Guia da Semana

A outra face do humor

Com ar de moleque e currículo de gente grande, Felipe Andreoli, o repórter do CQC, conta como mescla o jornalismo com a comédia

Quem vê o bom humor, as tiradas com políticos e celebridades - além de beijos em loirassas na Oktoberfest - nem sequer imagina que o rapaz de 29 anos e cabelos encaracolados já foi assistente de bispos em programas televisivos da Igreja Universal e reatou casais em uma atração intitulada Em Busca do Amor, na Rede Gospel. Jornalista por formação e apaixonado por esportes, o paulista Luiz Felipe Guimarães Andreoli é umas das peças do humorístico CQC.

Depois de criativas sacadas à frente das câmeras no núcleo esportivo da Bandeirantes, Felipe foi convidado para um teste e ingressou para o seleto time dos homens de preto. Seja em estádios - seu forte - festas luxuosas ou entre anônimos, o jovem, assim como os demais humoristas do programa, montou o  stand up Que História É Essa?.

Confira a outra face do repórter crespo do CQC, que anda de metrô por São Paulo e sonha alto.    

Guia da Semana: Como surgiu a ideia de montar o espetáculo Que História É Essa?
Felipe Andreoli: Quando comecei a fazer o CQC e o programa deu certo, começaram a aparecer propostas de trabalhos e eu quis me focar em palestras, apresentações de eventos, porque sou jornalista e isso tem mais a ver com meu foco. Mas a cada coisa que aparecia, surgiam dez perguntando se eu tinha stand up. Nessa eu percebi que precisava me agilizar e corri atrás. Uni o útil ao agradável e foi um desafio. Nunca imaginei que fosse subir em um palco. Contei com o incentivo do restante dos meninos do CQC, o Danilo me ajudou com o texto e eu adaptei ao meu jeito e vi que dava para fazer uma coisa diferente. Estou feliz com o resultado, mas fico mais contente ainda quando o pessoal entende e vê que o espetáculo não é só um show. Não são apenas piadas, são histórias reais e minhas. Coisas engraçadas que eu vivi.

Guia da Semana: Você se considera mais comediante ou jornalista?
Andreoli: Na minha cabeça isso é bem tranquilo. No começo do programa as pessoas me chamavam de comediante e humorista e eu me sentia ofendido. Hoje não me importo com isso. Na minha essência eu sou jornalista, bem humorado como sempre fui, mas tenho essa minha profissão. O CQC é um ciclo, pode acabar um dia e, caso isso aconteça, vai ser muito mais fácil me ver em alguma coisa relacionada ao jornalismo e entretenimento do que algo típico de humor. Quero muito apresentar um programa, um projeto legal, que eu curta fazer, não qualquer coisa. Algo que misture entretenimento, humor.

Guia da Semana: Seu show tem o intuito de despertar o senso critico das pessoas?
Andreoli: Quero que elas assistam, saiam felizes, satisfeitas, tendo dado bastante risada, mas tendo absorvido informações, curiosidades. Sair daqui com coisas novas e que elas irão se lembrar depois. É muito diferente de ir ao show do Rafinha, Oscar, Danilo, que são humoristas, fazem piadas do início ao fim e você sai roxo de rir. No meu é possível de divertir se uma forma diferente. Uso interação com telão, imagens de viagens...

Fotos: Leonardo Filomeno


Guia da Semana: Você já passou pela Record, Rede Gospel. Qual foi o aprendizado?
Andreoli: Valorizar o que eu tenho hoje. Pelo que eu já passei e vivi, consigo dar muito valor para o lugar onde estou. Carreguei muita fita, acordava 3h da manhã para trabalhar. Hoje, obviamente, eu sofro bem menos com horários do que antigamente e ganho melhor; meu trabalho abre portas que não existiam antigamente. Nunca fiz um trabalho que eu não gostasse. Perdi o casamento do meu melhor amigo, do qual iria ser padrinho, para apresentar o Band Esporte Clube. Tive que fazer uma escolha. Era aquele momento, uma chance de mostrar que eu podia fazer bem feito ou ir ao casamento do meu melhor amigo. Apresentei o programa e consegui chegar na festa ainda. São escolhas. E acho que fiz o certo. Foi algo que me ajudou a chegar onde estou.

