas crises o levaram, com a ajuda de Theo, a um asilo de doentes mentais. 

Ao deixar o asilo decidiu-se que Van Gogh devia mudar para perto de Theo e ser tratado pelo Dr. Paul Gachet, um conhecido médico. O artista teve uma melhora espantosa e mudou-se, então, para Auvers-sur-Oise, a noroeste de Paris e, sob os cuidados do Dr. Gachet, começou a pintar com uma incrível energia, produzindo mais de 80 pinturas nos dois últimos meses que lhe restavam. Van Gogh continuou a produzir alguns de seus melhores trabalhos e sua saúde mental e física melhoraram drasticamente, uma recuperação completa, do ponto de vista de Dr. Gachet.

MORTE

A medida que as condições melhoravam para ele, elas se tornam piores para Theo, que passava por muitas dificuldades financeiras. O artista continuou a trabalhar nas semanas seguintes, mas seu estado mental despencou.

Um mês antes de sua morte, pintava uma tela por dia, foi quando pintou “Campo de Trigo com Corvo”, obra que expressava toda a tristeza e solidão do fim da vida. No dia 27 de julho do ano de 1890, Vincent Wilen Van Gogh caminhou até o campo frente ao lugar em que morava e deu um tiro contra o próprio peito. Dois dias depois, recusando qualquer tipo de cirurgia, morreu nos braços de Theo, que entrou em estado de choque, mostrando sinais de depressão e confusão mental.

Alguns meses mais tarde, foi internado na Instituição Médica para Insanos e diagnosticado com excitabilidade maníaca aguda com megalomania e paralisia geral progressiva, falecendo alguns meses depois, sem saber do talento do irmão e sem poder orgulhar-se da melhor decisão que Van Gogh poderia ter tomado: entregar-se ao amor à arte.

CARTAS A THEO

Durante a vida, Van Gogh escreveu mais de 750 cartas ao irmão. Nelas, fala sobre seu processo criativo, seu relacionamento com os poucos amigos e também sobre o avanço em sua própria loucura. Toda a correspondência foi reunida no livro Cartas a Theo, editada pela L&PM.

Atualizado em 18 Jan 2016.

Por Nathália Tourais
Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

5 hotéis ao redor do mundo que são verdadeiras obras de arte

Confira locais com acomodações incríveis, mas que têm obras como protagonistas

Evolução dos emojis ganha instalação no Museu de Arte Moderna de NY

Os primeiros emoctions, criados em 1999, também entram para a coleção MoMA

6 motivos para visitar a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano em SP (e nem perceber que está na capital)

Local une arte, cultura, lazer, arquitetura e natureza, fazendo com que o visitante esqueça que está em SP

13 grafites em SP que todo mundo que ama arte deveria ver pessoalmente

Confira obras espalhadas pela cidade que merecem sua atenção

Na Semana da Criança, uma selfie vale um passaporte nos museus de SP; entenda

Para participar, é só postar foto com uma criança no Facebook com a hashtag #MuseusSP e apresentar na bilheteria da Pinacoteca, Casa das Rosas ou do Museu da Imigração

Unibes Cultural oferece programação especial e gratuita para o mês das crianças

Evento acontece até dia 31 de outubro e comemora o Mês das Crianças