Guia da Semana

La Plata, de J. Quest

Produzido pelos próprios integrantes, disco mostra a nova identidade da banda

Foto: Weber Pádua/divulgação
Do samba ao soul, Jota Quest mistura ritmos e influências em novo CD


Há doze anos o J. Quest lançava seu primeiro CD, de título homônimo, que revelaria ao público sucessos como As Dores do Mundo e Encontrar Alguém. Era apenas o começo da trajetória da banda mineira, que se acostumaria a ver suas músicas se tornarem hits. Após três anos do lançamento do último disco, Até Onde Vai, o grupo formado por Rogério Flausino (vocal), Marco Túlio (guitarra), PJ (baixo), Paulinho Fonseca (bateria) e Márcio Buzelin (teclado) acaba de apresentar seu último grande projeto: o CD La Plata .

Hoje a banda é referência no cenário pop-rock nacional e parece muito à vontade com o novo trabalho. E não é por acaso. O disco foi gravado em Belo Horizonte, terra natal do grupo, no estúdio "Minério de Ferro"(propriedade dos integrantes). Ao lado de Liminha, o Jota Quest assina a produção do álbum e todas as suas composições, mostrando uma nova fase de amadurecimento e autonomia.

Entre as participações especiais, nomes como Ashley Slater, um dos criadores da banda inglesa Freak Power, e Nelson Motta, que assina os versos da canção Ladeira.

O álbum traz ainda a dupla paulistana Click Box, responsável pelas programações eletrônicas das canções. Bom de papo, o baterista Paulinho Fonseca, contou para o Guia da Semana como essa mistura de gêneros e estilos alcançou uma unidade, além do sentimento geral da banda sobre um bom momento, quando tudo parece estar dando certo.

Guia da Semana: Como tem sido a turnê do novo trabalho?
Paulinho: O sentimento que prevalece é o de que está dando certo. Esse trabalho foi lançado no dia 31 de outubro e demorou muito para ficar pronto. Foi um tempo precioso para que pudéssemos produzir com toda a calma, acertando cada detalhe. Sempre que um álbum é lançado fica aquela dúvida de algo que poderia ser mudado. Esse ficou pronto, de fato. Algumas coisas ainda estão em andamento, como o cenário, e esses tipos de detalhe. Mas estamos satisfeitos e confiantes. Principalmente pela reação do público. Quando estamos no estúdio, tudo é muito frio. O público é que dá o verdadeiro feeling. Temos tocado cinco ou seis músicas novas no show e a receptividade tem sido ótima, principalmente da canção "So Special", que a galera adora.

Guia da Semana: O que inspirou o nome La Plata?
Paulinho: A própria música. E não podia ser outra. Ela é a que mais traduz a identidade da banda neste momento. O Rogério ouviu aquele groove e foi remetido a algo "chicano", um clima meio "portunhol", e já tinha a letra ideal. O Marco Túlio também já tinha a guitarra e portanto, tornar a La Plata como música de trabalho foi um consenso geral. Essa música pretende questionar a relação das pessoas com o dinheiro, essa pergunta que não quer calar, o "quanto vale". Mal sabíamos que o lançamento da música coincidiria com uma crise mundial envolvendo "a plata", se estivéssemos premeditado não teria dado tão certo (risos).

Guia da Semana: O último lançamento da banda foi há três anos, com Até Onde vai. Esse intervalo é calculado?
Paulinho: Um intervalo de um ano e meio, dois anos, é natural. Esse foi um pouco maior por conta do lançamento do DVD Até Onde Vai, que acabou dando uma sobrevida maior a esse trabalho. O ideal é que seja mais rápido. Mas esse tempo foi positivo para nós.

Guia da Semana: É a primeira vez que gravam em estúdio próprio?
Paulinho: Nós temos um estúdio desde o CD Oxigênio. Mas o encarávamos como um estúdio-ensaio. Aproveitávamos no máximo, para fazer alguma gravação ou discotecagem. Na parte final do trabalho, sempre levávamos tudo para outro lugar. Achávamos que não éramos alto-suficientes nesse sentido. Essa locomoção com o trabalho causava dispersão. Dessa vez resolvemos ir até o fim no nosso estúdio.

