Guia da Semana

Entrevista com Ana Botafogo

Ao completar 35 anos de carreira, renomada bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro afirma: “Sou quase uma escrava dessa dança”

Completando 35 anos de carreira, a bailarina Ana Botafogo é uma das maiores referências quando se fala em balé no Brasil. Primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a dançarina faz turnê nacional com o espetáculo Marguerite e Armand, versão de A Dama das Camélias.

A turnê que marca os festejos chega a São Paulo, dias 24 e 25, no Teatro Alfa, e, em seguida, encontra seu lar definitivo, no Rio Janeiro, nos dias 1 e 2 de outubro, no Theatro Municipal.

Confira a entrevista que Ana Botafogo concedu ao Guia da Semana. 

Guia da Semana – Como estão os preparativos para as apresentações em São Paulo e no Rio de Janeiro?

Ana Botafogo – Já estreamos em Curitiba, mas os preparativos estão intensos. O começo foi meio tenso, pois a produção tem cenários e figurinos de um artista inglês, mas foram todos confeccionados no Teatro Colón, da Argentina, logo queríamos saber se tudo ia funcionar direito aqui. Mas como já estreamos e foi tudo bem, deu uma alivio, já que essas eram nossa principais preocupações.

A expectativa agora é outra: se o publico vem, se o público vai curtir... É um espetáculo baseado na Dama das Camélias. Foi feito para duplas e só agora, quarenta anos depois de sua origem, estou repetindo esta façanha. É um lindo balé que conta de maneira concisa toda a história da Dama das Camélias.

Guia da Semana – Você tem alguma particularidade com esse espetáculo? Por que escolheu esse balé para a comemoração?

Ana Botafogo – Acho que o principal motivo foi porque eu nunca tinha feito ele. No próprio Theatro Municipal ele nunca foi interpretado, logo, achei esta uma boa oportunidade. É um personagem para uma mulher mais madura, feita para uma balarina mais carimbada... Requer uma interpretação bem dramática, além da coreografia.

Guia da Semana – Quantas horas de ensaio foram precisos para compor o espetáculo?

Ana Botafogo – A gente sempre fazia uma hora e meia de aula, que é nosso preparo técnico e depois pelo menos três horas de trabalho diário. Tudo isso durante três meses.

Tudo esse ensaio é bem necessário, porque primeiro a gente aprende uma coreografia ai precisamos trabalhá-la para que ela pareça natural e as pessoas acreditem realmente na história que eu vou contar. 

Guia da Semana – E como foi o trabalho com o Federico Fernández?

Ana Botafogo – Ele é uma gracinha, um bailarino do Teatro Colon. Nós tivemos um tempo de entrosamento. Primeiro três dias em junho aqui, depois fui para Buenos Aires para mais três dias. Ai ele chegou aqui uma semana antes da primeira apresentação para fazermos um entrosamento final. Ele não só um é um bailarino, como um bom ator. Então, tivemos um entrosamento muito bom e eu adorei dançar com ele.

Guia da Semana – Nos seus 35 anos de carreira você acha que houve alguma mudança na visibilidade dos espetáculos de dança?

Ana Botafogo – Eu acho que aumentou a dificuldade na hora de conseguir um patrocínio. Se bem que sempre foi muito difícil essa parte de produzir dança, ainda mais o balé clássico, por termos muitos cenários e figurinos de época em cena.

Guia da Semana – E a procura do público? Aumentou?

Ana Botafogo – Ah isso sim. Hoje nós temos um público para balé muito grande, mas tudo isso aconteceu pouco a pouco, através de referências, popularização da dança. Eu sempre lutei para popularizar o balé. Dancei muito ao ar livre na praias do Rio de Janeiro, para tentar levar esse público a entrar dentro do Theatro Municipal. Eu acho que hoje nós conseguimos um público bastante fiel.

Guia da Semana – Qual foi a principal dificuldade em se manter por 30 anos como a primeira bailarina principal do Theatro Municipal?

Ana Botafogo – Acho que a principal dificuldade é se manter em forma. Minha carreira foi tão longa só porque a vida toda eu me mantive em forma, fazendo aulas diárias.Além de tudo isso eu sempre tive muitos espetáculo para fazer, o que me botava em forma.

Não é fácil, sou quase uma escrava dessa dança. Escrava de me manter em forma. Hoje em dia meu desgaste, meu empenho é o mesmo de quando tinha 18 anos de idade. É muita determinação a arte. Como nos trabalhamos com físico tudo isso tem que ser trabalhado e fortalecido.

Guia da Semana – Você teve experiência em novelas. Pretende investir na carreira de atriz?

Ana Botafogo – No momento não tenho nada planejado. Me perguntam muito sobre isso. Eu adoraria fazer outra novela ou estar atuando. Não é ainda minha praia porque eu sou essencialmente uma bailarina clássica, mas eu acho que eu poderia fazer.

Mas no momento minha prioridade é a dança. Posso ser uma atriz de 80 anos, mas não posso ser uma bailarina de 80 anos. Então estou aproveitando enquanto estou em forma. Este é meu momento de dançar, estou deixando essa coisa de ser atriz para frente.

Guia da Semana – Você pensa em parar de dançar? Alguma previsão?

Ana Botafogo – Esta é uma pergunta que eu respondo muito e por muito tempo eu sempre disse que nunca pensava em parar de dançar. Agora com uma carreira muito consolidada, me vejo na maturidade da minha interpretações.

Eu penso sim em parar, mas não tenho nada planejado, mas é uma coisa que eu já penso e vai chegar naturalmente. Só queria que o dia que eu fosse deixar, eu deixasse de dançar dançando bem e feliz. Acho que vai ser uma passagem natural uma vez que eu me sinto bastante feliz pela vida profissional que eu já tive. Lembro de meus espetáculos e acho que tive uma carreira bastante desafios de intertpreação e isso já me deixa bastante contente.

Atualizado em 10 Abr 2012.

Por Marcus Oliveira
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