Guia da Semana

Construindo um monólogo de Kafka

O ator Wilson Julião e o diretor Luiz Nunes contam como foi o processo de criação de A Construção, e sua turnê pela Itália

Por Thiago Kaczuroski



A Construção é o primeiro monólogo apresentado por Wilson Julião, que se interessou pelo texto de Kafka " há uns seis ou sete anos" e há cerca de dois anos resolveu adaptar o conto do escritor tcheco para o teatro. Segundo Julião, o trabalho de dramaturgia do texto - feito em conjunto com o diretor do espetáculo, Luiz Nunes - foi mais no sentido de enxugar o texto, tentando deixar as palavras iguais ao original, traduzido por Modesto Carone, o mais respeitado tradutor da obra de Kafka.

O processo de preparação de A Construção durou quatro meses (de fevereiro a maio) onde Julião e Luiz Nunes trabalharam tanto o conteúdo quanto as expressões corporais, muito presentes na peça. Toda essa preparação deixou o ator mais à vontade. " O espetáculo foi bem preparado. Então quando encaro a platéia não me sinto inseguro. É claro que em um monólogo não existe o jogo com outro ator - esse jogo é feito direto com o público - e se algo der errado, quem tem que consertar a situação sou eu".

No final de maio surgiu uma oportunidade de apresentar o espetáculo na Itália. Maurizio Roy, presidente da ATER (Associazione Teatrale Emilia Romagna), que já havia visto espetáculos do grupo Teatro Cáustico, convidou a equipe para apresentar A Construção em Genova e mais quatro cidades italianas da região de Emilia Romagna. Foram então 40 dias de excursão, com oito apresentações. Luiz Nunes conta que a recepção foi muito boa " aplaudiram de pé, com muitos Bravo! e Bravíssimo! E recebemos críticas muito produtivas". A ponte Brasil-Itália deu certo: em março chega ao Brasil um grupo teatral italiano, que será recebido pelo Teatro Cáustico.

Julião aponta diferenças entre o público da Itália e do Brasil: " São culturas muito diferentes. Quando estávamos lá, refletimos bastante sobre isso, sobre esse choque cultural. Lá as pessoas tem uma carga cultural muito maior que aqui. E isso fez com que o idioma não atrapalhasse na comunicação da peça. Depois do espetáculo, varios italianos vieram falar conosco sobre questões que o texto apresentava. Foi uma experiência muito fértil".

Sobre a escolha do autor Julião revela que é um apreciador da obra de Kafka. " São textos muito teatrais. Nossa intenção é difundir a obra de Kafka, já que muitas pessoas conhecem algumas imagens: passagens de O Processo, ou o homem que acorda transformado em inseto [A Metamorfose]". O ator diz que esta é a primeira obra do autor tcheco, de outras que o grupo pretende levar aos palcos. " Kafka tem muitos outros textos interessantes, e são esses que a gente pretende, sem pressa, começando pela Construção, adaptar para o teatro".

Confira a resenha do espetáculo A Construção aqui.

O Grupo Teatro Cáustico

Há cerca de cinco anos, o grupo Teatro Cáustico recebe o apoio da Associação de Promoção Humana e Resgate da Cidadania (Centro de Formação Profissional Pe. Leo Commissari), uma instituição ítalo-brasileira que tem atuação na Favela do Oleoduto, uma das regiões mais pobres de São Bernardo do Campo.

O objetivo do Centro é incluir social, econômica e culturalmente os moradores das regiões marginalizadas por meio de realização de cursos e de oficinas profissionalizantes e da promoção de várias atividades culturais, entre elas o teatro. O grupo começou as oficinas em troca de um lugar para ensaiar, e hoje a parceria cresceu e diversos projetos estão em andamento.

Atualizado em 6 Set 2011.

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