Guia da Semana

A mistura que deu certo

Com shows marcados para grandes casas no Brasil e as malas prontas para levar sua batida para a Copa do Mundo, na África do Sul, a banda Djavú revela quais as expectativas para esse ano

Foto: Divulgação

Originais de Capim Grosso na Bahia, o Djavú irá tocar em eventos da Copa do Mundo na África

O trecho "O que pensa que eu sou, se não sou o que pensou?" provavelmente já chegou aos seus ouvidos. Forró, eletrônico, moderno ou brega? Opa, brega não! Esse rótulo a Djavú, uma das bandas de maior repercussão hoje no país, não quer carregar. Formada pelos vocalistas Geadson Rios e Nadila, ao lado do internacional DJ Juninho Portugal, eles se denominam como "A mistura que deu certo". Nos shows, o trio utiliza-se desde guitarra e sanfona a uma pick-up e mescla sons típicos do Nordeste com batidas do eletrônico e ritmos latinos. O resultado disso, é o tecnomelody, estilo criado pelo trio e aclamado por um público cada vez mais fiel de hits como Me Libera, Atração Pitbull e Soca Soca.

Confirmados para tocar no CitiBank Hall, Rio de Janeiro, e com o hit Nave do Amor na trilha sonora da novela Bela, a Feia da Record, a banda se prepara para a primeira viagem internacional em forma de turnê pelos EUA e não para por aí. O trio de Capim Grosso, na Bahia, irá levar sua batida alucinante - como eles mesmos chamam - para os eventos oficiais da Copa do Mundo da África do Sul em 2010. Batemos um papo com Geadson, vocalista e idealizador da banda, que falou sobre preconceito com o ritmo, planos e influências musicais.

Guia da Semana: Como surgiu a ideia de montar a banda?
Geadson Rios : Foi minha em parceria com o DJ Juninho Portugal. Nós já havíamos trabalhando juntos antes dele viajar - para Portugal -  e ficou uma parceria. Nos falávamos pela internet e tínhamos vontade de fazer uma coisa nova. Então, ele fazia o trabalho dele por lá e eu aqui pesquisando assuntos relacionados à música. Sempre fui muito curioso nesse sentindo de ritmos brasileiros e latinos, algo que eu pudesse misturar o som do meu Estado com coisas de fora. Então, fizemos uma junção, ele jogou a batida eletrônica por cima do estilo que eu já curtia. Depois que montamos o projeto eu quis colocar uma voz feminina. Como já eramos amigos e conhecia o trabalho da Nadila, a convidei para colocar a voz e deu todo muito certo.

Guia da Semana: Quantos CDs já lançados? Seguem a linha independente?
Geadson: Oficialmente um CD e um DVD. A cada show buscamos lançar músicas inéditas. Por conta disso, temos outros trabalhos gravados pelas próprias pessoas que assistem as apresentações. Elas gravam, lançam e divulgam como CD e DVD. Enquanto estamos tocando, ficam três câmeras gravando e não podemos impedir. Então eles lançam a banda em centenas de lugares.

Guia da Semana: Em que momento perceberam que deram certo?
Geadson: A partir do momento em que o telefone começou a tocar. Muitas vezes ligavam pessoas de São Paulo procurando para fazer show e nós nos surpreendíamos. Quando disseram que estávamos estourados na capital, percebemos que estava dando certo. Começamos a ligar para o amigo do amigo do conhecido para saber se o CD estava mesmo sendo vendido nas barraquinhas de pirataria, se estava tocando. Como nós morávamos em uma cidade pequena não tínhamos dimensão do sucesso.

Foto: Divulgação

Geadson é um dos idealizadores da banda, ao lado de Juninho, o DJ

Guia da Semana: Qual está sendo a preparação para fazer um show em casas como Citibank Hall, no Rio? 
Geadson: Foi mais uma conquista para gente, tocar em um local onde tantos artistas desejam estar. Atingir um novo público, é uma coisa diferente. Nós não podemos mudar tanto do que já fazemos em um show tradicional. Se vamos tocar lá, não podemos mudar muito, se chegamos lá é porque as pessoas gostam da gente assim. Temos de mostrar a essência do Djavú que vem conquistando desde idosos, crianças e adolescentes até universitários e diferentes públicos. Não apenas o que curte forró nordestino. Estamos preparando músicas novas e como é um show especial, estamos preparando um cenário diferente, algo mais elaborado.

