Guia da Semana

Entrevista Aparecida Petrovick

A peça discute de forma poética o tema da adoção de crianças no Brasil e traz no elenco a atriz Aparecida Petrowky

Por Marcus Oliveira

O drama de uma mulher que descobre que não pode ser mãe, devido uma impossibilidade do marido, em contraponto a uma jovem de 15 anos, que se vê sozinha e a espera de um bebê, dão fôlego ao espetáculo Meu Filho Sem Nome. A peça está em cartaz no Teatro Brigadeiro, com texto de Izilda Simões e direção de Marcelo Romagnoli (ganhador do APCA - Melhor Direção e Femsa - Autor de Texto Original em 2010 com o espetáculo jovem Espoleta) e aborda o tema adoção por dois ângulos opostos. 

Uma mistura de ficção e realidade, a autora viveu na pele a situação e inova ao levar aos palcos sua experiência. Izilda resgata as razões da mãe biológica, ao abandonar seu filho, e buscar criar no imaginário do público a possibilidade de a criança ter sido amada por quem a gerou, apesar do abandono. Em contrapartida, revela uma realidade difícil para uma mulher que pretende adotar o pequeno.

Vida real

Para dar vida aos personagens, o elenco foi escolhido a dedo. Totalmente familiarizada com o tema, a atriz Aparecida Petrowky interpreta a mãe adotiva Cida e divide as cenas com Christiane Brasil. A peça foi a estreia de Aparecida nos palcos paulistas. A atriz é filha adotiva e conviveu com as duas mães até o falecimento da mãe adotiva, Vera, quando tinha 15 anos. A partir daí, passou a ajudar a família biológica, formada por mais cinco irmãos.

Entre idas e vindas, a jovem descobriu o teatro por um acaso, depois de sofrer um bloqueio durante uma apresentação de trabalho, e de lá para cá não largou mais. Formada, continuou trabalhando na área médica e chegou a atender celebridades como Ricardo Mansur, Letícia Birkheuer, Felipe Camargo, entre outras. O teatro passou de um simples hobby e Aparecida foi se aprimorando. Até que foi parar na novela das nove e viu sua vida se transformar.

Confira uma entrevista exclusiva com a atriz, que fala sobre as mudanças em sua vida e as expectativas para a estreia na capital paulista, além de criticar a atual situação da adoção no país e o excesso de invasões ao seu relacionamento com o cantor Felipe Dylon. Veja!

Guia da Semana: Como foi convidada para o papel de Cida?


Aparecida: Fui convidada logo depois da novela. O Daniel Pereira (produtor) me viu e disse que tinha que ser eu. A autora, analisando meu currículo, viu que sou filha adotiva e acreditou que eu poderia me identificar mais. Tive cerca de quatro semanas para ensaiar. É tudo um desafio, por ser também uma história real, de personagens que estão vivos, e ainda por cima, é a própria autora. Interpretar uma pessoa que existe e ainda na história escrita por ela requer um trabalho maior.

Guia da Semana: E como foi a preparação?


Aparecida: Fiz laboratório em abrigos de São Paulo para ver como acontece essa coisa do abandono. Existem muitos casos relacionados a drogas, violência doméstica. O tema principal é família. Na peça isso é bem marcante. Falamos da questão da mãe biológica e o lado de quem vai adotar. Aborda uma dificuldade no processo de adoção, que foi na verdade o que aconteceu com a autora.

Guia da Semana: Na sua opinião, o que leva uma mulher a abrir mão de um filho?


Aparecida: Acredito que seja a falta de apoio para esse momento tão difícil. Principalmente da família. A peça abriu a minha mente. Não importa a classe social, status, percebi que está havendo uma falência familiar. Inclusive, entre pessoas famosas, amigos próximos. Mesmo entre tanta gente, fama, elas se veem sozinhas e acabam recorrendo a outros meios para suprirem a carência. De forma geral é a base familiar que está se perdendo.

Guia da Semana: O fato de você ser filha adotiva aproximou mais ainda você da peça?


Aparecida: Eu não vivenciei um abandono. Quem viveu mais esse contexto foram as minhas mães. Eu consigo imaginar o que a minha mãe adotiva passou com o processo de adoção. A diferença é que as duas eram próximas e o amor era igual. Eu convivi com elas e com as duas famílias.

Guia da Semana: O que há de diferente na sua vida por ter duas famílias?


Aparecida: A Vera era de uma família com boa condição financeira, mas sempre me fez responsável pelas minhas decisões. Sabe aquela coisa de quando a criança cai e você a deixa se virar sozinha? Depois que ela faleceu tive que ser mais determinada ainda. Tinha aquela culpa de ter que manter a minha família biológica. Eles são de origem humilde. Sempre levei presentes para meus irmãos, ajudava, tinha essa responsabilidade.

Guia da Semana: Na sua opinião, a adoção no Brasil é algo acessível?


Aparecida: Morei em Londres por dois anos e acho que aqui adoção ainda é algo muito distante. Lá, muitas amigas minhas eram adotadas. Aqui existe uma coisa de sangue, regional. Ninguém quer adotar uma criança de uma outra região. É tudo muito preso às raízes, ao local onde mora. E isso torna as coisas mais difíceis.

Guia da Semana: Acredita que no teatro um ator tem mais possibilidade de se mostra ao público?


Aparecida: Gosto de estar no palco, porque acredito que nele você se exercita. Adorei fazer minha primeira novela. Achei a TV muito intimista. É possível passar as emoções mais ocultas, já no palco, precisa ser algo maior. Acho que me identifiquei muito com esse trabalho. Hoje em dia minha praia é a TV.

Guia da Semana: Você tem sido bastante fotografada por conta de seu relacionamento com o Felipe Dylon. Até que ponto a vida pessoal influencia em sua carreira?


Aparecida: Sinceramente, acho que atrapalha muito. O que se passa na minha vida pessoal pertence a mim. E saem várias fotos, por exemplo, fora de contexto, com textos, que muitas vezes, não condizem com a verdade. E fico muito assustada com isso. Minha defesa é me voltar para mim mesma. Não fico falando da minha vida o tempo todo. Até falo algumas coisas, mas isso não me agrada nem um pouco.

Saiba mais: Meu Filho Sem Nome

Atualizado em 10 Abr 2012.

Por Marcus Oliveira
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