Os Homens São de Marte... E É Pra Lá Que Eu Vou!" />

Guia da Semana

E se ele não ligar?

Estes e outros "dilemas" das mulheres solteiras são retratados no espetáculo Os Homens São de Marte... E É Pra Lá Que Eu Vou!

Foto: Lívio Campos

Minutos antes do espetáculo, o aviso de praxe alerta: "Senhoras e senhores, o espetáculo já vai começar. Por favor, desliguem seus celulares". Bem previsível, não fosse a continuação: "Mulheres solteiras que estejam esperando alguma ligação podem manter no silencioso, a gente entende".

Esse é exatamente o tom que marca a comédia Os Homens São de Marte... E É Pra Lá que Eu Vou!, escrita e interpretada por Mônica Martelli. Na montagem, ela vive a jornalista trintona Fernanda, que organiza festas de casamentos enquanto sonha com a sua própria cerimônia.

Desesperada para encontrar o homem da sua vida, Fernanda acaba se envolvendo em uma série de relacionamentos que não dão certo, com tipos que vão de um alternativo italiano com quem vai morar em Itacaré, no litoral da Bahia, a um político que conheceu em uma micareta.

Foto: Lívio Campos
A idéia do espetáculo, quem diria, veio da própria experiência. Três anos solteira e muitos encontros errados depois, Martelli achou que era a hora de passar para o papel suas próprias histórias. Foi daí que surgiram pérolas como "Estou saindo com um cara de 20 anos. Eu tenho um brinco que é mais velho que ele" e "Mulher solteira está para mulher casada como cocaína está para maconha. Fica mais ligada".

O tema não é novo, mas gera uma identificação imediata na platéia - formada em grande parte por mulheres - e tornou a montagem um fenômeno do teatro carioca: são dois anos em cartaz, com mais de 150 mil espectadores, além de uma indicação ao Prêmio Shell de 2005 e três troféus no Prêmio Qualidade Brasil de 2006.

O sucesso veio em um momento em que, curiosamente, Martelli já estava quase desistindo da carreira. Depois de pequenos papéis em programas como Chico Total e Zorra Total, a atriz se viu vestida de tartaruga no programa Vídeokê, da apresentadora Angélica. "Ficou evidente que alguma coisa estava bem errada com a minha carreira", conta, sem perder o bom humor.

Foto: Lívio Campos

Com ajuda da família e dos amigos, reuniu os R$ 18 mil necessários para inicar a produção. Estreou em abril de 2005, no pequeno Teatro Candido Mendes, para se mudar em setembro do mesmo ano para o Teatro Vanucci, com mais lugares.

Além do sucesso de público, o texto está rendendo outros frutos. Em breve a atriz se prepara para lançar o livro da peça, que incluiu outras histórias, além de estudar propostas para a realização do filme da peça. "A peça foi um antes e depois na minha vida. Nunca antes eu tinha encontrado o sucesso e a receptividade que obtive com a Fernanda", comemora.

Na vida real, ao menos, a busca terminou. A atriz é noiva do produtor musical Jerry Marques, com quem divide um apartamento na Gávea, no Rio de Janeiro. O segredo para deixar a solteirice? "Eu o conheci no [restaurante] Spot, em São Paulo, em um dia que estava super desencanada com uns amigos, e nem tinha saído para paquerar". Solteiras, inspirem-se.

Atualizado em 6 Set 2011.

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