Guia da Semana

Decepção para o público

SBT encurta novelas e deixa seus telespectadores frustrados

Foto: SBT/Lourival Ribeiro

O SBT tinha grandes expectativas com relação ao remake de Uma Rosa com Amor, trama que chega ao fim em 16 de agosto. Depois de reiniciar seu departamento de dramaturgia com duas tramas fracas assinadas por Íris Abravanel, a emissora resolveu "roubar" Tiago Santiago, o principal autor de novelas da Record (foi ele o responsável por A Escrava Isaura, Prova de Amor e as sequências Caminhos do Coração e Os Mutantes), para levantar seu setor de novelas. Santiago topou o desafio e teve como primeira missão atualizar Uma Rosa com Amor, simpático texto de Vicente Sesso, que foi novela da Rede Globo dos anos 1970.

Mas a audiência acima dos dois dígitos, como era esperado, não aconteceu. A novela, protagonizada por Carla Marins e Cláudio Lins, amargou baixos pontos em seu início e, apenas agora, que está na reta final, é que se mostra mais próxima de sua meta inicial. Não chega a ser estranho, afinal Uma Rosa com Amor reinaugurou a faixa de novela das 20h15 da emissora e precisou formar uma nova audiência no horário. Revelação e Vende-se um Véu de Noiva, as tramas anteriores, foram ao ar às 22h. Uma nova plateia demora a se formar, pois sabe-se que televisão é hábito.

Mesmo assim, impaciente como sempre, o SBT optou por encurtar a trama. Avisou ao autor dos capítulos a menos, a produção correu para finalizar a produção e Uma Rosa com Amor sairia do ar antes da hora para dar espaço ao horário político. A ideia da emissora era adequar a grade à propaganda eleitoral. Acredito que tenha sido uma atitude precipitada, pois ninguém pensou que este período sem novelas faria o público perder o hábito que Uma Rosa com Amor tanto lutou para conquistar.

A substituta, Corações Feridos, ainda está em início de produção e com estreia prevista para novembro. Percebendo o erro, o SBT voltou atrás na decisão, mas já era tarde: Uma Rosa com Amor estava finalizada. Assim, optou-se, na sucessão, pela reprise de Canavial de Paixões, de 2004. A transmissão começa em 17/8, às 20h, numa versão compacta e fará sala de espera a Corações Feridos.

Com isso, o público, que gosta de novelas, perde, pois não verá Uma Rosa com Amor com a duração inicial, e perde o SBT, que já estava no caminho de consolidar seu público de novelas e verá essa trajetória novamente interrompida. Não que isso seja novidade na emissora de Silvio Santos. Vale lembrar que as três tramas anteriores, Vende-se um Véu de Noiva, Revelação e Amigas e Rivais, também foram encurtadas para sair do ar antes do previsto. E, no caso destas, a situação foi ainda pior: como estavam totalmente finalizadas, as produções foram picotadas no ar. Ou seja, quem acompanhava as novelas viu sua trama ser finalizada no atropelo e até sem muita coerência. Aliás, a emissora já chegou a tirar do ar novelas sem conclusão. A mexicana Destilando Amor "sumiu" do ar um mês depois de sua estreia, sem maiores explicações.

O SBT não percebe que são essas atitudes que o fazem ter cada vez mais dificuldades em consolidar sua teledramaturgia. Afinal, o espectador tende a ficar mais receoso, com medo de começar a acompanhar uma novela, ao perceber que pode ser uma experiência frustrante, sem conclusão ou resolvida no atropelo. A emissora, ao menos, já conseguiu respeitar o horário de exibição (Uma Rosa começou às 20h15 e vai terminar às 20h15). Agora falta respeitar o tempo do autor e seu público.

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O que faz: Jornalista e blogueiro.

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Atualizado em 6 Set 2011.

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