Guia da Semana

História e relação

Colunista escreve a respeito da maneira como o documentário sobre os Titãs abordou a história da banda

Foto: Arquivo Pessoal


Com as bandas que você gosta, há uma relação histórica que complementa as emoções, digamos, mais etéreas, vinculadas às canções que lhe tocam profundamente. Exemplo clássico: se o ser amado te apresentou uma banda, é bem capaz que você recorde detalhes daquele momento, como a roupa que vestia, onde estavam ou até um cheiro qualquer. Lembro de algumas boas histórias dos CDs e DVDs da minha coleção e gosto dessa sinergia.

 

Quando soube que seria lançado um documentário sobre os Titãs, logo pensei na minha "relação" com eles, desde os tempos de Colégio Equipe, dos ensaios na sala de aula, passando pela amizade com o Fábio, irmão do Sérgio Britto, e pelos casamentos de duas amigas com músicos da banda, indo até o fim de 2008, quando passei o réveillon numa casa que pertenceu ao Marcelo Fromer, o mesmo Fromer com quem trabalhei em 94 num projeto da MTV. Enfim, ligações suficientes para querer assistir ao documentário no cinema, com todo o ritual em volta.

 

Titãs, a vida até parece uma festa não tem um narrador formal, aliás, tem oito olhares informais, já que é praticamente montado com registros "caseiros", a câmera rodando - em alguns momentos, literalmente - pelas mãos dos músicos. Tem o experimentalismo teatral gravado no Lira Paulistana, as discussões filosóficas sobre letras de músicas e muita zoeira juvenil sob efeito de psicotrópicos.

 

Talvez por ser co-dirigido por Branco Mello (o outro diretor é Oscar Rodrigues Alves), não é daqueles documentários polêmicos, que mostram as crises entre os integrantes. Muito pelo contrário, é bastante democrático (como os Titãs pareciam mesmo ser), dando espaço a todos os músicos, mesmo quando alguns já haviam deixado a banda. O fato de, no filme, a cronologia não ter muita importância - vamos e voltamos no tempo, seja pela edição temática, seja por meio dos "clipes" montados com trechos de diversas fases da banda - também ajuda.

 

Apesar de revelar pouco da vida particular deles (exceção feita durante o "clipe" da música Família, quando aparecem algumas cenas das mulheres e filhos de cada membro), não falta o foco profissional, com cenas históricas, como apresentações no Chacrinha, Barros de Alencar, Gugu (surreal), Faustão, no Especial do Roberto Carlos, com Sepultura no Rock in Rio (de arrepiar) e abrindo para os Rolling Stones. É um portfólio bem considerável.

 

Como era de se esperar, o ápice do documentário é a trágica morte de Marcelo Fromer. Fiquei imaginando como isso seria mostrado e, para meu alívio, apesar de emocionante, a pieguice foi deixada de lado. No geral, durante o filme, prevaleceu a parte festa do título.

Minha Titãmania se esgotou há 23 anos, com o Cabeça Dinossauro, mas assistir a vida até parece uma festa foi como ver parte da minha própria história impressa na tela. Mais uma ótima lembrança que vou guardar com carinho.

 

PS: A ilustração acima é a folha de contato das fotos que fiz no show do Projeto SP, em 86, show também registrado no filme.

Leia colunas anteriores de Ronaldo Miranda:

 

Em 2008...

Um presente para a música

Uma luz no Meio do Túnel


Quem é o colunista: Se alguém souber, me conte.

O que faz: Diretor de arte com um iPod na mão e mil idéias na cabeça.

Pecado gastronômico: Este mês, comida mexicana

Melhor lugar do Brasil: Toque Grande

O que ele ouve no carro, em casa e no IPod: Daisy Chainsaw.

Fale com ele: blog@ronaldomiranda.com.br ou acesse seu blog

Atualizado em 6 Set 2011.

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