Guia da Semana

Do tablado para a telinha

Depois de anos nos palcos paulistanos, atores de teatro buscam novos caminhos e estreiam em personagens de destaque na novela das oito

Foto: Globo.com

Com mais de 20 anos de carreira no teatro paulistano, Angela Barros interpreta Celeste, uma das médicas da novela Viver a Vida, de Manoel Carlos

Quem assiste à novela Viver a Vida, transmitida no horário nobre da Rede Globo, pode ver entre os artistas consagrados vários rostos 'novos' em papéis de destaque, já que nove atores do elenco nunca haviam trabalhado em uma novela inteira. Mas o que muitos não sabem é que esse pessoal já transita há um bom tempo na cena teatral paulistana. É o caso da atriz Angela Barros, que na trama, escrita por Manoel Carlos e dirigida por Jayme Monjardim, vive uma das médicas do hospital Santa Terezinha. Com mais de duas décadas de carreira, Angela já passou por grupos teatrais conceituados, como Satyros, e, em 2006, chegou a ser indicada ao Prêmio Shell como melhor atriz pela peça A Vida Na Praça Roosevelt.

Conhecida entre a classe artística, mas anônima entre o grande público, a atriz optou por um teatro não-convencional, que não possui um intuito mercadológico. Por isso, foi sempre mais difícil viver somente desse tipo trabalho. "Dificilmente se sobrevive apenas de um teatro autoral, que envolve pesquisa, experimento, buscas de novas linguagens, cumplicidade artística. O Boi Voador, O Pequeno Teatro das Inquietações e os Satyros foram grupos onde eu vivi isso e, ao mesmo tempo, fiz rádio, cinema, publicidade e espetáculos de entretenimento", diz.

Bandido e mocinho

Para ela, não existe a ideia de 'bem e mal' entre teatro e televisão. "Sou atriz, essa é a minha profissão, e como toda profissão existe um mercado de trabalho. O teatro e a TV fazem parte desse mercado, assim como o rádio, o cinema e a publicidade", explica. "Não me 'rendi' à  televisão. Estou nela por minha livre e espontânea vontade e, claro, pela vontade do autor e dos diretores que me aprovaram. Fui convidada para fazer a novela Viver a Vida, do Manoel Carlos, que acho maravilhoso, e ser dirigida por incríveis diretores. Enfim, proposta irrecusável".

Foto: Divulgação

Aline Fanju, que interpreta Myrna, em Viver a Vida

Aline Fanju, que vem ganhando destaque na trama de Maneco com a interpretação de Myrna, uma garota de programa que contracena como gêmeo Jorge (Mateus Solano), também já trilhou um longo caminho pelos palcos de São Paulo. Aos 16 anos, apresentou Pretexto Para Catarse, no Teatro Oficina, dirigido por Zé Celso. Em 2007, estrelou a peça Pão Com Mortadela, cujo diretor, João Fonseca, foi indicado ao Prêmio Shell. "Na verdade, entrei pra fazer uma participação de um capítulo apenas. Depois, novas cenas foram surgindo, o envolvimento do casal foi crescendo, e a Myrna, acabou ficando", conta.

Linguagens distintas

A atriz conta que fazer televisão é muito difícil e que encontrou algumas dificuldades na interpretação. "É tudo muito diferente de teatro. Não só o tamanho da interpretação, mas a dinâmica do funcionamento todo. A rapidez com que as coisas têm que acontecer. O quão pronta você tem que estar o tempo todo pra acessar tal e tal emoção", diz. "Preocupação com luz, continuidade. O texto que chega na véspera pra ser gravado no dia seguinte. Já estive apavorada, com medo de atrapalhar o todo, sabe (risos). Fico encantada com cada pedaço da mecânica que aprendo dia a dia", completa.

Para construir o advogado Gustavo, o ator Marcello Airoldi, que esteve voltado ao trabalho teatral desde a década de 90, não encontrou muitos problemas. Segundo ele, o jogo com atores que possuem bastante experiência em TV e as técnicas utilizadas o ajudaram bastante. "Para mim, o personagem nasce sempre do texto e, em seguida, da relação, do jogo entre os atores. Não foi diferente desta vez. A cada capítulo o Maneco me dava mais indicações de como era o Gustavo, às vezes, através de comentários de outros personagens. Além disso, o jogo com a Camila Morgado, a Letícia Spiller e o Zé Mayer, atores com quem mais atuo na novela, ajudou muito a desenvolver o trabalho", revela.

Em cena

Foto: VGI Agentes/ Divulgação

Marcello Airoldi é o advogado machista da trama de Manoel Carlos

Apesar de ser a primeira vez que Airoldi atua em uma telenovela do começo ao fim, ele tem uma vida teatral bastante ativa. Além de integrar o elenco de peças de grupos renomados, como o Ventoforte, o ator também desenvolve trabalhos como autor, diretor e professor de teatro. Mas, agora, sua carreira está voltada para Viver a Vida. "Tenho um espetáculo de meu núcleo de pesquisa, o Teatro de Perto, que se chama Um Segundo e Meio. Escrevi e atuo neste solo que o Janô (Antonio Januzzelli) dirigiu. Estou planejando retomá-lo em algum momento depois da novela. Também recebi outros convites de novas peças. Vamos ver, agora é se dedicar totalmente à novela", conta.

Mas o palco continua sendo a grande paixão desses atores. Por isso, alguns tentam conciliar teatro e TV, mas nem sempre isso é possível. "É sempre muito angustiante para ter que decidir por um ou outro", desbafa Angela Barros. Porém, muitas vezes, com a fama adquirida, fica mais fácil encenar montagens de sucesso. "A visibilidade da TV não se compara a nada. A popularidade que ela proporciona é uma coisa impressionante. O impacto é muito forte, e a boa medida para se lidar com isso é saber o que é seu e o que é da TV. Acredito que o teatro precisa se popularizar, no sentido de estar próximo da população, assim como a televisão está. Isso sim garantiria mais trabalho para atores, diretores e técnicos teatrais", assegura.

Atualizado em 6 Set 2011.

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