Guia da Semana: No que isso influencia no resultado do trabalho? Existe mais espontaneidade?
Paulinho:Com certeza. Além de tudo, nós também produzimos esse álbum. O Liminha participou, deu o aval final, com a história toda já encaminhada. Mas nós trabalhamos muito bem juntos e somos inclusive, amigos pessoais. Graças a Deus o Jota Quest tem total autonomia sobre seu trabalho hoje.

Guia da Semana: Depois de doze anos, como você define a fase em que a banda se encontra?
Paulinho:: Um recomeço. Ou melhor, o começo! Com toda aquela empolgação inicial, aquele monte de expectativas. As coisas mudam muito, e as mudanças dão essa sensação do "novo". Parece que nos apaixonamos de novo (risos).

Guia da Semana: As influências da banda mudaram com o tempo?
Paulinho: Somos cinco caras. Cinco influências diferentes. Tem uma coisa que deixa isso claro. Começamos a colocar um som no camarim, aí cada um leva o que tem escutado. É bem eclético, cada um curte uma coisa é muito legal conhecer o que o outro descobre. Ligamos um sonzinho porque a gente brigava muito! (risos)

Guia da Semana: Vocês percebem uma mudança de público, com o amadurecimento da banda? Ou ele se mantém-se fiel?
Paulinho: A maior parte do nosso público são os jovens. Mas tem de tudo. O som do Jota Quest agrada várias idades e classes sociais. É para todo mundo. O público é renovado, mas no geral, a galerinha mais nova predomina. É muito legal isso, pois vamos amadurecendo e ao mesmo tempo atraindo a moçada pros shows. E nós aprendemos muito com eles. Olhamos aquela garotada e pensamos "Nossa, como é diferente da minha época!"

Guia da Semana: Como manter o mesmo sucesso diante do recuo do mercado fonográfico e facilidades da Internet?
Paulinho: A gente precisa se adaptar. Aprender a ter essas facilidades como aliadas. Pode ser que o La Plata seja o último CD que lancemos. Talvez criemos outras maneiras de interagir com o público. Não é fácil, mas é positivo. O feedback de um trabalho postado na web é muito mais rápido. Nós precisamos correr atrás do tempo perdido.As bandas independentes, por exemplo, estão muito adiantadas nesse sentido, usam muito melhor essas ferramentas.

Guia da Semana: Por que Ladeira é considerada a canção mais "brazuca" do novo álbum? Hoje em dia o soul, o groove e o funk também não podem ser considerados "brazucas"?
Paulinho: Com certeza. Hoje em dia é mais difícil mesmo fazer essa distinção. Ladeira tem uma levada de sambinha, mas hoje temos grandes referências de outros ritmos no Brasil. Uma vez, o Ashley Slater (da banda Freak Power) foi DJ numa festa e misturou batidas de house com samba. Eu nunca havia ouvido nada parecido! Tá vendo, foi um gringo que me apresentou um som cheio de brasilidade.

Guia da Semana:Como você vê a estrutura de banda gringa que o Jota Quest possui hoje? Como vocês encaram isso, tendo em vista o começo da carreira e a dificuldade de chegar a esse patamar?
Paulinho: É bacana olhar para tudo o que conquistamos, o estúdio... Eu não imaginava nem que poderia comprar um pedal de qualidade, que dirá contar com toda infra, equipe e tudo mais que temos hoje. Mas isso é resultado de anos de batalha. Por isso zelamos por tudo o que temos, cuidamos de tudo, interferimos em todos os processos do nosso trabalho.

Guia da Semana:O uso de elementos eletrônicos é uma tendência que vocês passarão a adotar?
Paulinho: Nós sempre brincamos com isso. Esses elementos estão presentes em todos os nossos álbuns. A diferença é que dessa vez fizemos tudo com calma, com mais tempo. Então dá para perceber melhor. Nos outros CDs, a discotecagem ficou um pouco baixa. Se eu pudesse, mixava tudo de novo. É muito bom colocar o trabalho de um DJ no álbum. Ele tem uma visão que nós da banda não temos. São trabalhos complementares.

Atualizado em 6 Set 2011.

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