Guia da Semana

Linguagem universal

Daniel Motta fala sobre Poptogramas, livro no qual traduz a cultura pop no mundo das figuras das placas de trânsito



Em um daqueles surtos de ócio criativo, o designer Daniel Motta decidiu soltar a imaginação, através da mistura de duas paixões: música e arte. Assim surgiram os primeiros pictogramas (aqueles bonequinhos de placas), que traduziam o nome de bandas e artistas da cultura pop contemporânea. Em 2005, a brincadeira começou a ser compilada, o que terminou resultando em Poptpgramas, seu primeiro livro.

O sucesso foi instantâneo. Os convites para palestras e exposições começaram a surgir e levaram o artista a investir ainda mais no projeto, dessa vez com músicos de terras tupiniquins. O trabalho culminou no segundo volume da coleção, Poptogramas: Brasilis, lançado em dezembro de 2008. Confira abaixo a conversa com o autor e veja se você consegue decifrar quais bandas cada um de seus bonequinhos representa (repostas no final da entrevista).

Guia da Semana: O que são os poptogramas?
Daniel Motta: São os pictogramas pops. Pictogramas são todos aqueles bonequinhos de porta de banheiro que indicam feminino e masculino, sinais de trânsito... São símbolos universais que em qualquer lugar do mundo você vai poder confiar. O que eu fiz foi pegar esses símbolos, que são meramente informativos, e juntar um pouco de humor e cultura pop.

Guia da Semana: Como surgiu a ideia do Poptogramas?
Daniel: Foi uma coisa meio por acaso. Há um tempo eu queria fazer um trabalho que misturasse graficamente artistas e bandas que eu gostava. Aí surgiu a idéia dos poptogramas, que era uma maneira de unificar esse trabalho todo. Tinha algumas coisas que eu queria fazer com desenho, outras com fotografia. Os poptogramas surgiram para dar essa unidade e chegar nessa linguagem.

Guia da Semana: E por quê você escolheu bandas de músicas?
Daniel: É do meu universo. Eu sou apaixonado por isso, bandas e música. Na época que surgiram os poptogramas eu tinha uma revista de música independente (Zero), então eu sempre trabalhei e estive envolvido com isso, desde de que eu tinha 14 anos de idade. Foi uma escolha completamente natural.



Guia da Semana: Como foi critério para a seleção das bandas que você desenhou? Foi preferência musical ou visual?
Daniel: Inicialmente foi uma coisa de preferência musical mesmo. Eu ia lembrando das bandas que gostava e começava a desenhar. Depois eu deixei isso um pouco de lado e abri mão, porque tinham nomes irresistíveis demais. Grande parte delas, tanto do primeiro, quanto do segundo livro, eu não gosto, mal conheç,o mas elas tem um nome muito bom. O Biquíni Cavadão, por exemplo, foi um dos primeiros que eu fiz para o Poptogramas Brasilis. Desconheço completamente a carreira deles, mas o nome sugere uma brincadeira muito legal.

Guia da Semana: Como seria o Keith Richards, como poptograma, por exemplo?
Daniel: (Risos) Nunca pensei nisso. Eu acho que eu iria fazer ele bêbado, caído com alguma seringuinha espetada.

Guia da Semana: Quais foram as fontes de pesquisa para os desenhos?
Daniel: O desenho tem um padrão. Existe uma empresa chamada AIGA, que é ligada nessa coisa de pictogramas em vários lugares do mundo. Eu peguei o padrão de bonecos do site deles e adaptei, mas não é a mesma coisa, deixei os meus mais arredondadinhos, mais bonitinhos.

Guia da Semana: E como surgiram os desenho das bandas? O que você procurava na hora de criar?
Daniel: Eu procurava histórias que eu lembrava, por exemplo, do Ozzy Osbourne que arrancou a cabeça de um morcego. No livro nacional, eu peguei a história do Rafael Ilha que engoliu uma pilha, o Wando que a mulherada jogava calcinha no palco, esse tipo de coisa... Às vezes, eu estava com amigos e ficava tentando lembrar de algumas histórias, alguém sugeria alguma coisa, mas não fiz uma pesquisa no sentido literal.



Guia da Semana: Você tinha ideia que iria fazer tanto sucesso e que sairia o segundo volume?
Daniel: Não tinha a menor idéia. Foi bem legal isso. O primeiro livro saiu em 2005 e desde então, sempre teve alguma coisa nova, nunca parou. Teve o lançamento do livro, um ano depois teve uma exposição no metrô de São Paulo, uma série de palestras em vários espaços, canequinhas com os poptogramas... Sempre tinha alguma coisa rolando.Eu não esperava isso, tanto é que o Brasilis só foi possível devido ao sucesso do primeiro.

Guia da Semana: Existe algum projeto editorial num futuro próximo?
Daniel: Eu acho que seria legal, se desse para fazer mais um livro, mas não é uma coisa que estou pensando ainda, porque agora eu estou trabalhando muito na divulgação desse último. É uma estrutura muito pequena e enxuta, é quase como uma banda independente: eu tenho que ir lá, marcar show, gravar disco, fazer tudo. Só vou pensar nisso no ano que vem, por que agora no segundo semestre vai ter uma outra exposição no metrô de São Paulo, que vai ser muito legal. Ainda não está 100% fechado, mas vai ser bem diferente, com bonecos em tamanho real.

Guia da Semana: E qual o seu poptograma preferido?
Daniel: O do Ozzy, que é o primeiro desenho do primeiro livro. Eu gosto bastante porque ele realmente foi o começo de tudo, foi a partir dele que eu comecei a pensar nessa coisa de pictograma. Eu acho que ele capta bem a essência dos poptogramas, é uma coisa rápida, bem divertida e até meio sacana as vezes, com um pouquinho de humor negro.

Respostas: Mamonas Assassinas, Ozzy e Biquini Cavadão


Atualizado em 6 Set 2011.

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