Guia da Semana

Madame Butterfly

Colunista analisa a opera em cartaz no Teatro Municipal



O Teatro Municipal de São Paulo à noite possui uma iluminação estilizada que realça a sua beleza. Admiramos este edifício por sua imponência, antiguidade e grandiosidade. Em sua estrutura é monumental, formoso na ornamentação e rebuscado nos detalhes.

Acompanhada de curiosidade e envolta de pessoas bem vestidas, fui à estréia da ópera Madame Butterfly, uma obra do compositor italiano Giacomo Puccini, em comemoração aos 150 anos do seu nascimento. O país no qual transcorre a ação da ópera é o Japão, casando com os festejos do centenário da imigração.O cenário, bastante simples, foi desenhado por Tomie Ohtake e os figurinos, muito vistosos, foram resultado da pesquisa de Fabio Namatame.

A estréia da apresentação contou com célebres artistas do panorama contemporâneo; como o estilista Fause Haten e Kenzo e também pudemos conferir a presença da própria Tomie Ohtake. O público que preencheu por completo o Teatro Municipal, ovacionou os realizadores desta montagem.

A linda concepção de iluminação do cenário, expressava o sentimento e o estado de espírito da delicada gueixa Cio-cio-San, a mais poética de todas as heroínas de uma ópera. A coordenação sutil dos movimentos no palco com a música da orquestra, causou um entrelaçamento admirável no espectador.

A história é dividida em dois atos e o segundo é dividido em duas partes. No primeiro, a ação que se passa é de um casamenteiro chamado Goro, que convence um tenente da marinha americana, Pinkerton, a se casar com uma jovem japonesa. Em escala no porto de Nagasaki, Pinkerton, mesmo com os conselhos do cônsul Sharpless, advertindo-o sobre o amor sincero da jovem em contrapartida ao que este considera o casamento, como uma brincadeira sem conseqüências. O tenente aceita Cio-cio-San e esta fica conhecida como Madama Butterfly. Após a união dos dois, Butterfly adere aos hábitos e costumes do marido e é renegada por seu tio Bonzo por abandonar a religião de seus ancestrais.

No segundo ato já se passaram três anos desde o casamento de Cio-cio-San que espera fielmente seu marido. Sonha com o dia que ele chegará e recusa as investidas do rico príncipe Yamadori. Porém, Pinkerton casa-se nos Estados Unidos e envia uma carta ao cônsul Sharpless. Este tenta convencer Butterfly a aceitar o príncipe Yamadori. Mas a jovem se recusa a aceitar e confia cegamente em Pinkerton e da carta apenas ouve que ele regressará. Ela escuta o soar do navio que atracou no porto e é o de Pinkerton. Feliz e radiante adorna sua residência com flores e aguarda o retorno do marido.

Butterfly teve um filho de Pinkerton e quando este regressa com sua nova esposa, fica envergonhado por suas atitudes indecentes e desonrosas, não permanecendo na casa. Mas antes de sua partida, avisa a criada Suzuki para passar o recado para Butterfly, que tem interesse em levar seu filho consigo, para ser educado por sua esposa americana. Esta última aguarda Butterfly acordar e quando isto acontece, descobre tudo. Não suportando tamanha infelicidade e dor de entregar o filho e o abandono do marido, aceita o acordo e se despede do filho se matando.

O espetáculo foi uma "pintura sonora", com inúmeras paisagens opostas entre si. As cores representavam bem ocidente versus oriente. Desenhava-se em cena, de um lado, a grosseria do ocidente colonizador e, do outro, a frágil poesia do oriente. Puccini pinta, não um Japão impossível de ser real, mas um autêntico Japão imaginário, rico de verdadeiro e sutil exotismo.

Quem é a colunista: Renata Bar Kusano.

O que faz: Publicidade e Propaganda na Faap, e estudante do último ano de teatro na Escola Célia Helena e participo de oficinas de criação.

Pecado gastronômico: Massas, todas suas formas e seus molhos.

Melhor lugar do Brasil: Jericoacoara (CE)

Fale com ela: rebarkusano@gmail.com

Atualizado em 6 Set 2011.

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