Guia da Semana

Angra depressivo?

Apesar de lançar um disco com temas obscuros sobre a mente humana, Angra está de bem com a vida e comemora os 15 anos de estrada

Por Humberto Baraldi


Divulgação

Suicídio, esquizofrenia, dificuldade de adaptação, bipolaridade... Temas tão pesados que até dariam um bom roteiro de filme para Alfred Hitchcock. Apesar de serem assustadores, não foi o rei do terror quem adotou todos estes distúrbios da mente ao mesmo tempo, e sim, uma banda paulistana que faz sucesso no exterior, inclusive no Japão. Com um nome que significa "deusa do fogo" na mitologia tupi, o Angra lança um novo álbum, Aurora Consurgens, trabalho repleto dos tais mistérios presentes no cérebro humano. "Na realidade quem sugeriu o título foi o Rafael (Bittencourt). O cara curte muito estes assuntos sinistros", comenta o baixista Felipe Andreoli.

Os temas de horror que permeiam pelo sétimo disco dos roqueiros não são reflexos de uma má fase, muito pelo contrário, os caras comemoram 15 anos de estrada e consolidam uma carreira em outros países. "Cada vez mais o grupo está mais maduro. Os gringos também curtem muito o nosso som", considera Andreoli.



O próprio título do álbum, Aurora Consurgens, já vem envolto em mistérios, uma vez que este é o mesmo nome de um livro de autoria até hoje não comprovada. "Este material foi usado pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung para estabelecer a relação entre os sonhos e os diferentes estados mentais", explica o baixista. Complexo, não !?

Musicalmente falando, o disco revela uma banda bem mais pesada e mais moderna do que de hábito, mas que nem por isso abriu mão daquelas características que a consagraram mundialmente: os temas bem elaborados e a influência de música brasileira.



As gravações tiveram início em junho deste ano e em apenas dois meses, o CD já estava pronto. "O trabalho foi produzido na Alemanha e no Brasil por Dennis Ward, baixista do Pink Cream 69", ressalta Felipe. Antes de ser lançado por aqui, o disco já foi apresentado no Loud Park Festival, em Tóquio. "Os japoneses adoram o nosso som. De todos os shows que fizemos, este foi um dos melhores. O povo de lá é muito educado. Eles vão para curtir as músicas", revela Andreoli.

O show oficial que abre a turnê Aurora Consurgens acontece em São Paulo e se estende para todo o país. "Pretendemos também ir para a Ásia, Europa e Estados Unidos", detalha o baixista.



Formada inicialmente por Kiko Loureiro (guitarra), Rafael Bittencourt (guitarra), Luís Mariutti (baixo), Andre Matos (vocal) e Marco Antunes (Bateria), o Andra nasceu em 1992, mas só foi lançar o primeiro CD, Angels Cry, no ano seguinte. "Sem dúvida, os hits deste trabalho são os mais pedidos em nossas apresentações", diz Felipe.

Pouco antes das gravações do álbum, Marco Antunes deixou a banda, o que fez com que a bateria fosse gravada por Alex Holzwarth. Em seguida, Ricardo Confessori assumiu as baquetas.

Em 1996 veio Holy Land. O material trouxe diversas influências brasileiras, sem, no entanto, deixar de lado o peso e a técnica do heavy metal. Após o lançamento de novos trabalhos e shows por todo o canto, problemas de relacionamento se agravaram, resultando na saída de Andre Matos, Luís Mariutti e Ricardo Confessori da banda.

Em 2001, Aquiles Priester (bateria), Edu Falaschi (vocal) e Felipe Andreoli (baixo) assumiram os postos dos ex-Angra. Assim, o conjunto voltou às atividades em grande estilo com o lançamento do disco Rebirth. O nome do CD, que significa "renascimento" em português, remete à nova fase vivida pela banda.

Além do vínculo com o Angra, os integrantes também se dedicam a workshops, aulas e até a shows-solo. Os cinco são constantemente convidados a transmitir seu conhecimento, tanto no Brasil como no exterior, o que faz com que sirvam de influência para diversos estudantes de música e grupos iniciantes. "Isso não separa a banda, e sim, é uma fonte de extravasarmos nossas vontades fora do conjunto", diz Felipe.

Atualizado em 6 Set 2011.

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