Guia da Semana

Multicultural e divertido

Com a proximidade do carnaval, o colunista revela um pouco da diversidade cultural do colorido carnaval pernambucano

Por Iúri Moreira

Tradição e modernidade: a cultura pernambucana em sua versão folia

Todo ano é a mesma coisa. Chega o mês de janeiro e não se fala em outra coisa a não ser no carnaval. Trabalhar que é bom, nada... Afinal, num Estado onde as primeiras prévias começam ainda em dezembro e Olinda já respira carnaval a partir do primeiro final de semana do ano, não dá para pensar em desenvolver um projeto sério, um trabalho relevante ou algo do tipo antes que esse estado de euforia popular coletiva acabe.

Se não tem jeito então, nada melhor que vestir a fantasia e cair na folia. Uma boa idéia pode ser reunir os amigos e fundar um bloco de carnaval. Já pensou? Nem precisa de muito trabalho: basta uma idéia até exdrúxula na cabeça para brincar o carnaval. O que vale mesmo é a irreverência e o inusitado, o descabido e até o tosco.

Duvida? Pois imagine um bloco onde seus integrantes desfilam cobertos de lama, sujos de lama ou de tinta azul. Não se assustem, eles existem, e saem há vários anos pelas ladeiras de Olinda.

Assim como eles, tem uma turma que costuma sair atrás da porta. Diz a lenda que, há alguns anos, um morador da cidade alta resolveu levar a porta de sua casa para o conserto em pleno carnaval. Nem precisa dizer no que deu, não é? Ainda tem a turma da "Mulher na Vara", do "Arriando Sua Sunga", sem falar nos super heróis do "Enquanto Isso na Sala de Justiça", só para citar alguns.

Interessante é que, assim como a cada ano a folia se renova com o nascimento e ocaso de tantas agremiações, certas tradições são passadas de pai para filho e continuam resistindo, firmes e fortes. Um bom exemplo é o Homem da Meia Noite, que abre oficialmente, há quase 80 anos o carnaval de Olinda, às vinte e quatro horas do sábado de Zé Pereira.

Fundado em 1932, a farra foi inspirada num homem bem vestido e elegante que perambulava pelas ruas do bairro nos anos 30, aparecendo sempre por volta da meia noite e desaparecendo sem que ninguém soubesse do seu paradeiro. Seu fundador, Benedito Bernardino da Silva e alguns amigos decidiram seguir o camarada, até que descobriram que o sujeito subia pelas janelas das casas para namorar as donzelas da cidade. Verdadeira ou não, a história e a tradição de vestir o boneco gigante foi passada de pai para filho, todos esses anos.

Já em Triunfo, cidade do sertão do Pajeú, a 451 quilômetros do Recife, há mais de 70 anos são os Caretas fazem a festa. Imagine você um monte de mascarados saindo na rua com frases de parachoque de caminhão penduradas nas costas e estalando chicotes? A tradição, também passada de pai para filho, premia o grupo de caretas que conseguir dar o estalo de chicote mais alto no ar. Idéia interessante, não? Pois é... fora dos cordões de isolamento, tem espaço pra tudo!

Quem é o colunista: Iúri Moreira.

O que faz: jornalista, músico e profundo conhecedor da arte de beber cerveja.

Pecado gastronômico: macaxeira com charque do Mercado da Madalena, em Recife.

Melhor lugar do Brasil: garçon, aqui, nesta mesa de bar...

Fale com ele: iuri.moreira@gmail.com

Atualizado em 6 Set 2011.

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