Guia da Semana

Conheça 5 artistas do ABC que estão em alta

Região fora do eixo comercial firma-se como berço de novos nomes das artes plásticas

O cenário paulistano é conhecido em todo o Brasil por sua efervescência cultural e também por descobrir novos talentos do universo da arte. Entretanto, longe do eixo comercial, a região do ABC - forte berço da industrialização de São Paulo e cenário de importantes movimentos trabalhistas do país - também se figura como um forte polo cultural.

Para quem não sabe, são nas três principais cidades (Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano) que estão localizados marcos da história da cultura recente do Estado. Entre eles, vale destacar a extinta Companhia Vera Cruz (restaram apenas os pavilhões), importantíssima para o cinema nacional, o movimento Punk, com referências na música, moda e lifestyle até os dias de hoje. E mais: na música, Andreas Kisser (Sepultura) e Péricles estão entre os filhos da terra que mantêm o sucesso até hoje, os humoristas Danilo Gentili e Dani Calabresa e tantos outros nomes conhecidos da mídia.

Assim, no ano de 2015, a região atraiu olhares devido aos talentos das artes visuais e o Guia da Semana lista alguns que valem a pena conhecer. Confira:

GIOVANI CARAMELLO

Giovani é escultor e o único brasileiro a trabalhar com técnicas similares às de Ron Mueck. Autodidata, iniciou a carreira com modelagem 3D e encontrou na escultura uma forma de aperfeiçoar a técnica, o que despertou seu interesse pelo hiper-realismo. 

Seu trabalho aborda questões relacionadas ao tempo e a sua efemeridade, propondo uma reflexão sobre o conceito de que tudo um dia cessa, seja um sentimento, uma experiência, uma fase, e até mesmo a própria vida. Suas obras mostram que o único momento existente é o presente, e este também é efêmero. Assim, ele nos convida a pensar sobre a impermanência.

DANIEL MELIM

Daniel teve um grafitti eleito o mais representativo da cidade de São Paulo e já participou de diversas exposições no Brasil, como no MASP em 2009, no exterior em países como França, Inglaterra e Suiça, entre outros. Tem obras em importantes acervos particulares e institucionais a citar a Pinacoteca do Estado de São Paulo e Museu Afro Brasil.

Segundo a crítica e curadora Ananda Carvalho, seu trabalho deve ser visto e interpretado pela soma de três camadas: o gesto, que evidencia o entrelaçamento dos anseios com a experiências do cotidiano; a sobreposição, que são texturas que enfatizam o movimento de “ver e ver através”; e a composição, dada pela pintura, composta por uma presença sociopolítica que localiza-se entre a denúncia e ironia ao manter os elementos cotidianos representados em suas cores vibrantes

THIAGO TOES

Iniciou a carreira como assistente de grandes nomes da arte urbana nacional e desde sua entrada para às artes plásticas já participou de importantes mostras como a A Major Minority, em São Francisco, Estados Unidos; esteve em Dubai, atendendo demanda de um colecionador brasileiro, na Bielorrússia para participar do Vulica Brasil, e está com uma exposição itinerante na Alemanha.

É recorrente em sua obra a descaracterização da figura humana e a representação do universo. A união desses temas se dá quando o artista nos convida a refletir sobre estereótipos da sociedade moderna. “Seu trabalho nos remete às sensações mais necessárias e primitivas de vazio, ao mesmo tempo em que nos propõe observar e repensar o lugar que ocupamos no espaço”. Mariana Melleu – curadora.

RIEN

O jovem artista com traços marcantes e sensíveis já expôs em outros países, como a França. Segundo o curador Douglas Negrisolli, Rien parte da essência mulher para compor suas pinturas, retratando de maneiras - e tratamentos - diferentes as cores e intervenções com spray. A figura feminina para ele é importante na medida em que desempenha papel fundamental na vida, dá a luz e concebe. Itens, caracteres e símbolos em spray estão dispersos nas pinturas e nas paredes não apenas como uma marca, mas uma autoridade.

HENRIQUE BELOTTI

Henrique iniciou a vida artística com Graffiti aos 12 anos de idade em uma oficina e viu a possibilidade de mesclar a arte de rua com a produção indoor. Hoje sua obra mescla tipografia, poesia e desconstrução de imagem, deixando notável a influência do design em seu trabalho ao identificar técnicas do processo de criação gráfica digital e composições em camadas.

O artista teve obras e painéis produzidos no Brasil e no exterior, criou um painel institucional para o hospital Sirio Libanês e fez um catálogo fotográfico em Milão, além de possuir obras em importantes coleções particulares.

Atualizado em 13 Jan 2016.

Por Nathália Tourais
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