Guia da Semana

Dois shows, duas histórias

Aproveitando os diversos shows gringos no Brasil, colunista assistiu às apresentações de Placebo e Korn e conta como foram as apresentações

Foto: Renan Facciolo "Macones"

Um eclipse do sol se forma no telão do Credicard Hall, em 17 de abril. No meio dele, os andrógenos do Placebo abrem o show com as músicas For What It's Worth, Ashtray Heart e Battle for the Sun, do último álbum de 2009. Quatro mil pessoas vão a êxtase ao ver a banda em São Paulo, que se apresenta pela terceira vez no país e que nessa turnê tocou também em Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte.

A diferença desse show é a nova fase da banda, o Placebo mudou. Com a substituição do baterista Steven Hewitt por Steve Forrest, o grupo iniciou uma nova fase, com menos peso nas músicas e letras mais alegres. E assim se mostrou no palco e na escolha das canções, voltadas mais para o novo álbum, deixando os clássicos um pouco de lado, infelizmente. Outra mudança foi que agora eles contam com mais três músicos no palco, que fizeram uma diferença positiva, dando um novo formato para os arranjos.

Como sempre, o vocalista Brian Molko e o baixista Stefan Olsdal foram carismáticos. Molko chamou a todos de Molkoboys e Molkogirls e o público pirou. Para abrir a Speak in Tongues, o vocal disse que assistiu a TV brasileira e que lembrou da infância ao ver que temos programas evangélicos. "Isso me fez lembrar da minha infância, quando as pessoas eram possuídas nessas sessões. Elas eram possuídas por Jesus e falavam em línguas desconhecidas".

O ápice da apresentação foi do meio pro final. Eles tocaram os velhos hits Every You Every Me (que causou menos alvoroço do que se esperava), Special K (essa levou todos ao delírio máximo do show) e Bitter End, fechando a primeira parte. Depois do bis, a b-side Trigger Happy e a maravilhosa Infra-Red antecederam o fim sombrio da noite, que encerrou com uma versão pesada de Taste in Men, deixando saudades desde já. 

Confira a set list:

For What It´s Worth
Ashtray Heart
Battle for the Sun
Sleeping with Ghosts
Speak in Tongues
Follow The Cops Back Home
Every You Every Me
Special Needs
Breathe Underwater
Julien
The Never-Ending Why
Bright Lights
Devil in the Details
Meds
Song to say Goodbye
Special K
Bitter End

[Bis]

Trigger Happy
Infra-Red
Taste in Men


Are You Ready?

Korn volta no tempo e fez um show histórico em 21 de abril, no Credicard Hall. A música de abertura, 4 U, anunciava a entrada da banda. Dead Bodies Everywhere liberou toda a energia e ansiedade acumulada, levando todos a pularem empolgados. O vocalista John Davis apareceu com o lendário conjunto Adidas e, durante toda a apresentação, parecíamos estar de volta à década de 90, principalmente quando a terceira música, Need To, começou, retomando o peso do primeiro álbum, de 1994.

O guitarrista Munky foi quem arriscou alguns "obrigado" em português e foi o mais insano no palco: jogou água na galera, posou pra foto, fez careta e por aí vai. Enquanto isso, Fieldy (baixo) e Ray Luzier (bateria) fizeram tremer nossos corpos com a vibração alta e ensurdecedora das cordas e bumbos em momentos solos. Davis não disse quase nada, mas como sempre, se entregou nas canções e fez arrepiar, mostrando que ainda tem fôlego e voz - apesar do inalador de oxigênio entre um intervalo e outro.

O repertório foi quase perfeito. A banda selecionou as músicas de acordo com a votação dos fãs no site do grupo. Por isso, todo mundo pirou e não teve como errar o peso. Além de Oildale, presente no novo disco e Throw Me Away, do See You On the Other Side, de 2005, novamente voltamos à melhor fase do Korn e pudemos ouvir ao vivo hits como Falling Away From Me, Somebody Someone e Freak on a Leash.

A primeira parte terminou com o momento mais empolgante de todo o show. Enquanto eles faziam uma introdução de aproximadamente dois minutos anunciando o hino Blind, os fãs fizeram uma roda gigantesca no meio do Credicard Hall e um dos maiores bate-cabeças que eu já vi e participei, estava formado. Para cair a casa mesmo, faltou só a Faget, que estava no repertório, mas eles não tocaram. Depois do intervalo, Davis aparece com sua gaita de fole, anunciando um final de show pesadíssimo com Shootes and Ladders, Clown e Got the Life.

Foi a terceira vez que eles estiveram no Brasil e talvez tenha sido a melhor apresentação, embora alguns (como eu) ainda sinta a ausência do guitarrista Brian Head, que saiu em 2005. O show foi o único no Brasil, encerrou a turnê na América Latina e foi um dos últimos antes do lançamento do novo álbum, Korn III - Remember Who You Are, previsto para junho. Só uma pergunta que gostaria muito de saber a resposta: cadê o microfone de Alien do John Davis? 

Confira a set list:

4 U
Dead Bodies Everywhere
Need To
Coming Undone / We Will Rock You
Here to Stay
Falling Away From Me
Oildale
Somebody Someone
Did My Time
Throw Me Away
Helmet in the Bush
Freak on a Leash
Good God
Blind

[Bis]

Shoots and Ladders
Clown
Got the Life

Leia as colunas anteriores de Yuri Kiddo:

Estilo Diferente

Mistura de tudo

Quem é o colunista: Yuri Kiddo.

O que faz: Escrevo, leio e viajo.

Pecado Gastronômico: Pizza.

Melhor lugar do mundo: Casa da minha avó Fergie.

O que está ouvindo no rádio, mp3, carro: Troco direto, então vou dizer o que tem nesse exato momento: Tim Maia, Cassiano, Hot Chip, Nirvana, Deftones, Korn, Nine Inch Nails, Maquinado, Marechal, Quinto Andar, Cypress Hill e Placebo.

Fale com ele: yurikiddo@gmail.com  

Atualizado em 6 Set 2011.

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