Guia da Semana

Minas em cena

Confira o que rolou na última edição do Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua de Belo Horizonte

Foto: Kika Antunes/ Divulgação

Abertura do FIT BH 2010 no Palácio das Artes

"Belo Horizonte é um espetáculo". Foi esta a ideia principal que permeou toda a concepção e o conceito visual do Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua (FIT BH), cuja décima edição terminou em 15 de agosto. Para concretizar a proposta, 47 espaços da cidade viraram palco de 107 apresentações. Com pluralidade estética e temática, a programação contou com a participação de 12 grupos nacionais, 11 internacionais e 15 espetáculos de Minas Gerais.

Desta vez, o maior acontecimento do calendário cultural da capital mineira atraiu aproximadamente 165 mil pessoas. Além de poder assistir a atrações gratuitas, o público pôde conferir intervenções urbanas,  idealizadas por Paulo Pederneiras, que foram realizadas nos cruzamentos de importantes avenidas. "A proposta foi democratizar o festival entre a população local. Essa tentativa de levar arte aos lugares públicos foi o diferencial desta edição", diz o coordenador do FIT BH, Rodrigo Barroso.

Pluralidade artística

Foto: Guto Muniz/ Divulgação

Cena de Donka, Uma Carta a Tchekhov, do Teatro Sunil (Suíça), no Grande Teatro do Palácio das Artes

A promessa conceitual de garantir a diversidade e a qualidade das atrações foi cumprida por meio da presença de nomes relevantes das artes cênicas no âmbito mundial. Na abertura, por exemplo, a montagem Donka - Uma carta a Tchekhov, do grupo suíço Teatro Sunil, e o teatro aéreo K@osmos, dos argentinos do Puja, emocionaram o público. Os diretores paulistas Antunes Filho, com a peça Lamartine Babo, e Zé Celso Martinez, que não se apresentava na cidade desde 1971, também marcaram a edição.

A produção argentina Lote 77, dirigida por Marcelo Minnino, e a peça italiana Dias Felizes (Happy Days), texto de Samuel Beckett com direção de Bob Wilson, também foram grandes destaques da programação e tiveram ingressos esgotados. "A montagem de Bob Wilson provocou muita polêmica. Muitas pessoas se levantaram na primeira meia hora de espetáculo, pois é um texto clássico e chega a ser monótono. Mas quem assistiu até o final pôde ver a beleza da plasticidade das imagens criadas", relata Barroso.

Mantendo a tradição, o Grupo Galpão, companhia mineira que faz parte da história do Festival e sempre esteve envolvida com a sua formatação, apresentou o mais novo trabalho, Till, a Saga de Um Herói Torto. "O FIT é uma referência no Brasil e também mobiliza a cidade. Ele possibilita o intercâmbio de diversos grupos teatrais. O evento foi conquistando cada vez mais espaço e movimenta não só a classe artística, mas também os amantes do teatro", afirma Inês Peixoto, atriz do grupo.

Foto: Daniel Protzner/ Divulgação

Cena da montagem de Till, a Saga de Um Herói Torto, do Grupo Galpão

Intercâmbio teatral

Outra proposta diferenciada deste ano foi a grande troca entre os participantes. Ao longo dos 11 dias, grupos locais conviveram diariamente com artistas de outros países e discutiram processo criativo e metodologia de trabalho. "Passamos um dia com os suíços da peça do Donka. Temos um namoro antigo com o diretor da companhia, o Daniele Finzi Pasça. Fizemos uma aula de samba e um grande almoço, com comida bem mineira. Conversamos muito sobre teatro e planos futuros. Foi uma troca muito gostosa", conta Inês.

Além disso, grupos amadores fizeram contato com profissionais para aprender mais sobre todos os processos que envolvem a encenação. "Com certeza, essa convivência vai se refletir nos próximos trabalhos dos grupos locais", diz o coordenador do evento. "O compromisso primeiro do festival, por ser uma política pública, é de formar público. Possibilitar que as pessoas tenham contato com bons espetáculos e passem a consumir cultura, sobretudo artes cênicas", completa.

Segundo Barroso, esta edição deixou marcas de grande relevância para a história do Festival. "Conseguimos realizar um festival digno e preciso que trouxe assinaturas teatrais importantes, como a de Antunes Filho e Zé Celso. O evento é uma grande vitrine para cidade e para as artes cênicas de Belo Horizonte. O Brasil todo fica de olho no que está acontecendo aqui e a gente espera que os artistas locais sejam convidados para participar de outros festivais", conclui.

Atualizado em 6 Set 2011.

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