Guia da Semana

Final feliz

Los Hermanos deixam o cenário musical brasileiro, mas seus herdeiros prometem manter a fórmula que consagrou o quarteto carioca



Levados ao estrelato pelo abismal sucesso de Ana Júlia, os Los Hermanos caíram no esquecimento após o lançamento do primeiro álbum. Seguido de perto apenas pelos fãs mais ortodoxos, o grupo apostou em uma mudança de postura nos trabalhos seguintes. Bloco do Eu Sozinho, Ventura e Quatro não conquistaram apenas um público mais jovem, como também os ouvidos de uma geração saudosa de uma boa simbiose entre rock nacional e MPB. Assim, capitaneados por Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, a banda traçou um caminho paralelo ao dos principais nomes do cenário pop, demasiadamente expostos na mídia.

A legião de fãs que acompanhou os últimos anos de carreira do quarteto primava por uma dedicação irrestrita. Era comum o público encobrir a própria banda, ao cantar a plenos pulmões todas as canções, do primeiro ao último verso. Adornado por uma chuva de confetes e serpentinas, trazidos a tiracolo pelos mais fanáticos, o refrão de Todo Carnaval Tem Seu Fim era o ápice dos concertos, que ainda tinham cata-ventos empunhados pela platéia durante O Vento.

Embora incensados pela grande maioria da imprensa, a banda não cultivava uma relação das mais amistosas com a mídia. Entrevistas reticentes se tornaram uma constante na carreira dos cariocas, que demonstravam pouca paciência com jornalistas. Ainda assim, deram as caras em uma boa dúzia de programas de televisão, dos mais populares aos menos conhecidos, sem deixar, entretanto, aquele ar blasé de lado.

Ministrando doses cada vez maiores de MPB e samba em seu repertório, os Los Hermanos acabaram despertando elogios do cantor e compositor Chico Buarque. Daí para frente, diversas parcerias foram travadas, como a de Marcelo Camelo e Maria Rita, que interpretou algumas de suas canções, assim como fez Mariana Aydar, ao escolher Deixa o Verão para seu novo álbum, Kavita 1. Com o hiato proposto por seus integrantes, a tendência é que cada um dê mais espaço aos projetos paralelos, como faz Rodrigo Amarante, membro da Orquestra Imperial .

Os pernambucanos do Mombojó


Se muitos fãs e admiradores se sentem órfãos de representantes a altura dos cariocas, a solução pode ser encontrada no cenário alternativo, para onde certamente migrarão os novos deserdados da música brasileira. Com dois álbuns na bagagem, Nada de Novo (2004) e Homem-Espuma (2006), os pernambucanos no Mombojó têm chamado a atenção de público e mídia ao erigir um som cabeça, com elementos de MPB, samba e ritmos regionais. A presença de metais em suas canções remete ao belo naipe que incrementava o repertório dos Los Hermanos.

Outra banda apontada por alguns críticos que tem capacidade para absorver ao menos uma pequena parcela dos seguidores de Marcelo Camelo & cia é o Ludov. Apesar de caminhar por uma praia mais pop e investir em fórmulas adocicadas, o quarteto paulista pode atrair alguns dos fãs mais carentes de uma levada suave.

Gram: final prematuro
A despeito de recusar qualquer paralelo com a música dos Los Hermanos - algo em que a imprensa insistiu por muito tempo - o Gram era uma banda com potencial de ocupar algumas lacunas deixadas pelos cariocas. Infelizmente a promessa ficou pelo caminho quando há poucas semanas o grupo encerrou as atividades. Os álbuns Gram e Seu Minuto, Meu Segundo revelavam um grupo maduro, consciente da capacidade musical de cada um de seus integrantes. Com o sucesso de Você Pode Ir Na Janela, a banda abriu as portas das rádios, gravou um DVD bancado pelo MTV, assinou com uma grande gravadora e abriu os últimos shows do trio Placebo, em São Paulo. A saída do vocalista Sérgio Filho decretou o fim prematuro de uma grata revelação.

Atualizado em 6 Set 2011.

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