Guia da Semana

Escritora de outro mundo

Zibia Gasparetto completa 82 anos, lança livro com relatos de casos sem explicação e tem projetos para o cinema

Gabriel Oliveira
Zibia Gasparetto completa 82 anos.
Muitos acreditam, outros acham que ela não passa de uma grande charlatã. O fato é que a autora Zibia Gasparetto, que completou 82 anos no último 29 de julho, já lançou 30 títulos, sendo 29 psicografados (capacidade atribuída aos médiuns de escrever mensagens ditadas por Espíritos), e um de autoria própria. Ao todo as obras venderam 9,2 milhões de exemplares.

Nascida em Campinas, interior de São Paulo, Zibia aprendeu a ler aos quatro anos de idade, mas não estudou além do quarto ano do antigo ensino primário. O seu primeiro contato com o mundo espiritual foi aos 22 anos, quando se interessou pela doutrina de Allan Kardec (pseudônimo do pedagogo e escritor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, que codificou a Doutrina Espírita) e passou a freqüentar as reuniões da Federação Espírita de São Paulo, onde, por 25 anos, ministrou cursos na Escola de Médiuns.

Zibia participava como médium de incorporação, psicografava contos, mensagens de orientação e histórias e, algumas vezes, chegou a usar o dom da xenoglossia (faculdade de falar ou escrever línguas estranhas). O primeiro livro psicografado foi O Amor Venceu, ditado pelo espírito Lucius, levou mais de cinco anos para ser escrito.

Mesmo depois de mais de 50 anos de carreira, o ritmo de trabalho não diminui. A médium prepara-se para lançar Eles Continuam Entre Nós, o segundo de autoria própria. O novo trabalho traz histórias reais narradas pelos próprios leitores sobre a interferência dos espíritos em acontecimentos que não podem ser explicados pela lógica materialista. Além disso, a escritora trabalha na Editora e Gráfica Vida e Consciência, fundada em 1989, que administra junto com os filhos.

Também está em anda mento o projeto de transformar o livro Ninguém é de Ninguém em filme. As gravações estão previstas para o final de abril de 2009 com direção de Breno Silveira. Zibia contou todos os detalhes na entrevista que deu para o Guia da Semana.

Gabriel Oliveira
Guia da Semana: Como foi a primeira experiência com espíritos?
Zibia Gasparetto: Uma noite, meu marido Aldo acordou e me surpreendeu andando com passos firmes pela casa e proferindo, com voz grave, frases em alemão, idioma que nunca estudei. Assustado, Aldo pediu ajuda a uma vizinha que o acalmou e esclareceu que se tratava de um espírito. A partir de então, comecei a estudar Allan Kardec e freqüentar as reuniões da Federação Espírita de São Paulo.

GDS: Como funciona a psicografia, você tem contato freqüente com os espíritos?
ZG: Meu braço doía e a mão mexia contra a minha vontade. Quando papéis eram colocados à minha frente eu escrevia rapidamente. Foi assim que os romances começaram a fluir. Hoje, escrevo no computador e três tardes são reservadas para a psicografia dos livros, segunda, terça e quarta. Estou produzindo três diferentes obras no momento. É preciso ter muita disciplina na mediunidade. Mas os espíritos não interferem na minha vida.

GDS: Isso nunca te assustou?
ZG: Nunca. Se eu sinto que é um espírito com uma energia negativa, procuro logo afastar ele de mim. Os outros espíritos me trazem paz.

GDS: Porque você acha que as pessoas lêem tanto os seus livros?
ZG: Os leitores sentem na alma porque as histórias são contadas por espíritos. As partes das histórias que mexem com as pessoas me emocionam também. Quando estou psicografando parece que sinto as emoções e as angústias dos personagens: choro, sofro e, também, sorrio com eles. Com o público não acontece diferente. Os espíritos sabem como fazer esta ligação com a nossa alma.

GDS: As pessoas acreditam em vida após a morte?
ZG: Acreditar na vida após a morte do corpo físico é uma questão de vivência, mas a maioria só busca esse esclarecimento quando perde alguém da família ou quando passa por uma situação de dor. Só a certeza de que você é eterno, de que tudo no Universo é perfeito e que a vida responde de acordo com o que você lhe dá permitirá a descoberta das verdadeiras causas dos acontecimentos e modificará o seu modo de ver e de fazer suas escolhas.

GDS: Quais as mensagens de seus livros?
ZG: As mensagens fazem com que os leitores compreendam que eles têm o poder de mudar as próprias vidas, modificando sua maneira de pensar. Algumas pessoas aprendem mais rapidamente do que outras. Mas, para todas, existe a possibilidade de crescimento espiritual.

GDS: Qual a sua relação com o espírito Lucius?
ZG: Suas energias são prazerosas e quando ele se aproxima, meu pensamento torna-se claro, lúcido. Nos primeiros tempos em que trabalhamos juntos, ele costuma andar comigo e, conforme o lugar, as cenas que eu presenciava me orientavam, fazendo-me ir mais fundo nas observações. Agora, na maioria das vezes, apenas sinto a sua presença e ouço a sua voz, ditando as palavras do texto que eu digito no computador.

GDS: Você interfere nos romances e histórias ditadas pelos espíritos?
ZG: Não, de jeito nenhum. Eu nunca sei para onde segue a história. É sempre uma surpresa. Aliás, eu só sei quem é o autor ao final do trabalho, quando o espírito assina a sua obra.

GDS: O que você acha do seu filho (Luiz Gasparetto) recebendo mensagens em rede nacional?
ZG: Pra mim foi normal, mas eu não imaginava que ele tivesse tanta sensibilidade. O Luiz não agüenta que toquem nele, isso machuca.

GDS: Você acredita que a mediunidade é hereditária?
ZG: Não, é uma questão de afinidade. Isso é conhecimento de outras vidas, é um dom. Da mesma forma que algumas pessoas têm dom para música outras tem para mediunidade.

GDS: Algumas pessoas te criticam por cobrar pelos livros. Qual sua opinião sobre o assunto?
ZG: Fundamos uma empresa séria e sólida, que paga todos os impostos e emprega 200 pessoas. O Luiz e eu, desde o início, não recebemos os direitos autorais para que o dinheiro seja reinvestido na editora e permita que outros autores também possam publicar os seus livros. Acredito que tenhamos recebido tanta ajuda do plano espiritual para manter a nossa editora porque a nossa missão é disseminar as mensagens transmitidas pelos espíritos ou que contribuam para tornar as pessoas melhores. Publicar um livro não é fácil. Há muitos autores que fazem uma verdadeira peregrinação pelas editoras sem conseguir publicar suas obras. Nós oferecemos esta oportunidade a todos os que tenham uma boa história para contar ou que o texto auxilie na compreensão da vida.

GDS: A senhora está com 82 anos, por que continua escrevendo?
ZG: Por ter sido tão beneficiada pela crença na espiritualidade é que continuo escrevendo, inspirada pelos espíritos desencarnados ou relatando minhas próprias experiências. Esta é uma forma de agradecer a vida todo o bem que esse conhecimento me trouxe.

Atualizado em 6 Set 2011.

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