Guia da Semana

Da rua às galerias

A arte urbana é valorizada no meio artístico e ganha espaço em novos pontos culturais de diversas capitais brasileiras.

Foto: Divulgação

Em São Paulo, o Acervo da Choque foca em artistas emergentes.

Entre prédios altos, fluxo intenso de veículos e a correria das pessoas nas metrópoles, ela encontra espaço para se manifestar. Grafites e lambe-lambes dão cores e veias artísticas a muros cinzas, enquanto skatistas dão vida e movimento a rampas e asfaltos. A arte urbana "cria cartões postais e gera um momento de pausa onde a cidade vive correndo, sem tempo para contemplação", acredita Anderson, artista do projeto 6emeia.

A potencialidade da arte que um dia foi chamada de pública - por estar em lugares públicos - tem sido cada vez mais valorizada. Artistas de múltiplas linguagens são nitidamente influenciados por sua riqueza visual e passam a produzir trabalhos que agregam outros movimentos contemporâneos como Pop Art, Expressionismo e Minimalismo aos grafismos e stêncil da street art.

Assim, a arte que nasceu na rua integra cada vez mais as exposições entre quatro paredes, por meio de telas, fotos e até versões criativas de objetos - como a mostra Destroy and Create que transformou os shapes de skates em obras dignas de museu.

Confira a seleção do Guia da Semana de novos centros culturais e galerias espalhados pelas capitais, voltados à arte urbana.

São Paulo

Espaço Soma

Foto: Divulgação


Música mais design mais skate mais artes mais quadrinhos. Essa é a melhor definição do Espaço Mais Soma, localizado no reduto artístico do bairro Vila Madalena. As paredes do charmoso galpão de 160 m² já expuseram jovens artistas como André "Pato" Monteiro, Flavio Samelo e Alexandre "Sesper" Cruz. O local já recebeu a mostra Fodido e Xerocado (foto), com mais de 85 m² de lambe-lambes e mais de 30 fotos que registram o Punk Rock. Além das exposições, o local apresenta ainda shows e happy hours, embalados por DJ's da cena musical independente.

Choque Cultural

Na galeria do bairro de Pinheiros, a arte ultrapassa as telas e intervém também nas paredes e móveis. As obras são, assim, totalmente integradas às instalações e o visitante tem uma experiência de verdadeira imersão no universo de cada artista. Com exposições individuais e coletivas, o espaço apresenta novos talentos da arte contemporânea e da street art ao lado de já consagrados artistas nacionais e internacionais. Já o Acervo da Choque, dos mesmos donos, segue a lógica do "cubo branco", onde os trabalhos de artistas já inseridos no circuito tradicional da Arte Contemporânea são apresentados em uma parede branca. Os ilustradores e grafiteiros Speto, Magoo Felix e Titi Freak são alguns dos nomes representados nos espaços.

Matilha Cultural

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Fruto do ideal de um coletivo formado por profissionais de diferentes áreas, a Matilha Cultural alia produções artísticas e iniciativas sócio-ambientais. Mais que um ponto de cultura, o local funciona como centro de ideias coletivas. Recentemente, abrigou a inovadora mostra Destroy and Create, que explora a relação dos skatistas com a arquitetura das metrópoles. A exposição apresentou shapes, tênis, fotos e vídeos que registram desde o resultado artístico da intervenção do skate na cidade quanto o processo de destruição e sua transformação em obras de arte.

Rio de Janeiro

La Cucaracha

O DNA do espaço é a mistura perfeita de seus criadores Matias Maxx, editor da revista em quadrinhos underground Tarja Preta, e a produtora de moda, Vanessa Soares. É ponto atrativo para os que procuram criatividade e contracultura em acervos de publicações impressas, música independente, além de descolados vestuários e peças de design. O La Cucaracha é freqüentemente sede de mostras de arte urbana, como a Expo Grafikk#3, que explora gravuras de serigrafia da dupla francesa Deug e Heol.

Galeria Movimento

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A idéia do nome Movimento é justamente traduzir a inquietação característica da juventude e do meio artístico atual. Ricardo Kimaid Jr, responsável pela instalação da galeria, tenta promover no espaço o encontro entre a arte contemporânea e o grafite. Para isso, são apresentados grafiteiros de destaques no Rio de Janeiro, como Toz - apelido de Tomaz Viana - e Mateu Velasco, que também é ilustrador. O lugar cria assim um ambiente de troca entre o público que gosta de arte, colecionadores e artistas de diferentes linguagens.

Porto Alegre

Fita Tape

O proprietário da Fita Tape é ninguém menos que Lucas Ribeiro "Pexão", o curador da mostra Transfer, que apresentou obras da arte contemporânea e urbana brasileira e internacional. Com as constantes idas e vindas de Pexão pela capital gaúcha e a paulista, o intercâmbio de exposições é nítidos no espaço que já é famoso no cenário cultural de Porto Alegre. Além dos trabalhos ligados a street art, há também pinturas e desenhos contemporâneos com forte apelo visual e comunicativo. O ambiente é um dos favoritos do fotógrafo e artista urbano Flavio Samelo.

Curitiba

ACasa

Com foco nas artes visuais, ACasa promove exposições de pinturas, murais e ilustrações, além de constantes eventos com debates, palestras e oficinas sobre temas que cerceiam o meio artístico contemporâneo urbano. O local que é ponto de encontro de apreciadores e artistas de diferentes linguagens - que vão do grafite ao vídeo - é também  referência em projetos de valorização da cultura e que têm como objetivo repensar o corpo arquitetado na cidade.

Belo Horizonte

Mini Galeria

Foto: Divulgação


A Mini Galeria e a Detono Graffiti se unem e criam um espaço que alia os conceitos de galeria e loja de arte. Se de um lado, a Mini recebe artistas nacionais e internacionais em exposições, de outro, a Detono alimenta os apreciadores de arte com material especializado em grafite e desenho. A última empreitada da dupla foi instalar um container em plena praça da Liberdade em Belo Horizonte, com uma série de obras de arte, sprays e publicações especializadas. Apelidado de Mini-Mobile, ele fica aberto ao público passante como uma verdadeira intervenção urbana.

Atualizado em 6 Set 2011.

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