Guia da Semana

Laquê tupiniquim

Com direção de Miguel Falabella, Hairspray aborda temas polêmicos no palco e surpreende pela megaprodução

Foto: Divulgação


100 perucas, 350 figurinos, 40 trocas de cenários, muito laquê e críticas sociais atreladas ao enredo. Isso e muito mais o público de São Paulo conferirá no musical Hairspray, que encerra sua temporada no Rio de Janeiro para dar vez à terra da garoa a partir dessa sexta, 19 de fevereiro. Inspirada no espetáculo original da Broadway e baseado no longa escrito e produzido pelo cineasta John Waters em 1988 - que teve remake em 2007 -, a mega produção brazuca é traduzida e dirigida por Miguel Falabella e conta com um elenco de 12 músicos e 31 atores . No casting nomes estelares como Edson Celulari e Arlete Salles, veteranos do gênero como Danielle Winits e Simone Gutierrez - no papel da protagonista Tracy Turnblad - e novatos como Jonatas Faro e Jennifer Nascimento.

Com uma temática forte, onde o preconceito é colocado em xeque, o espetáculo gira em torno da jovem Tracy que vive na cidade de Baltimore, em 1962. Apesar de seus 15 anos, a garota está à frente de seu tempo e se envolve em diversas confusões. Tudo começa quando Tracy conquista uma vaga para dançar no televisivo Corny Collins Show, seu programa de TV favorito. Por conta de sua forma física fora dos "padrões", a adolescente quebra barreiras e torna-se uma celebridade. Com isso, trava uma verdadeira guerra com a bela Amber Von Tussle, filha da produtora da atração, tanto pelo espaço no talkshow quanto pelo coração do galã Link Larkin.  

No mundo

A estreia da franquia mundial de Hairspray aconteceu na Broadway, em agosto de 2002, e rendeu bons frutos.  Até novembro de 2008, cerca de 2.500 apresentações já foram realizadas, passando por teatros de Toronto, Londres, Helsinki, Tóquio, Osaka e Joanesburgo. Como resultado disso, a montagem venceu oito Tony Awards, incluindo melhor musical, trilha sonora original, direção e figurino, arrebatou ainda sete prêmios Drama Desk, três Prêmios Outer Critics Circle, conquistou o Drama League e o Grammy Awards e foi considerado o melhor musical, segundo o tradicional grupo de críticos do New York Drama Critics Award. O sucesso rendeu uma nova roupagem ao longa, lançada em 2007, trazendo no elenco John Travolta, Michelle Pfeiffer, James Marsden, Queen Latifah, Zac Effron e Christopher Walken.

Aqui no Brasil, a versão para os palcos teve início no Rio de Janeiro onde por seis meses lotou o teatro Oi Casa Grande. Agora, entre perucas e pencas de figurino, desembarca em São Paulo, com expectativa do mesmo sucesso.  O diretor Miguel Falabella é um dos que mais espera uma boa receptividade na capital e afirma que foram necessários alguns ajustes para os palcos paulistas. "Foi preciso adaptar algumas coisas para as apresentações aqui em São Paulo, afinal o palco é bem maior. Mas a peça está muito boa. Ela é um chiclete de framboesa, pois é leve e gostosa de se ver", comenta.

Foto: Divulgação


Mãe

Falabella com Hairspray dá continuidade ao seu trabalho como tradutor e adaptador de musicais, repetindo o sucesso da montagem de Os Produtores, em 2007. Uma das grandes apostas para essa fórmula é o casting escolhido a dedo pelo diretor. E um dos principais nomes do elenco é o ator Edson Celulari. Famoso por seus papéis na TV, o marido de Cláudia Raia, veterana em musicais, recebeu o convite de Miguel por telefone para viver Edna, a mãe de Tracy, e se sentiu atraído pela nova experiência. "Ele me fez um convite indecente, como costuma dizer. Eu convivo com uma pessoa que faz musical frequentemente, minha mulher, e nunca havia recebido um convite. Quando surgiu pensei que não fosse dar conta, então dimensionei a proposta, pensei bem e topei", lembra.

Quanto ao papel - vivido na telona por John Travolta - o ator comenta ser um grande presente e ao mesmo tempo um desafio diário. "Esse personagem da Edna é sempre feito por um ator e que nunca participa de teatros musicais. Permite brincar, claro que com responsabilidade e disciplina de musical. É uma delícia e um grande desafio. Quando fico sem fazer sinto falta". 

