Guia da Semana

Depois do carnaval

E agora? Há muito que conhecer no mundo da música

Foto: Getty Images

O ano começou, o carnaval passou, e não há nenhuma esperança das grandes mídias em mostrar o que  estão produzindo na área musical. Até o início desse milênio, a grande vitrine dessa produção eram as rádios e as televisões e quem viabilizava o acesso eram as gravadoras que tinham interesse em divulgar seus produtos. Hoje as gravadoras buscam entender como atuar, já que a internet e suas possibilidades desorganizaram o mercado.

Grupos como Doces Cariocas, Comadre Fulozinha, Móveis Coloniais de Acajú, Revista do Samba, Spok Frevo Orquestra, Banda Mantiqueira - só pra citar alguns - foram a luta e conquistaram seu público, mas as rádios e as TVs nunca souberam de sua existência. Raras são as emissoras que reconhecem a sua responsabilidade de entreter e informar. O que se produz hoje de música não dá para medir, mas podemos observar alguns sintomas.
Na Virada Cultural do ano passado, teve um palco só de cantoras, na avenida Ipiranga. Foram 24 horas de voz feminina se apresentando ao público que quis conhecer a nova geração. No projeto Humaitá Pra Peixe, mais recentemente, que acontece no Rio de Janeiro apresentou  novidades como Doces Cariocas um coletivo que recupera o samba tradicional fugindo  do tão em moda o samba jazz. 

As grandes emissoras dizem que programas de música não dão audiência e quem carrega essa missão são emissoras de pequena audiência como a TV Senado e o Instrumental SESC BRASIL.  Foi no programa de chorinho da TV Senado que pudemos ver pela primeira vez Hamilton de Holanda. No Instrumental SESC BRASIL encontramos veteranos e novatos instrumentistas, mostrando o quanto há de qualidade desprezado pelas grandes emissoras.

Hoje o Brasil é pródigo em produção musical.  Em Recife, por exemplo, tem uma tradição fortíssima principalmente no frevo. Nos anos 60, quando poeta Ariano Suassuna criou o movimento Armorial. De lá surgiram Antonio Nóbrega, hoje radicado em São Paulo, e Antúlio Madureira, que ainda  permanece no Recife, se apresentando e criando instrumentos. Foi graças ao reconhecimento dessa cultura que pôde surgir um Chico Science ou um Lenine. Já o Rio de Janeiro, uma cidade de tradição boemia desde quando era capital de República, viu ressurgir, há alguns anos, o samba tradicional e o chorinho.

A Lapa também revive seu grande momento musical.  De lá surgiram os grupos Tira Poeira, Rabo de Lagartixa, Abraçando Jacaré, Trio Madeira Brasil, só pra citar alguns desse momento da recuperação do choro. A cantora Tereza Cristina é um exemplo disso. Deixou de ser fã de rock para se encantar pelo samba carioca. Em São Paulo, há  escolas como o CLAM, criado pelos integrantes do Zimbo Trio nos anos 70. De lá saíram Chico César e Eliana Elias. Também vale citar a ECA - Escola de Comunicação e Artes da USP, a Universidade Livre de Música hoje Universidade Tom Jobim,  a Escola de Música da UNESP, com o Grupo de Percussão da Planalto, criado pelo professor John Boudler e, por fim, a escola de música da UNICAMP, que são fundamentais para a formação de  músicos e dar qualidade a essa produção nacional.

Está aí um universo musical, um caldo de cultura que é nosso patrimônio, que termina sendo desprezado. A maioria dessas escolas são públicas e, portanto, mantidas pelo dinheiro do contribuinte, que se vê negado a se deliciar com suas apresentações.

Em 2009, vamos ficar atentos para o circuito musical como os das unidades do SESC e da  FECAP, na Liberdade, no auditório Ibirapuera, que além de mais baratos, são locais de boa música. Fique atento também nas apresentações da Jazz Sinfônica, que sempre toca com músicos nacionais e estrangeiros, principalmente jazzistas. Falando nisso, há quem olhe para a "jazzificação" da música brasileira como um mal a corroer nossa ginga, mas essa discussão fica para uma outra vez.

Leia as colunas anteriores de Lazaro Oliveira

E lá vem mais um carnaval...

O jazz de Dianne Schurr

A velha guarda e o mistério de seu samba

Quem é a colunista: Lázaro Oliveira, jornalista. Trabalha no Vitrine e no Entrelinhas, ambos na TV Cultura

Pecado gastronômico: Comida japonesa ou cozinhar o que tem vontade para a família e amigos

Melhor lugar do Brasil: Quando não em casa, a bela cidade de Paraty!

Como falar com ele: lazaro.o@uol.com.br


Atualizado em 6 Set 2011.

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