Guia da Semana

Dançando sobre lâminas

Patinação artística no gelo traz técnicas esportivas junto com a beleza da arte

Foto: sxc.hu


Velocidade, saltos mortais, piruetas e levantamentos feitos em cima de um par de lâminas. Longe da lista dos esportes simples, a patinação artística no gelo é um show de arte, com coreografias, música e interpretação. Dos musicais internacionais às competições de grande porte, essa prática ultrapassou séculos, virou febre e tem angariado muitos adeptos e apreciadores brasileiros.

Com técnicas cada vez mais aprefeiçoadas, o ato de deslizar sobre o gelo surgiu na Idade Média. Sem nenhuma pretensão artística, a patinação era utilizada com um meio de locomoção que as pessoas encontraram para atravessar lagos congelados, formado pelos severos invernos. Apenas no século XVIII, na Inglaterra, foi que a simples necessidade virou arte. Com ajuda do norte-americano Jackson Haines ela ganhou vida, com a introdução de música, dança e coreografia.

A primeira competição internacional foi organizada em 1882, em Viena, na Áustria. E de lá para cá, tem ganho mais força e credibilidade. Foram criadas diversas categorias e o esporte começou a participar de torneios internacionais de destaque, como os Jogos de Inverno, Pan-Americanos, Olimpíadas e outros.

Suzana Viera e Diego Dores
Foto: Tv Globo/Renato Rocha
Disputas
Hoje em dia, os esportistas podem competir individualmente ou em duplas. Durante os programas, que variam de dois a cinco minutos, os juízes analisam a técnica e a apresentação artística, além dos movimentos obrigatórios. Geralmente a comissão julgadora é formada por nove pessoas, que dão notas que giram de zero a seis, descontando pontos, caso, os elementos obrigatórios sejam omitidos ou feitos de maneira incorreta.

Longe das grandes cobranças de um torneio internacional, mas com espírito competitivo, o quadro Dança no Gelo, do Domingão do Faustão, conquistou fãs. Segundo o patinador Diego Alencar Dores, 26 anos, que foi professor e par da atriz Suzana Vieira, na primeira edição, os famosos vivem uma disputa acirrada. "Eles têm pouco tempo para treinar para fazer um show. O clima é de competição mesmo", revela.

Medalha de bronze nos jogos Pan-Americanos de Winnipeg e sete vezes campeão brasileiro, o santista, que começou com dois anos de idade na prática, era apenas um dos vários profissionais que compuseram as três edições quadro. Apesar do empenho destes profissionais, várias celebridades se machucaram, como as atrizes Gisele Itié (traumatismo craniano e facial), Débora Secco (lesão nas costelas) e Luiza Brunet (fraturou o punho).

Espetáculos
Holiday On Ice
Foto: Divulgação
Longe das aflições dos torneios, os shows musicais no gelo despertam a curiosidade e o interesse do público. Afinal, quem nunca parou para ver na TV ou já não foi a um dos grandes musicais de patinação artística no gelo, como o Holiday On Ice e Disney On Ice?

Apesar de possuir várias medalhas, o patinador Marcelo Santiago sempre foi vidrado nessas grandes produções. "Comecei a patinar com 17 anos sobre rodas, mas ingressei no mundo do gelo já com intuito de entrar para o Holiday On Ice", conta.

Com quase 30 anos de carreira e, hoje, apenas dedicado a sua escola de patins sobre rodas, em São Paulo, o brasiliense fez parte da equipe estrangeira por dois anos. "Foi uma experiência incrível para minha carreira. Você fica próximo de pessoas do mundo todo, como os campeões sul-americano, europeus e mundiais".

Jefferson Menezes em apresentação
Foto: Divulgação
Longe do glamour e das luzes do espetáculo, os praticantes levam uma vida regrada e com treinos rígidos. De acordo com o paranaense e campeão paulista pela Associação Brasileira de Patinação no Gelo (2005), Jefferson Menezes, a rotina desses profissionais são de oito horas por dia, em que são feitos exercícios de alongamento, levantamentos fora do gelo, antes mesmo de calçar as famosas botas. "Grande parte dos patinadores também procura fazer cursos de teatro e danças, como o balé para aperfeiçoamento da parte artística", ressalta.

Falta de incentivo
Mesmo com a grande gama de esportistas de alto nível, essa arte ainda é pouco praticada no Brasil. Apesar do mito de que no país não há tradição nesse esporte por ser um país tropical, a questão mais está atrelada à falta de pistas de gelo, já que grande parte delas é itinerante e acabam instaladas em temporadas de férias de verão e inverno, em cidades turísticas.

