Guia da Semana

A Bomba e o Beijo

A bomba existe mesmo: um telão mostra a contagem regressiva para a sua explosão

Foto: Divulgação


A Bomba e o Beijo traz a história de um casal recém-separado que viveu um grande amor. A trama se desencadeia a partir do fim do relacionamento de Pedro (Juliano Gubolin) e Sofia (Luciana Ribeiro). Essa é a última peça de uma trilogia composta por A Inquisição da Alma, seguida de Diálogo de Nós Dois, criada pelo grupo Cia. Gritos e Sussurros.

Dirigida e escrita por Zédú Neves, também ator e produtor, o enredo envolve dois amigos do ex-casal, Lorena (Inara Leme) e Renan (Vitor Davied), que ainda acreditam nas chances de tudo se resolver. Para piorar a situação, Sofia vive com o terapeuta (Ângelo Aleixo) de Pedro. Contudo, todos se encontram a poucos minutos da explosão da bomba.

A bomba é construída por Pedro. Desorientado, decide mandar tudo para os ares pela desilusão amorosa. Mas, antes, comunica ao mundo a preparação de uma explosão, na tentativa de justificar o amor que não deu certo. Na hora do acerto final, diz a seguinte frase, como uma filosofia de vida: "Os inocentes pagam pelos pecadores, e eu... Bem, eu duvido que existam inocentes!"

A montagem mescla humor, drama, emoção, e aborda assuntos polêmicos como a traição, violência, pecados e o universo feminino, com encenações lúdicas e autênticas. Além de dinâmica, o tempo-ritmo dos atores é bem marcado, pois a bomba é acionada logo no início da peça e a expectativa da contagem regressiva é mostrada segundo a segundo no telão, instalando o suspense até o final.

As cenas de destaque ficam por conta do flashback de quando Pedro tinha seis anos e flagrou seus pais fazendo sexo - foi hilária e bem conduzida. A outra é a do gran finale, quando Pedro descobre que Sofia namora seu terapeuta e acaba apontando uma arma contra todos. Esse momento evidencia o jogo cênico entre os atores, pois qualquer desconcentração poderia comprometer toda a cena.

Para escrever e dirigir a peça, o autor-diretor trouxe para o texto referências inspiradas em Clarice Lispector e Bertolt Brecht, resultando numa dramaturgia contemporânea. Com isso, traz encenações mais próximas para a plateia refletir sobre as propostas do cotidiano, dando uma sensação de participação da peça.

Um dos temas abordados no espetáculo propõe discutir uma sociedade moderna com valores arcaicos, além dos confrontos de relacionamentos do ser humano na eterna busca da felicidade. De acordo com o autor, vivemos essa busca em função do outro e não em você mesmo. Neves acredita que, em algum momento da peça, a plateia se identificará, pois todos já vivemos alguma situação parecida.

Devido ao sucesso, o espetáculo prorrogou sua temporada para mais um mês em São Paulo e, logo depois, a Cia. Gritos e Sussuros explodirá os palcos com sua participação no Fringe, do Festival de Curitiba, que será realizado do dia 29 de março a 10 de abril. A participação é livre e não há uma curadoria: as companhias vão ao Festival por iniciativa própria, em busca de público e crítica.

A Bomba e o Beijo é um texto original e inteligente que está aí para mostrar a pesquisa em torno do universo feminino nos dias de hoje e sua contraposição com o masculino do "desde sempre", em uma sociedade patriarcal e machista, apontando para as incongruências da vida a dois, de desejos frustrados às esperanças renovadas. Um espetáculo que vale a pena ser visto.

Leia as colunas anteriores de Mônica Quiquinato:

A ética no teatro

A emoção em atuar

A influência da arte na vida

Quem é a colunista: Mônica Quiquinato.

O que faz: Mãe, jornalista e especialista em Comunicação Jornalística. Atualmente estuda teatro no Macunaíma.

Pecado gastronômico: Churrasco.

Melhor lugar do mundo: Minha casa.

O que está ouvindo no carro, iPod, mp3: Titãs, Legião Urbana, Led Zeppelin, Aerosmith, Metallica, Rush, David Bowie, entre outros.

Para falar com ela: monica_quiquinato@yahoo.com.br.


Atualizado em 10 Abr 2012.

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