Guia da Semana

Guimarães Rosa: 100 anos de história

Em 27 de junho comemora-se o centenário do escritor mineiro

Divulgação

Em tempos de narrativas a serviço do realismo barato, nas quais predominam os temas da violência, morte e tráfico de drogas, é pertinente celebrar o centenário do mais inventivo autor da prosa brasileira: Guimarães Rosa. Com seu exímio talento e erudição, o mineiro de Cordisburgo fez do sertão o mundo e das palavras, encantamento.

A ficção de Guimarães Rosa tem como cenário o sertão mineiro. Entre buritis, pássaros e bois, os sertanejos vivem dilemas existenciais e experiências poéticas comuns a todo ser humano. Essa perspectiva faz transcender o mero regionalismo e torna-o universal, o que os críticos intitularam de regionalismo universalizante. "A cenerização é tipicamente brasileira, mas tem as grandes questões que acometem o homem desde sempre, sobretudo o mistério do amor e da morte", comenta Welington Andrade, doutor e professor universitário.

Médico de formação, escritor por vocação, Guimarães era um profundo estudioso de línguas. Falava fluentemente oito idiomas e conhecia a gramática de dezenas de outros. Toda essa erudição aliada à inventividade resultou em novas palavras, os neologismos. "Foi o escritor brasileiro que mais cunhou palavras novas para o português na sua literatura", afirma Welington.

Penetrar no universo da Guimarães Rosa não é uma tarefa das mais simples. O próprio autor chamava sua prosa de "pedregosa". Além dos neologismos, há a predominância de consoantes, o que afasta sua obra do padrão convencional do português, marcado por vogais. Trata-se de uma alfabetização em sua literatura. O leitor habitua-se àquela escrita particular e desvenda os sentidos ocultos em cada sentença.

Gabriel Oliveira
Welington Andrade: "Mais do que qualquer outro autor brasileiro, ele dialoga de igual para igual com os grandes autores da humanidade."


No Vestibular

Obras do escritor estão presentes nas listas obrigatórias de alguns dos grandes vestibulares do Brasil. É o caso de Sagarana, primeiro livro do autor, exigido nos vestibulares da Fuvest e Unicamp. Há vestibulandos que sentem certa estranheza inicial ao texto do autor, característica que pode ceder lugar à repulsão ou à veneração.

A vestibulanda Paula Ramirez é admiradora do estilo de Guimarães : "Eu gostei da linguagem dele, do jeito que ele trabalha, do jogo de palavras. Eu acho legal as coisas que ele escreve por causa disso, por causa dessa criatividade. A preocupação estética da linguagem".

Para aqueles que desejam aventurar-se pela primeira vez na literatura de Guimarães Rosa, o professor Welington recomenda inciar por Sagarana. "É o mais fácil, o mais compreensível". Porém, adverte para o fato de que nem tudo que está no texto é passível de entendimento imediato. "A armadilha do Guimarães é acreditar que tudo ali é compreensível, tudo ali está dicionarizado, não está. Grande parte das palavras também é inventada e aí é um jogo mais interessante ainda."


"Gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser um crocodilo porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma de um homem. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranqüilos e escuros como o sofrimento dos homens."


Obras do autor

Sagarana (1946), contos e novelas.

Com o vaqueiro Mariano (1947)

Corpo de Baile (1956), novelas.

Grande Sertão: Veredas (1956), romance.

Primeiras estórias (1962), contos.

Tutaméia:Terceiras estórias (1967), contos.

Estas estórias (1969), contos. Obra póstuma.

Ave, palavra (1970) diversos. Obra póstuma.




Atualizado em 6 Set 2011.

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