Guia da Semana

A jornada das mariposas

Do sonho à montagem de sua peça, colunista relata sua saga para colocar em prática obra teatral



É impossível definir em palavras a sensação de plenitude que me toma quando finalizo um trabalho que tem a pretensão de ser literário, seja ele um texto, estória, romance ou poema.  Nasci com o dom de querer compartilhar minhas histórias pessoais na forma de palavras, talvez uma necessidade de um sentir coletivo que me identifique com quem lê e vê no que escrevo um pouco de quem também viveu ou sentiu.

Talvez esse seja o grande significado da expressão literária, uma espécie de comunhão entre o autor e o mundo que o cerca. Em colunas anteriores publicadas aqui tenho falado de uma busca pessoal que tenho empreendido nos últimos tempos, fruto de uma necessidade de descobrir uma nova estética teatral e uma necessidade de renovação, tanto como artista quanto como escritor. A tarefa por vezes foi infrutífera, mas depois de tantas tentativas finalmente encontrei a palavra e o caminho através de uma jornada proposta e de um texto teatral que teve sua cena inicial vinda a mim em um sonho. A partir daí tudo fez sentido e Cidade das Mariposas nasceu em apenas quatro dias.

Me diverti muito durante o processo. Foram quatro dias de riso e choro enquanto delimitava as ações e deixava os personagens fluírem e criarem vida. Texto finalizado, a segunda parte, e talvez a mais difícil, foi submeter as linhas a quatro diretores teatrais, dois paulistanos e dois cariocas, com elevado repertório, conhecimento, inteligência e, principalmente, senso crítico. Esta fase geralmente me deixa apreensivo, pois nesse momento o texto é posto em xeque e o escritor se vê diante da possibilidade do trabalho ser considerado ruim, fraco ou equivocado. Confesso que a semana de espera foi repleta de insônia e ansiedade, mas valeu a pena esperar. Todos foram uníssonos em dizer que o texto era muito bom e que merecia ser montado. E assim, as mariposas iniciaram a jornada, buscando sua luz.

As primeiras leituras começaram no final de outubro e qual não foi minha surpresa ao ver o carinho e o respeito que os atores trataram cada personagem. É delicioso ver o trabalho tomando forma, os personagens criando vida e se expressando na forma como foram concebidos. Ver que cada ator comprou a ideia do projeto e do espetáculo e que estão se divertindo fazendo este trabalho.

É claro que Cidade das Mariposas ainda está no início da sua jornada, apenas começamos a fase de leituras. Ainda não temos pauta de teatro, patrocínio, mas a equipe técnica e elenco já estão toda definida e o projeto deve estrear em 2010. A direção vai ficar a cargo do Renato Farias, da Cia de Teatro Íntimo, que acreditou no texto e topou o desafio. No elenco, além de mim, estão Caetano O'Maihlan, Rafael Sieg, Karla Dalvi, Viviani Rayes e Yashar Zambuzzi.

De alguma forma minha busca por um sentido mais profundo da existência encontrou o amparo e o respeito nas vozes destas pessoas que passaram a integrar o projeto. Vejo artistas e seres humanos interessados em discutir seus próprios caminhos e escolhas na forma de um espetáculo que tenha algo de importante e especial para dizer ao público, que seja mais do que apenas entretenimento, mas uma forma de encontrar o seu próprio caminho ou descobrir o sentido da sua jornada.

A discussão básica proposta por Cidade das Mariposas é sobre a jornada que cada ser humano se propõe em busca da perfeição e os caminhos que ele trilha para chegar a ela e as inevitáveis frustrações e distrações da vida. E a certeza de que todos os caminhos levam a um destino certo, o qual não se pode fugir.

É certo que a jornada teve início e, assim como os personagens do texto, é sem volta; só se pode andar para frente a partir de agora. Espero encontrar vocês em 2010, desta vez em algum teatro no Rio de Janeiro, não sentado na plateia, mas em cena, compartilhando com vocês meu texto e meu trabalho.

Quem é o colunista: Alexandre Pontara.

O que faz: Paulista, radicado no Rio, Alexandre Pontara é uma mistura de ator, dramaturgo e produtor cultural.

Pecado gastronômico: Bolo Negro e Tiramissú de Chaika.

Melhor lugar do Brasil: Paraty.

Fale com ele: capontara @uol.com.br ou acesse seu site

Atualizado em 26 Set 2011.

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