Comum em países europeus
Foto: Morguefile
Segundo Marcelo Santiago, acreditar que na Europa se dança mais no gelo por causa do frio é um engano. "Lá eles costumam treinar em pistas fechadas e não em lagos congelados", afirma o esportista, que optou voltar a patinar sobre rodas por falta de infra-estrutura. Já Jefferson Menezes acredita que, além da falta de quantidade, há inadequação nos tamanhos das pista e a falta de divulgação. "A Dança no Gelo ajudou a popularizar o esporte", completa.

Sem vir para o Brasil há 18 anos, o grupo Holiday On Ice fará uma turnê brasileira, a partir de abril de 2008. Voltado para toda a família, o musical Pernalonga E Seus Amigos - Volta Ao Mundo Em 80 Minutos passará por sete cidades brasileiras (veja quadro). O representante da Holiday On Ice na América Latina, Aldo San Martin diz que "a volta do espetáculo não está só atrelado ao programa, e sim a uma somatória de fatores".

Fernando Elimelek, diretor geral da IMECO - International Media & Entertainment Company, empresa responsável pelo retorno do grupo, acredita que nos últimos anos houve um crescimento muito grande do mercado de entretenimento. "Há uns dois anos não se viam a quantidade de espetáculos que se vê hoje no país e, certamente, o retorno do grupo está atrelado ao aquecimento da economia", garante.

Jogando no gelo
Pouco conhecido no país, o hóquei é um tipo de esporte bastante praticado na Europa. Em alguns países, ele equivale ao peso que tem o futebol aqui no Brasil. Esporte olímpico, os jogadores patinam no gelo e usam tacos (sticks) para movimentar um disco (puck). O objetivo do jogo é fazer com que o disco seja colocado no gol do adversário. No hóquei as tacadas podem alcançar uma velocidade de mais de 160 quilômetros por hora, um dos esportes mais rápidos do mundo.


Holiday On Ice
Com 60 anos de existência, o grupo circulará por sete cidades com 40 pessoas em seu corpo de baile.
Datas:
03 a 13 de abril - São Paulo - Ginásio do Ibirapuera
16 a 20 de abril - Porto Alegre
23 a 27 de abril - Curitiba
30 de abril a 4 de maio - Rio de Janeiro
8 a 12 de maio - Belo Horizonte
14 a 18 de maio - Brasília
21 a 25 - Salvador
*Os postos para compra de ingressos serão divulgados nas próximas semanas, junto com os locais onde serão realizados os shows.
*Em cada dia, o grupo faz de duas a três apresentações


Serviços

Pistas de Gelo
No Brasil, há duas grandes pistas fixas de gelo. Geralmente, os rinks são montados apenas em alta temporada de férias de verão e inverno.

Rio de Janeiro
Barra On Ice
Horário: terça-feira a quinta, 14h às 21h, e sábado, domingo e feriado, 14h às 22h. Preço: R$ 25,00 - uma hora de patinação com todo equipamento
Idade: a partir dos 5 anos
Tel.: (21) 31513354 ou (21) 31835752
Local: Shopping Barra Garden - Av. das Américas, 3255, Barra da Tijuca
www.patinacaonogelo.com.br

Norte on Ice
Horário: Segunda-feira a quinta, 14h às 22h; sexta, 14h às 23h; sábado, 11h às 23h; domingo, 13h às 22h
Preço: R$ 25,00
Idade: a partir dos 5 anos
Tel: (21) 2178-4606 ou 2178-4607
Local: Entrada do Pátio NorteShopping - Av. Dom Hélder Câmara, 5.474 - Cachambi

*Há aulas de patinação no gelo

São Paulo
Ice Star
Horário: domingo a quinta-feira, 12h às 22h, e de sexta e sábado, 12h às 23h. Preço: R$20 para 30 minutos de patinação (com todo o equipamento) e R$10 para dar voltas de trenó
Idade: a partir dos 5 anos
Tel. (11) 2197-7800
Local: Shopping Eldorado - Av. Rebouças, 3.970, Pinheiros
Pabx - 55 11 - 2197-7800
www.shoppingeldorado.com.br
*Há aulas de patinação

Escola de Patinação Marcelo Santiago
Local: R. Arthur de Azevedo, 1, Pinheiros
Tel.: (11) 9727-6631/ Falar com: Marcelo Santiago
Idade: a partir de 5 anos

Atualizado em 6 Set 2011.

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