Guia da Semana

A centrada Cássia Kiss

Após sete anos longe dos palcos, a atriz retorna com peça em São Paulo e confessa sua admiração pela TV e tudo o que o trabalho na teledramaturgia lhe proporcionou na vida

Foto: Divulgação/Gal Oppido

Como a personagem Amanda em Zoológico de Vidro

Além de Mariana, a mãe possessiva do folhetim Paraíso, que luta para que a filha vire freira, mesmo contra a sua vontade, Cássia Kiss encarna outra matriarca dominadora, Amanda, no espetáculo Zoológico de Vidro, em cartaz no Sesc Anchieta (SP). Apesar de ser dura com as crias na ficção, quando o assunto é vida real, Cássia é zelosa, por esse motivo ficou sete anos afastada do teatro dedicando-se inteiramente aos filhos Joaquim (14), Maria Cândida (12), Pedro Gabriel (7) e Pedro Miguel (5). A volta aos palcos aconteceu quando a atriz se sentiu preparada para dividir o tempo entre família e carreira.

Numa fase apaixonada e prestes a dizer sim no altar com 51 anos para o namorado João Baptista, Cássia Kiss, que tem mais de 30 anos de carreira, abriu um espaço na agenda tumultuada entre televisão, cinema, teatro para um bate papo com o Guia da Semana. Confira!

Guia da Semana: Como foi a volta ao teatro depois de sete anos?
Cássia Kiss: Fiquei esse tempo longe dos palcos cuidando dos filhos. Não foi difícil, meus filhos ainda são pequenos, o caçula tem cinco anos, então eu precisava achar o momento certo de voltar. Foram sete anos importantes, pois me preparei o suficiente para poder escolher uma peça boa, a altura de São Paulo.

Guia da Semana: Como você se envolveu no projeto de Zoológico de Vidro?
Cássia Kiss: Primeiro eu precisava de uma peça de teatro, o Ulisses Cruz (diretor) é muito meu amigo, nós fazíamos uma novela juntos (Eterna Magia) quando a Maria Flor, que era protagonista da mesma novela, sugeriu a Ulisses da gente fazer o Zoológico de Vidro, onde ela fazia o papel da filha (Laura). Eu já tinha visto uma montagem, mas não me lembrava muito bem da peça. Quando o Ulisses montou o espetáculo, sabia que era esse. Nós fizemos uma nova versão, uma nova tradução, e essa nova tradução do Marcos Daud é muito importante. A Maria Flor não pode fazer a peça, mas foi substituída a altura, porque a Karen Coelho é uma atriz excepcional, o público fica impressionado com o trabalho dela.

Guia da Semana: Como você concilia as gravações de uma novela como Paraíso e as apresentações no teatro?
Cássia Kiss: Não tenho o menor problema de conciliar novela com peça, nem novela com o cinema, acabei de fazer o filme do Daniel Filho (Chico Xavier). O problema é conciliar com os filhos, como é que você faz com a família durante isso tudo? Esse que é o barato. E a família consegue vir antes de tudo, a família é o principal, o resto é resto. Primeiro vem o marido, depois os filhos, depois a novela e o teatro.

Foto: Tv Globo/ Márcio Souza

Já como a possessiva e beata Mariana em Paraíso

Guia da Semana: Existe alguma ligação entre as personagens Mariana (Paraíso)  e Amanda (Zoológico de Vidro)?
Cássia Kiss: Entre eu, Mariana e Amanda há muito em comum. São mães. Mães possessivas.

Guia da Semana: O que você sente falta no teatro brasileiro?
Cássia Kiss: Do público. É difícil ter uma boa peça e quando se tem, se tem plateia, então eu tenho consciência que eu tenho um bom trabalho na mão, não é à toa que a gente lota o teatro. Mas precisamos de gente que vá ao teatro e diga exatamente o que dizem quando vão assistir as minhas peças: "Enfim teatro!". Essa é a frase que a gente mais ouve e é isso que a gente quer. Nós precisamos reeducar a plateia, formar a plateia. O trabalho dessa peça é bem parecido com o que a Fernanda Montenegro está fazendo em Viver Sem Tempos Mortos, que tem o mesmo objetivo: formação de plateia. E isso só acontece com boas peças. Se o espetáculo é ruim, você só faz o público se afastar cada vez mais. Porque os teatros são abarrotados de comédia, e nem sempre uma boa peça é sinônimo de humor.

