Guia da Semana

Backstreet is NOT back

Beirando os 40 anos, os integrantes da boy band comprovam que eram apenas mais um produto da Indústria Cultural. Falta talento ou a onda passou?

Foto: Divulgação/T4F


Eles bem que tentaram, mas o furacão Backstreet Boys, que dominou o mundo entre 1997 e 2002, não conseguiu retornar com a mesma força. Talvez pela idade, talvez pela falta de inovação, talvez pela ausência de Kevin (?)... O fato é que Nick, Brian, Howie D. e A.J. estão longe de ser novamente os queridinhos do público teen.

Esta que vos escreve foi uma das milhões de fãs fervorosas dos então guris, daquelas que chorava ouvindo as músicas e que sonhava em ir a um show. O sonho se realizou: dez anos depois, conferi de perto - literalmente - a performance da boy band que foi ícone da música pop e sucesso nos quatro cantos do globo.

Para minha decepção, o show não foi apenas sem graça, mas também desanimador, por comprovar que os Backstreet Boys eram apenas mais um produto comercial, assim como hoje é a polêmica Lady Gaga. Eles continuam lindos? De maneira geral, sim. Eles cantam? Sim. Não usam playback e seguram bem a voz mesmo com tantas coreografias (que, aliás, deveriam ser consideradas crime). Agora, eles são estrelas, ícones, exemplos de talento? Definitivamente, não.

Não sou ingênua a ponto de achar que a fama dos caras duraria para sempre, mas são justamente estes casos que nos fazem valorizar outras bandas e artistas que fazem sucesso por décadas a fio sem perder a majestade. Aerosmith, U2, Paul McCartney e até, quem diria, Justin Timberlake são alguns dos inúmeros exemplos que não me deixam mentir.


Quando soube que eles viriam ao Brasil, pensei que, no mínimo, umas dez mil pessoas prestigiariam o show, nem que fosse para relembrar os velhos tempos. Mas não. O Credicard Hall, que tem capacidade para aproximadamente 7.500 pessoas, sequer estava lotado. Na Pista Premium, havia espaço até para dançar, mas isso já deve ser por causa do valor abusivo de R$ 400 pelo ingresso do setor.

Não vou mentir que o público não foi ao delírio com Everybody (Backstreet`s Back), As Long as You Love Me, Quit Playing Games (With My Heart), More Than That, Incomplete e, obviamente, I Want It That Way. Mas, durante as músicas novas, simplesmente não se ouvia o coro efusivo da plateia. Nem me arrisco a dizer quais foram as músicas tocadas, porque eu realmente não faço ideia dos nomes. O que sei é que fazem parte do último álbum, This Is Us, que também dá nome à turnê.

Também fiquei decepcionada com a produção do show, do figurino ao som. Não havia um instrumentista sequer no palco: um DJ sozinho fez toda a sonoplastia. E as roupas? Acho que eles nunca ouviram que "menos é mais", especialmente quando você beira os 40 anos de idade e quer pagar de garotão. Visual futurista, casacos brilhosos e jaquetas iguais com letrinhas atrás não dá. As melhores entradas foram as mais simples: calça e camiseta, e outra um pouco mais elegante, com coletes e gravatas.

Até me surpreendi que havia adolescentes no meio das "tias" (e me incluo nesse grande grupo). Ouço falar tão pouco da banda nos últimos... oito (!) anos, que fiquei espantada por eles terem conquistado novos fãs.

Não estou aqui para crucificar os Backstreet Boys: afinal, eles não são a única boy band que sumiu do mapa (Westlife, `N Sync e Five que o digam). Mas é interessante parar para pensar na música como um mero produto comercial e ver como o conceito de Indústria Cultural, de Adorno e Horkheimer, sempre esteve e sempre estará presente na sociedade.


Mais interessante ainda é questionar a si próprio: "Como eu gostava disso?". Felizmente, a vida é feita de fases, bem como o showbizz. Vai ver o problema não é nem com os integrantes em si, talvez a moda das boy bands tenha simplesmente passado. Apenas uma coisa é certa: talento não se perde. Quem tem esbanja, não importa se o auge foi há um, dez ou cinquenta anos.

Leia as colunas anteriores de Gabriela Forlin:

Sob um céu de blues

Muito além da Oktoberfest

Um mergulho na Costa Esmeralda

Quem é a colunista: Alguém que tenta ser a diferença que quer ver no mundo.

O que faz: Jornalista e tradutora.

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Atualizado em 6 Set 2011.

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