Guia da Semana

Crueldade em cena

Com elenco formado por Reynaldo Gianecchini, Erik Marmo e Maria Manoella, Cruel estreia em São Paulo, no Teatro FAAP, às segundas e terças-feiras

Foto: João Caldas

Reynaldo Gianecchini, Maria Manoella e Erik Marmo vivem um triangulo amoroso repleto de conflitos

Um triângulo amoroso com requintes de crueldade. Em meio a um caldeirão de emoções, numa tensão de amor e amizade, ódio e paixão, a peça Cruel estreia no Teatro FAAP, em São Paulo. Com direção do renomado diretor Elias Andreato, o espetáculo mistura drama, suspense e um jogo psicológico de palavras escritas pelo consagrado dramaturgo sueco August Strindberg, considerado um dos pais do teatro moderno.

No elenco, nomes conhecidos do público, como Reynaldo Gianecchini, Erik Marmo e Maria Manoella, que dão vida, respectivamente, ao manipulador Gustavo, ao inseguro Adolfo e à sedutora Tekla, um trio que narra a história de um homem rancoroso que se dedica a infernizar o novo relacionamento de sua ex-mulher. O espetáculo pretende levar o público ao universo intimista do autor e oferecer a experiência de espiar a si próprio por um buraco de fechadura.  

Destruição da mente

O projeto estava nas mãos do diretor Elias Andreato desde 1983. O nome original da obra, Os Credores, foi reformulado para se tornar mais atraente ao público, de acordo com o diretor. Ao contrário do que é hábito no teatro, o texto foi escolhido pelo elenco para ganhar os palcos. "Sempre enviei para amigos, mas ninguém nunca se interessou, nem me deram atenção. Inclusive, nunca fui assistir a uma montagem dessa peça. O Giani e o Erik são amigos e queriam trabalhar juntos em um texto interessante para os dois. Fui escolhido pelo elenco. Apresentei o trabalho para eles e deu certo", comenta o diretor.

Foto: João Caldas

Maria Manoella interpreta a escritora Tekla, a pivô das brigas entre Adolfo e Gustavo

A princípio, a temporada vai até outubro, com possível chances de se estender e ganhar os palcos de outras cidades. No FAAP, as exibições serão reduzidas a cerca de 100 lugares e em dias alternativos, as segundas e terças-feiras. Segundo o diretor, a escolha das datas e a diminuição de cadeiras estão relacionadas à natureza da obra de August Strindberg. O autor criou um teatro de porão, para poucas pessoas, e pretendia que o público tivesse a sensação de espiar a si mesmo no palco.

Com essa mesma fórmula, Elias pretende aproximar os espectadores. "Não é uma peça feita para grandes plateias. Não houve preocupação em adaptar o texto para o momento em que vivemos, pois ele já é muito atual. Só tive cuidado para que o texto não ficasse tão literário, para melhor compreensão do público", afirma.

A atriz Maria Manoella é o pivô das discórdias do trio. Com vasta experiência nos palcos, para ela, o grande segredo do equilíbrio das cenas de Cruel é a interação entre o elenco. "Procuramos um do outro para nos preparamos para a peça. Minha personagem é uma artista moderna. O que me encanta é a modernidade e a liberdade presentes nela. Strimberg era apaixonado pelas mulheres e ele as enaltece em suas peças", comenta.

Foto: João Caldas

Erik Marmo interpreta Adolfo, um pintor inseguro, influenciado pelo vilão Gustavo

Fã de textos clássicos, o ator Erik Marmo atuou no clássico de Moliére Escola de Mulheres, com direção de Roberto Lage, em 2010, e agora vive o marido influenciado. Para ele, o jogo é o mais interessante. "É preciso buscar dentro de si uma dor. Strimberg é denso e tive que buscar dentro de mim uma loucura e uma dor. A peça é atual, quebra paradigmas e levanta temas comuns nos dias de hoje", afirma.

Vilão de marca maior

Totalmente adaptado à vida de vilão, Reynaldo Gianecchini gostou de colocar seu lado maléfico à prova. Depois de representar Fred, na novela Passione, dessa vez ele é Gustavo, o ex-marido manipulador. De acordo com o ator, para compor o personagem ele precisou conhecer melhor os seus próprios instintos. "Todos temos uma violência e crueldade dentro de si. Eu precisei buscar a minha. O vilão tende a ser uma experiência legal para o ator. Estou curioso para ver o que os espectadores vão achar. Me interessei muito por esse papel e quero ver se o público vai ter o mesmo interesse", afirma.

Foto: João Caldas

Gianecchini se prepara para viver o personagem que foi de Tarcísio Meira em Guerra dos Sexos

Famoso por seus papeis na TV, o galã global já possui intimidade com os palcos: encenou textos como Cacilda, Boca de Ouro, O Príncipe de Copacabana e trabalhou com grandes nomes do teatro como Zé Celso, Gerald Thomas e Aderbal Freire Filho. Sem receio de ser rotulado, ele comenta sobre a lacuna existente entre o tablado e a telinha. "Dei sorte de pegar personagens bons na televisão, isso é raro. O teatro exige mais estudo, e a TV, intuição. Nunca fico preocupado se as pessoas vão ao teatro ver o cara da TV ou uma grande obra. Se chamo um público, fico feliz, mas vou oferecer algo diferente do que estão acostumados a ver", ressalta.

Recuperado de uma cirurgia recente de hérnia, Gianecchini está morando em São Paulo, por conta da peça, e, ao contrário de muitas notícias, não irá atuar na próxima novela global das 21h, Fina Estampa. O ator confirmou que está no elenco do remake de Guerra dos Sexos, possível trama para as 19h, e fará o personagem que foi de Tarcísio Meira e Glória Menezes na primeira versão, ao lado de Cláudia Raia.

Serviço:
Local: Teatro FAAP
Preço: R$ 40,00.
Data: 27 de junho a 4 de outubro de 2011.
Horário: Segunda e terça, 21h.


Atualizado em 6 Mar 2012.

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