Guia da Semana: O que você pensa sobre o Vale Cultura?
Cássia Kiss: Com R$ 50,00 as pessoas não vão ao teatro, mesmo porque nós atores vivemos da nossa profissão e queremos viver dela, é muito engraçado como as pessoas nos pedem convite, é impressionante como elas esquecem que nós vivemos daquilo. O VC é uma piada. Eu tenho que pagar o teatro, a produção, nada é de graça, eu tenho que pagar a conta de luz, teatro custa caro, e aí todo mundo pede convite. Tem uma frase da Cacilda Becker que é maravilhosa: "Não me peça de graça a única coisa que eu tenho para vender". A gente já não cobra o preço que deveria cobrar para poder pagar todas as despesas, o nosso preço ainda é muito pequeno, por isso a gente não pode viver só do teatro, seria justo que vivêssemos, poucas peças conseguem isso. Por isso eu acho que R$ 50,00 é um valor baixo.

Guia da Semana: O que te chama atenção na hora de aceitar um papel?
Cássia Kiss: A força do personagem, a verdade que ele pode ter, a credibilidade dele.

Guia da Semana: Você têm vivido bastante vilãs na TV. A Mariana é uma delas, mas com uma dose de humor...
Cássia Kiss: Eu não vejo a Mariana como uma vilã. É uma mulher aguda, obstinada, é uma mulher que tem uma crença e não abre mão disso. Ela é exemplo pra muita gente que tem uma única visão das coisas. Ela quer o bem da filha, ela não quer o mal de ninguém. A vilã quer o mal de todo mundo. A vilã encurta o caminho. A vilã não sabe o que é o amor.

Guia da Semana: Em Eterna Magia (Zilda) e Porto dos Milagres (Adma) você vivia vilãs bem malvadas, mas que eram muito diferentes uma da outra. Como você constrói a diferenças entre elas?
Cássia Kiss: São as suas crenças, no que elas acreditam, qual o objetivo de cada uma delas, meu foco é sempre esse.

Foto: Tv Globo/ Márcio Souza

Em 2007 encarnou a vilã Zilda em Eterna Magia

Guia da Semana: A Patrícia Pillar, disse que depois de interpretar a Flora de A Favorita, ela se sentiu muito carregada. Você acha que um papel influencia na vida pessoal do ator?
Cássia Kiss: Eu acho que ele cansa. A vilã, fisicamente, cansa mais que os outros personagens. A minha única ressalva é essa. Me lembro que eu saia do estúdio, depois de gravar 40 cenas em quatro dias consecutivos, eu queria um hospital, queria que me botassem em uma maca, queria ser carregada, porque você se consome muito mais do que fazendo uma Mariana, por exemplo. A Mariana não me consome, me dá prazer. Ela tem muito humor, é uma pessoa do bem, não é do mal.

Guia da Semana: Você acha que a Mariana acaba projetando o que ela queria para vida dela na filha?
Cássia Kiss: Eu acho que ela não consegue porque a filha não é nenhuma bobinha, ela sabe o que ela quer e vai correr atrás disso. Ela enxerga quem é a mãe e colocou a mãe no lugar dela.

Guia da Semana: No seu currículo existem mais trabalhos na TV que cinema e teatro. Essa é a sua preferência?
Cássia Kiss: Eu sou empregada da TV Globo, trabalho pra eles. Então do mesmo jeito que você vai para o site, eu vou para a televisão, e gosto do que faço. A televisão pra mim vem em primeiro lugar porque ela que me deu tudo o que tenho, meus amigos, meu trabalho, minha casa, meus filhos, meu sustento. Depois vem o teatro, junto com o cinema, e faço cinema na medida que gosto, tenho feito de dois a três filmes por ano. O único trabalho que não seleciono é a televisão, porque me pagam para trabalhar e para ficar em casa, então quando me chamam, faço o que tiver que fazer. Dentro da TV faço qualquer coisa, fora eu posso escolher.

Guia da Semana: Qual foi o papel ou trabalho que mais te marcou?
Cássia Kiss: Não tenho um que tenha me marcado mais. Eu tenho tido o privilégio de fazer personagens bem diferentes. Elas me dão satisfação, alegria, umas me cansam mais e outras menos.

Guia da Semana: Tem algum personagem/ papel que você gostaria de fazer e ainda não teve oportunidade?
Cássia Kiss: Eu queria fazer o Hamlet, o personagem Hamlet mesmo.


Atualizado em 10 Abr 2012.

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