Guia da Semana

Encantadora Leila

Na produção de seu trabalho de conclusão de curso, colunista passou um dia inteiro ao lado de Leila Pinheiro

Foto: Arquivo Pessoal


Quando chegamos ao fim da faculdade, temos a preocupação em fazer o estressante e, ao mesmo tempo, confortante Trabalho de Conclusão de Curso, conhecido popularmente como TCC. Desde o início da faculdade, pensava em fazer algo relacionado à música.

O último semestre chegou e com ele a dúvida do que fazer. Foi então que, ao saber que a bossa nova seria o destaque do ano pelos seus 50 anos, desde o lançamento do compacto Chega de Saudade/Bim Bom, por João Gilberto. Li na mesma época que a cantora Leila Pinheiro estava lançando um disco gravado com Roberto Menescal (Agarradinhos), um dos precursores do estilo, ao lado de Carlos Lyra, Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

Eu comecei a pesquisar um pouco mais sobre Leila, pois já conhecia um pouco de sua história. Sabia, principalmente, que ela chegou a gravar canções de sucesso da bossa nova e também gravou outras letras de compositores do estilo, e que, em seu primeiro disco, contou com a participação de Tom Jobim. A partir daí, resolvi fazer um perfil biográfico da artista, contando toda sua trajetória profissional, entrevistando cantores e familiares que falaram - e muito - sobre Leila.

Depois de entrar em contato com sua assessora e conversar sobre os objetivos do trabalho, Leila permitiu que eu fosse até a sua casa para realizarmos uma entrevista. Fui para o Rio de Janeiro, até a sua residência, perto da Lagoa Rodrigo de Freitas. Ficamos em seu estúdio, cheio de fotos (inclusive uma gigante da Björk, de quem ela é fã), discos e seus instrumentos - sem esquecer de sua poodle, a Maricota, que não sai de perto da dona).

A cantora começou contando sobre sua carreira em Belém, no Pará. Parou o curso de medicina, para mudar para o Rio de Janeiro e consolidar sua carreira. Contou sobre o medo de sua mãe, a motivação de seu pai, que havia montado uma banda com os filhos quando crianças - de onde nasceu sua paixão pela música. Leila contou das dificuldades que passou para divulgar seus trabalhos, sobre quando ganhou o Festival de 1982, com a canção Verde, de Eduardo Gudin, e como esse prêmio a apresentou para Roberto Menescal, que produziu o disco Benção Bossa Nova.

A simplicidade com que ia contando sua história chegou até a emoção ao falar de Renato Russo, que participou da canção Tempo Perdido, na gravação do disco Alma. Fora o sucesso no Japão, quando foi se apresentar por lá, conquistando diversos fãs.

Por falar neles, a cantora também se emocionou quando caímos no assunto, já que se tornou  amiga de muitos deles. Após o nosso encontro, acompanhei alguns shows dela em São Paulo e testemunhei de perto essa relação, que chega até conversas sobre assuntos do cotidiano.

Saber a história de Leila Pinheiro foi conhecer um pouco mais sobre a bossa nova e como ela ainda não "morreu", como muitos dizem. Também é conhecer um pouco mais sobre a própria música e a história de Leila que, desde criança, mostrava que se tornaria uma talentosa cantora. Acredito que, com seu piano e sua voz encantadora, Leila levará a bossa nova para onde quiser.

Quem é a colunista: Maraísa Bueno.

O que faz: jornalista e repórter da equipe do Guia da Semana.

Pecado Gastronômico: uma boa massa e, é claro, chocolate!

Melhor Lugar do Brasil: minha casa, na pequena cidade de Serrania, sul de Minas Gerais (também não dispenso uma boa praia!).

Para Falar com ela: maraisabf@yahoo.com.br ou acesse seu blog

Atualizado em 6 Set 2011.

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