Guia da Semana: Como surgiu o convite para a canção Nave do Amor fazer parte da trilha sonora da novela Bela a Feia?
Geadson: Tudo foi muito rápido e estavam pedindo muito que fossemos à TV. Então nosso produtor levou a música para os diretores da novela e combinou muito com uma personagem. De cara eles gostaram muito a música e entrou na trilha sonora da novela. É muito bom ter uma música na TV, sempre gera uma repercussão enorme e ficamos muito felizes em ver nosso trabalho lá.

Guia da Semana: Vocês criaram um estilo musical o tecnolypso ou tecnobrega como também é chamado. Como chegaram até ele?
Geadson: Esse ritmo existe no Pará, mas não com a batida da Djavú. O nome dele é tecnomelody e nos pegamos um pouco da batida de lá. Mas o tecnolypso fomos nós que criamos mesmo. Pegamos um pouco do som regional e jogamos coisas dos anos 60. Bateu o swing baiano, com as antigas e virou uma coisa única. Isso tudo feito por um DJ e dá uma grande diferença. Os ritmos eletrônicos fazem toda a diferença. As influências do Juninho ajudam muito, afinal ele viajou o mundo todo e se profissionalizou.

Guia da Semana: Vocês farão uma turnê na África do Sul na época da Copa do Mundo?
Geadson: É verdade. E também já temos uma turnê marcada para abril nos EUA. É a primeira vez que iremos para fora do país. Recebemos e-mails dizendo que 28 países estão tocando Djavú. Iremos para a África na época da Copa. Ainda não podemos divulgar muitas coisas, devido os patrocinadores, mas iremos tocar em trios elétricos nos eventos oficiais da Copa.

Guia da Semana: Vocês se incomodam com o rótulo de banda brega?
Geadson: Não me incomodo, mas também não aceito. Afinal somos uma banda romântica. As pessoas confundem com o tecnobrega do Pará, mas não tem nada a ver.

Guia da Semana: Qual o problema com as bandas clones de vocês?
Geadson: Isso está prejudicando e muito a gente. Algumas pessoas estão agindo de má fé, usando nossa imagem como se fossemos fazer show em determinado local e na verdade não somos nós. Estamos movendo algumas ações e precisamos da ajuda dos fãs para denunciarem essas pessoas que querem nos prejudicar. Eles usam nossa logomarca, nossas músicas e quando o público chega são outras pessoas. 

Guia da Semana: Quem monta o figurino?
Geadson: Pelo fato do Juninho ter morado em Portugal e eu ter cantado em um grupo de axé, sempre gostei de usar fantasias. Trabalhar com a imaginação das pessoas, deixar uma coisa mais sedutora no ar, chamar atenção. Conversei com ele, já que veio de Portugal, poderia usar algo como D. Pedro, Cabral e deu muito certo, caiu nas graças da criançada.

Foto: Divulgação

O DJ Juninho Portugal usa roupas diferentes e chama atenção com seu visual

Guia da Semana: Vocês fazem algumas regravações de grandes nomes como Michael Jackson e Beyoncé. Como montam essas letras?
Geadson: Os brasileiros gostam muito de traduções e nós queríamos fazer isso também. Não fazemos traduções, seguimos um tema e criamos uma letra em cima da batida. Eu sou super fã do Michael e quisemos fazer isso como uma homenagem. Entre a sensualidade e os passos que eu imito, fizemos uma versão e lançamos. Deu muito certo.

Guia da Semana: Algumas letras de vocês têm apelo erótico? Se preocupam com isso devido o público infantil que curte a banda?
Geadson: Nós nos preocupamos muito com isso e não acho que as letras tenham um apelo erótico. O máximo que vamos é no "Ela pega a mão põe no joelho, Ela pega a mão põe na bundinha". Sou totalmente contra gravar e cantar coisas obscenas. Nossas canções são como na época do É o Tchan, falam de coisas engraçadas, mas nada de pornografia. Uma que eu pensava que criaria uma polêmica chama-se Soca, Soca, acho ela a mais "pesada", mas não é apelativa.

Guia da Semana: Com quem vocês sonham em um dia dividir os palcos?
Geadson: Com a Ivete Sangalo. Pelo fato de eu ser baiano, nunca ter visto um show dela, tenho muita vontade de tocar e dividir o palco com ela. Mas existem muitas pessoas.

Confira
a performance da banda com o hit Novo Amor:



Serviço:
Onde: CitiBank Hall - Rio de Janeiro - Av.Ayrton Senna, 3000 - Cj. 1005 - Barra da Tijuca
Quando: 27 de fevereiro, 22h.
Quanto: R$ 60,00 a R$ 140,00.

Atualizado em 6 Set 2011.

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