Guia da Semana

A Revolução do rock francês

A França é uma das nações mais importantes na história da humanidade, tendo deixado um legado imenso para o desenvolvimento da humanidade, principalmente da sociedade moderna. Agora falar de rock e, mais especificamente, do novo rock francês pode parecer algo estranho para muitos, mas se você procurar um pouco verá que existem ótimos artistas surgindo na terra de Godard.

Com certeza os francês não estão situados no eixo(que coloco como sendo localizado na Inglaterra, EUA e Austrália) dos principais países na tradição do rock mundial. Mas dizer que as bandas francesas sempre foram incipientes é um exagero. Basta lembrar de nomes como Magna, grupo de rock progressivo dos anos 70, do TeléphoneE, banda formada no meio da década de 70 e que durou até meados dos anos 80, com uma mistura de pop e post-punk muito boa, do Noir Désir, e seu rock autêntico que a tornou uma das bandas de maior destaque daquela década na Europa, e do Mano Negra, grupo capitaneado por Manu Chao. Esses nomes demonstram a qualidade do rock feito nas terras de Asterix.

E para maior surpresa de muitos nos dias atuais está nascendo uma nova geração de bandas com uma sonoridade original e peculiar para revigorar a cena roqueira daquele país. A década de noventa já vinha dando sinais que uma nova cena estava por surgir nos arredores de Paris, com nomes como Mickey 3D, Louise Attaque & Matmatah, e que o rock feito na nação de Danton ainda mantinha a qualidade.

E o século XXI trouxe a explosão de um grande número de novas bandas, que mantinham a originalidade e qualidade nos seus trabalhos. Essa nova cena apareceu para mim ao descobrir o Cd Lp1, do grupo Plasticines, formado por quatro belas meninas que alternam letras em francês e inglês e um rock com uma boa pegada e riffs certeiros para as rádios e platéias sedentas por qualidade. Logo as meninas tornaram-se queridinhas do mundo da moda e souberam usar a internet (principalmente o MySpace) para divulgar seu trabalho e conseguir que o álbum fosse lançado na Inglaterra e nos EUA.

Após essa descoberta decidi pesquisar se existiam outras bandas tão boas quanto o Plasticines e acabei encontrando uma ótima variedade de grupos com trabalhos autorais, a maioria com músicas cantadas em francês, e capazes de chamar atenção do mundo(com a ajuda da internet) para a qualidade desse novo movimento roqueiro. O marco inicial de toda essa cena pode ser situado na coletânea Paris Calling, lançada em 2006, reunindo as mais promissoras bandas de Paris e arredores num cd que foi destaque dentro e fora da França.

O mais sedutor dessa nova geração é a opção por cantar em francês e mostrar como o idioma casa bem com os riffs inspirados em bandas clássicas Kinks e Clash junto com expoentes do rock moderno como Strokes, White Stripes, Libertines & Franz Ferdinand. Os grupos dessa cena são chamados de "les bébés rockers" para demonstrar a renovação está ocorrendo na cena roqueira daquele país.

Como falei, além das Plasticines, outras bandas merecem destaque pela qualidade de seus trabalhos e, como um resumido guia, vou citar as mais importantes e legais. Um dos melhores lançamentos desse movimento foi o cd Antichambre do quarteto Naast, que sabe muito bem misturar a pegada post-punk com climas sessentistas em músicas como Mauvais Garçon e Tu Te Trompes.

Nessa mesma linha pode ser colocado o grupo BB Brunes, claramente inspirados no Libertines, com um CD, Blonde Comme Moi, lançado no ano passado, com destaque para músicas como Le Gang e Perdus Cette Nui. Outro expoente é o ASYL, que teve seu primeiro disco, Petit Cauchemars Entre Amis, produzindo por Andy Gill - membro do clássico e influente Gang Of Four-, com um rock com pegada e riffs certeiros(como pode ser observado no hit Intérieur-Extériuer).

O Teenagers que tocou em grandes festivais europeus neste ano, é a banda com maior repercussão fora da França, principalmente por cantar em inglês. O duo Pravda tem respeitabilidade na cena electro- rock, fazendo um som perfeito para pistas, remixes e mashups, com o ótimo CD A L´Ouest... Déportivo, Mademoiselle K (que recentemente lançou seu segundo disco Jamais La Paix), LES Parisiens, Prototypes, Les Thughs & Sescond Sex formam outros expoentes desse movimento que, com certeza, veio para ficar e consolidar o rock nas terras francesas.

Em todas as bandas citadas, e em outras que deixei de fora, você encontrará meninos e meninas que adoram o bom rock, sabem usar a imagem para projetar a cena(veja as bandas citadas no Youtube e perceba como eles são "estilosos"), são inspirados no pop/rock inglês(mas conseguem ter personalidade própria)e tem na internet a ferramenta fundamental para divulgar seus trabalhos pelos quatro cantos do mundo.

E para felicidade de todos esses grupos começam a chegar ao Brasil para shows. O Plasticines virá para uma apresentação em São Paulo no Orllof Festival, no início do mês de setembro, para mostrar todo vigor de suas canções e testar o público brasileiro para esta nova cena que surge no rock mundial. Vale a pena conferir essa banda e aguardar que outros expoentes do movimento venham ao nosso país. Não seja preconceituoso, vasculhe na internet e descubra que a França tem, além dos ótimos vinhos, uma ótima cena de rock.

Quem é o colunista: Rogério Duarte da Silva.

O que faz: redator do blog musical Katacultura.

Pecado gastronômico: arroz, feijão e bife

Melhor lugar do Brasil: Pelotas, Rio Grande do Sul

Fale com ele: katacultura@gmail.com

Atualizado em 6 Set 2011.

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