Guia da Semana

De lá para cá

Décadas após o boom da bossa nova, cantoras brasileiras continuam a fazer sucesso em palcos americanos e europeus

A paulista Tita Lima: mistura de bossa nova, jazz e dub na Europa


A sina de artistas que tateiam em vão o reconhecimento em sua terra natal antes de zarpar rumo ao desconhecido tolhe o país da oportunidade de conhecer melhor seus próprios talentos, que continuam aflorando longe dos palcos nacionais. Há décadas a música brasileira é saudada lá fora, enquanto o tratamento recebido dentro de casa parece um tanto quanto distante. Mas se a questão parece batida e não merece ser repisada outra vez, vale a pena destacar alguns nomes que há tempos tem arrancado elogios no cenário internacional.

Longe de casa

Criada em uma família de músicos, a paulistana Tita Lima aventurou-se em produções caseiras antes de embarcar para o exterior, onde lançou seu primeiro trabalho, 11:11. Bem recebido na Europa, principalmente no Reino Unido, onde Tita costuma se apresentar ao lado de outros "exilados" brasileiros, o álbum permitiu à cantora transitar entre o Velho Continente e os Estados Unidos, sem deixar, entretanto, de passar eventualmente pelo eixo Rio-São Paulo.

Contando com a generosa colaboração do trombonista Bocato e dos produtores Apollo 9 e Kassin, Tita deu luz a um disco leve, descompromissado com as tendências que engendram a nova MPB. Em A Conta do Samba, a cantora brinca com uma melodia adocicada, marcada por espertas incursões de metal e por uma percussão um tanto quanto suingada. Já na faixa Maremorso, o clima é mais saudosista, revelando retalhos de bossa nova. Essa mescla de cool jazz, dub, samba e soul confere ao som de Tita Lima um balanço engenhoso, bem aproveitado pelo tarimbado DJ Gilles Peterson, que remixou algumas de suas canções.

Tio Sam de braços abertos

Até o Japão reverenciou Ithamara
Os Estados Unidos também foram o destino de Ithamara Koorax, carioca que segue os passos de outra brasileira reverenciada no exterior, a experiente Flora Purim. Desde 1993 na estrada, a cantora levou a bossa nova de Tom Jobim, Luís Bonfá e Vinicius de Moraes para palcos europeus, asiáticos e americanos, tornando-se um dos principais nomes da música brasileira fora do país. Logo, o talento de Ithamara foi aclamado pela mídia especializada, e em 2005 a cantora foi eleita a quarta melhor do mundo pela tradicionalíssima publicação Downbeat.

Ithamara mantém a tradição de artistas brasileiros consagrados no exterior sob a pecha de representantes do chamado brazilian jazz, um híbrido de bossa nova, MPB e cool jazz. Apadrinhada por Elizeth Cardoso, a cantora lançou cerca de uma dúzia de álbuns - nem todos encontrados no Brasil -, gravando ao lado de gente como Tom Jobim e John McLaughlin.

Embora americana de berço, Bebel Gilberto leva no sangue o ritmo que consagrou os pais - Míucha e João Gilberto. Após alguns anos tentando firmar-se no Brasil, Bebel retornou aos Estados Unidos, onde travou parcerias com os produtores mais badalados da indústria musical. Em Nova York, cidade que abriga uma grande diversidade de clubes de jazz, a cantora retomou clássicos da tropicália e da bossa nova, acrescentando porções generosas de música contemporânea, especialmente de batidas eletrônicas soft. Assim, arrancou elogios estrondosos de crítica e público, alcançando vendagens expressivas ao redor do planeta.

A experiente pianista Eliane Elias
Nova York ainda abrigaria outro grande talento da música brasileira, a pianista Eliane Elias. Na Julliard School of Music, uma das principais instituições de ensino musical do mundo, a pianista aprimorou sua técnica antes de engatar encontros com músicos do quilate de Herbie Hancock, Jack DeJohnette e Joe Henderson. Eliane integrou os principais festivais de jazz da Europa e Estados Unidos, agregando em seu repertório standards jazzísticos e da bossa nova, além de composições próprias, o que a levou a assinar com os selos mais importantes da indústria fonográfica, caso do famoso Blue Note.

Uma boa amostra do virtuosismo da pianista - que também arrisca-se como cantora em algumas faixas - pode ser apreciado no álbum Dreamer, em que Eliane Elias interpreta com desenvoltura ímpar clássicos como Doralice, de João Gilberto, e Baubles, Bangles & Beagles, de Robert Wright e George Forrest.

Atualizado em 6 Set 2011.

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