Guia da Semana: Como foi parar no CQC?
Andreoli: A diretoria artística da Band me indicou para fazer o teste. Eu já estava lá há um ano cobrindo esporte e na ideia do diretor do programa deveriam ser repórteres com afinidades em determinadas áreas. Eles estavam procurando alguém ligado ao esporte e chegaram em mim. Hoje eu faço um pouco de tudo e gosto muito porque não fico segmentado a um assunto. Acho que o que teve muita influência para eu chegar lá, foi uma entrevista que fiz com o Mister Bean (personagem do ator Rowan Atkinson). Como faço coleção de camisas de futebol, dei uma a ele do Capivariano (time de Capivari) e disse que era o melhor time da cidade. Ele pegou e disse que ia torcer de todo coração. Acho que gostaram e me chamaram.

Guia da Semana: Você seguiu os passos do seu pai na carreira jornalística. Ele palpita alguma coisa no seu trabalho?
Andreoli: Temos contato direto de pai e filho, mas ele fala super pouco sobre meu trabalho. Acho isso bom, porque se ele falasse muito ia acabar me pressionado de certa forma. Ele fala o necessário. Um ajuste no espetáculo, uma fala. Fazemos um programa juntos, o Camisa 89, e é aquela coisa de pai e filho, a gente se estranha às vezes, mas nada demais, somo tranquilos. Afinal, temos a mesma profissão, mas estilos diferentes. Ele é mais certinho e eu mais largado.

Guia da Semana: O que costuma fazer nas horas vagas?
Andreoli: Hoje tenho mais tempo livre na minha semana do que na época que eu trabalhava no esporte da Band. Mas o problema é que eu não sei quando vai ser esse tempo livre e antes eu sabia. Eu trabalhava de 12 de 14 dias e podia me programar para ir a praia, por exemplo. No CQC, às vezes, eu tenho a tarde de segunda-feira livre. São períodos que nem todo mundo pode compartilhar. Nesses momentos procuro fazer um esporte, vou ao cinema. Adoro jogar vídeo-game, ver meus filmes. Mas sinto falta de ter um final de semana na praia com os amigos. Mas já me acostumei, sofro bem menos hoje.

Foto: Leonardo Filomeno


Guia da Semana: Você é adepto de varias mídias digitais como blog e twitter. Acha que de certa forma isso te aproxima do seu público?
Andreoli: Com certeza. Hoje são ferramentas fundamentais para quem trabalha com comunicação ter um blog e o twitter, que é um fenômeno. De alguma forma ajuda as pessoas a me conhecerem um pouco melhor e mostra que sou humano e tenho medos, calor, chulé. (risos) Essas ferramentas me aproximam muito do meu público e eu vejo o quanto as pessoas se importam com isso. No blog eu posto muitas coisas dos meus sentimentos. Levo para o lado humano e não coloco coisas bobas como 'estou jantando com a minha mãe, avó, periquito'. Isso não interessa as pessoas. Coloco coisas em relação ao que sinto e isso é legal expor.

Guia da Semana: O que você espera para sua carreira?
Andreoli: Ninguém consegue saber. Eu no começo queria planejar tudo, mas depois que pintou o CQC relaxei. Hoje eu penso, 'quem diria que eu ia fazer um negócio desse um dia?'. Então justamente a partir do programa deixei a vida me levar. Sei que em 2010 tem CQC, 2011 também, não sei se com o mesmo elenco, mas tem. Claro que tenho ambições. Apresentar um programa, ampliar meu espaço no rádio, fazer mais shows, algo ligado à música, que é uma coisa que gosto muito também. Não dá pra planejar tudo, mas quero ampliar o horizonte.

Guia da Semana: Então, você tem vontade de apresentar o CQC?
Andreoli: Eu tenho, cara. Mas se isso acontecer será preciso tirar alguém dali. E não é legal. Como gosto de apresentar, fazer isso no programa...

Confira o restante da entrevista com Felipe Andreoli!

* Artes: Fernando Kazuo

Atualizado em 27 Set 2012.

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