Para compor a mãe da protagonista Tracy, Celulari assistiu montagens do espetáculo, mas não abriu mão de colocar seu estilo no papel. "Fui a Buenos Aires ver como eles faziam por lá. Minha intenção nunca foi fazer uma mãe caricata, mas sim uma mulher de verdade, por que ela também é uma das excluídas e é o mote principal da história também, além da filha. Ela está em casa há meses, não sai por vergonha do corpo, o peso acima, e é bacana ver a transformação dela durante a peça", ressalta.

Edson Celulari, apesar dos longos anos à frente de grande papéis na TV, também elogia a direção de Falabella. "O Miguel me deu o direcionamento e a dimensão certa para compor o personagem da Edna. Aprendi com ele a capacidade de estar inteiro no palco. Ele sempre fala isso pra gente: Quando se está inteiro no palco, a plateia está com você. Ele nos deu essa cordenada e nós seguimos isso com obediência e a plateia tem saído leve do espetáculo", comenta o ator.

Tracy

Interpretar um papel com esse peso, literalmente, não é uma tarefa nada fácil. No caso da atriz Simone Gutierrez o processo de produção foi o mais trabalhoso. Para viver Tracy, a ela teve que ganhar 15 quilos, mas mesmo acima do peso, precisou estar com o fôlego em dia, já que fica 2h15 em cena, troca de roupa em intervalos de 10 segundos, canta, dança e transita por praticamente todas as cenas do espetáculo. "Quando soube que a peça vinha para o Brasil fiquei louca. Sempre tive essa história de ser gordinha e é a primeira vez que poderia ser quem eu sou. Fiz aula de canto, vi a peça original em Nova Iorque, me preparei muito para viver esse papel. Ele tem a função de despertar a auto estima", ressalta.

Foto: Divulgação


Já o diretor Miguel Falabella é só elogio pela protagonista. "Quando vi a Simone fiquei doido por ela. Quando fizeram os testes, escolheram dezenas de garotas, mas eu já sabia que o papel seria dela. Além de uma voz linda, ela dança muito e é talentosíssima", comenta. A atriz prova que a recíproca é verdadeira e não poupa esforços para falar do diretor. "A direção do Miguel é fantástica. Ele nos deixa super à vontade para compor o personagem. Deu toques maravilhosos. Tive alguns problemas, pois tenho 32 anos e interpreto uma adolescente de 15. Então ele me ajudou com a voz, o jeito e deu uns toques bem legais direcionando para a Tracy". Simone já participou de montagens como Les Miserábles, A Bela e a Fera e O musical dos musicais, de Wolf Maia.

Veteranos

Mesmo com tanto anos de carreira com 48 trabalhos na TV, entre séries e novelas, a atriz Arlete Salles participa de seu primeiro musical. Ao receber o convite de Falabella, ela se sentiu desafiada, por isso aceitou. "Eu tinha o desejo de voltar aos palcos e esse projeto me obrigou a estudar e me renovar. A essa altura da vida já pensava que o tempo havia passado. Quando vi que eu faria o personagem que era da Michelle Pfeiffer topei na hora. Nunca havia cantado e dançado em uma peça, foi trabalhoso. Fiz aula de canto, me preparei muito para chegar bem ao palco e tive muito medo. Isso me fez crescer", afirma a interprete da vilã Velma Von Tussle no musical.

Já Danielle Winits é experiente no quesito musicais. Em seu 6º musical, recebeu o convite para estrelar o elenco de Hairspray de braços abertos. "Eu e o Miguel iríamos trabalhar juntos em Os Produtores, mas tive que me afastar por conta da gravidez. Dessa vez deu certo. Gosto de musicais e os atores que fazem o gênero devem ter uma preparação eterna. Foi trabalhoso montar, já que a minha personagem é muito mais nova que eu. Já havia visto o espetáculo lá fora e gostei muito. Vi algumas fitas, o filme, gosto de ter referências e ganchos, mas monto o personagem do meu jeito", afirma.

Serviço:
Local: Teatro Bradesco - Rua  Turiaçu, 2100 - Bourbon Shopping Pompeia
Preço: R$ 40,00 a R$ 170,00.
Data: 19 a 21 de fevereiro (Pré-estreia); 24 de fevereiro (Estreia)
Horário: Sexta, 21h30; sábado, 17h e 21h30; domingo, 18h.
Telefone: (11) 3670-4141

Atualizado em 6 Set 2011.

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