Guia da Semana

Duas lágrimas em meio a risos

Uma das histórias fala do amor conturbado entre mãe e filha, e a outra tem no drama da adoção um belo enredo que arranca lágrimas

Foto: João Caldas

Ciranda trata do relacionamento perturbado entre mãe e filha

Que São Paulo está cheia de teatros, todo mundo sabe. Na verdade, até falta espaço para algumas produções, que acabam não entrando em cartaz por falta de local disponível. Grande parte das produções que vencem esse desafio são comédias, em sua maioria muito boas e que merecem muitos aplausos, mas duas montagens se destacam ao emocionar as plateias: Ciranda, no Teatro Eva Herz, e Meu Filho Sem Nome, no Teatro Brigadeiro.


Ciranda é mais um belíssimo texto da jornalista Célia Regina Forte. Enquanto na sua primeira montagem Amigas, Pero No Mucho ela brincou com o riso gerado pelas relações humanas, nessa, ela expõe o lado terno e lírico delas. A dramaturga diz que se inspirou em várias pessoas que vão ganhando espaço em sua mente e uma hora saem como personagens. Na peça, a relação conturbada entre mãe e filha prova que o amor pode estar escondido em meio às brigas.


Tania Bondezan e Daniela Galli estão entrosadas de tal maneira em cena que fazem parecer que o texto é realmente a vida das duas atrizes. E da união da belíssima interpretação com o texto de Célia e a direção marcante de José Possi Neto surge a emoção que permeia a montagem. O clima é tão envolvente que realmente é capaz de levar o público às lágrimas, seja por identificação, ou mesmo por comoção com aquilo que é apresentado.


O pequeno Teatro Eva Herz, que fica dentro da Livraria Cultura, contribui ainda mais para a peça. A sua estrutura intimista propicia a sensação de espiar pelo buraco da fechadura, algo que todo mundo já sentiu vontade de fazer uma vez na vida, e realiza, de alguma forma, ao ver a vida daquelas três mulheres - sim, apesar de duas atrizes, em cena temos três mulheres. Assista, se emocione e entenda!


Foto: Marcos Alberti

Meu Filho Sem Nome traz uma jovem grávida e uma mulher cujo marido é estéril

Meu Filho Sem Nome traz também duas atrizes ao palco - Aparecida Petrowky e Christiane Brasil - para discutir a adoção. O que tinha tudo para ser clichê recebe interpretações tão ternas que arrebata a plateia com um drama de tirar o fôlego: enquanto uma jovem adolescente está grávida, uma mulher de trinta e poucos anos sofre ao saber que seu marido não pode ser pai.

As duas histórias se cruzam em uma montagem formada por pequenas cenas que são quebradas pela movimentação de objetos no palco pelas próprias atrizes, de forma que o cenário se modifica. Esta opção da direção conseguiu dar um ritmo diferente à trama e ajuda no respiro necessário ao público, que leva tempo para conseguir digerir as informações da história.


O único "porém" desta peça é a trilha sonora um pouco duvidosa, que não acrescenta nada e nem facilita o desenvolvimento da trama. As músicas são tão desconexas com o que rola em cena que realmente causam um estranhamento. Em alguns momentos, na tentativa de tentar estabelecer alguma relação entre a sonoridade e a encenação, o público se desliga do que está acontecendo.

Vale dizer que apesar de emocionarem, ambas as montagens também têm seus momentos de humor. Afinal, elas refletem a vida e essa é sempre uma mistura de emoções, não é mesmo?


Leia as colunas anteriores de Guilherme Udo:

Mulheres Solteiras Procuram (canal Mulher)

Mulheres Solteiras Procuram (canal Estilo)

Um Violinista no Telhado

Quem é o colunista: Um pedaço da loucura desse mundo!

O que faz: Um radialista que trabalha como jornalista e se aventurou por outras áreas, como o teatro.

Pecado gastronômico: Frozen yogurt com granola.

Melhor lugar do mundo: Plateia de um teatro ao lado de amigos.

O que está ouvindo no carro, iPod, mp3: Complicado! Sempre vario muito, mas normalmente são trilhas de musicais da Broadway, como Spring Awakening.

Para falar com ele: Visite seus sites www.guilhermeudo.com, www.enteatro.com.br ou siga-o no Twitter.


 


 


Atualizado em 6 Set 2011.

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