Guia da Semana

De quem é a culpa?

Novo trabalho de Manoel Carlos não anda agradando ao público que é aficionado por suas "Helenas"

Foto: Tv Globo/Rafael França

No ar há mais de dois meses, a novela Viver a Vida encontra problemas para emplacar. Sua média de audiência até aqui, apesar de manter a Globo líder com folga no ranking, está bem abaixo das últimas produções do horário. Com o principal produto da grade da televisão brasileira em crise, não faltam explicações (ou tentativas de explicações) que busquem justificar este resultado abaixo do esperado.

É muito comum, em novelas que demoram a acontecer, a culpa do "fracasso" recair sobre a intérprete da mocinha. Duas Caras também teve problemas no início, e choveram críticas à atuação de Marjorie Estiano, que vivia a mocinha Maria Paula. Paraíso Tropical também estreou mal das pernas, e houve quem enxergasse na Paula de Alessandra Negrini um ponto frágil da obra. Deborah Secco ouviu críticas semelhantes em América. Agora é a vez de Taís Araújo. Para muitos, a interpretação da atriz deixa a desejar e "esvazia" uma personagem que é praticamente um mito das telenovelas: a Helena de Manoel Carlos.

Não vejo o trabalho de Taís como um ponto negativo da obra. Pelo contrário. A atriz tem um histórico de bons serviços prestados em várias novelas e está se saindo bem. Mas sua personagem, a Helena da vez, pode sim ter alguma culpa diante do fraco desempenho de Viver a Vida. Sua história só começa a ganhar alguma polêmica no atual ponto da saga, quando passa a se sentir culpada pelo acidente que deixou a enteada Luciana (Alinne Moraes) tetraplégica. O que se viu antes disso foi uma mulher bem-sucedida e que, muitas vezes, demonstrava certa arrogância. Seus discursos à la "dona da verdade" podem ter sido vistos pela audiência como indício de soberba. Enquanto isso, a caprichosa Luciana, que tinha tudo para ser a chatinha da vez, acabou enquadrada como uma espécie de "vítima" da protagonista. Assim, os papéis se inverteram e uma rejeição natural aconteceu. Ficou difícil para parte do público torcer pela Helena.

Esta é, sem dúvidas, uma das Helenas menos interessantes da galeria do autor Manoel Carlos. Lembra de Laços de Família, em que Helena (Vera Fischer) abriu mão de uma paixão pela filha e, depois, abriu mão de outra paixão para conceber um bebê que pudesse curar a mesma filha da leucemia? Ou Por Amor, em que Helena (Regina Duarte) troca seu recém-nascido pelo bebê morto de sua filha? Este era um ponto comum das heroínas do autor: estarem envolvidas em conflitos em que ética e valores são discutidos e postos em xeque a todo o momento. Um ponto que, até aqui, não alcançou a Helena de Taís Araújo.

Outro ponto fraco da obra é o seu ritmo lento. Mais de dois meses no ar e pouca coisa relevante aconteceu. Muitas paisagens belíssimas de Búzios, onde se passa parte da trama, ou Petra, na Jordânia, cenário do acidente de Luciana, são inseridas enquanto os personagens da obra aparecem conversando, comendo ou brigando. Trazer histórias do cotidiano é uma das características das novelas de Manoel Carlos, mas em Viver a Vida o recurso vem sendo usado à exaustão. São muitas cenas do mais puro papo-furado. Enquanto isso, personagens como a Tereza, de Lília Cabral, brilham e impedem a novela de cair no tédio total.

Com o sofrimento de Helena, o autor espera driblar a rejeição à personagem. Só resta saber se o público não fará coro à Tereza e cia. e também culpar Helena pela tragédia envolvendo Luciana.

Quem é o colunista: André Santana.

O que faz: Jornalista e blogueiro.

Melhor lugar do mundo: Minha pequena cidade de Ilha Solteira - SP.

Pecado gastronômico: Filé a parmegiana... e batata frita!

Fale com ele: andre-san@bol.com.br ou acesse seu blog.

Atualizado em 26 Set 2011.

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