Guia da Semana

Muse - a nova cara do rock de arena

Trio britânico abre o segundo semestre de shows internacionais como um dos principais destaques do rock britânico da atualidade

Muse, da esquerda para a direita: o baixista Christopher Wolstenholme, o vocalista e guitarrista Matthew Bellamy e o baterista Dominic Howard


O segundo semestre de 2008 pode ficar marcado no circuito de shows de rock como o período perfeito para os fãs brasileiros. O aperitivo mostrado pelo Motomix será completado com eventos como TIM Festival, Orloff Festival, Indie Rock Festival, Planeta Terra, Skil Beats, além de eventos menores e shows isolados. E cabe ao grupo inglês Muse iniciar essa maratona de shows sensacionais, com sua passagem por Rio de Janeiro (30/07), São Paulo(31/07) e Brasília (02/08), como atração principal do festival Porão do Rock.

A banda tem origem no ano de 1994, auge do britpop, quando os amigos Matthew Bellamy (voz, guitarra, piano), Christopher Wolstenhome (baixo) e Dominic Howard (bateria) formaram o grupo Gothic Plague, que em 1997 mudou o nome para Muse, iniciando naquele momento uma das trajetórias mais bem-sucedidas dos últimos tempos no cenário da música pop.

O Muse só lançou seu primeiro disco em 1999, que recebeu o sugestivo título de Showbiz. Aqui já estão presentes as influências progressivas, eletrônicas, de bandas como Queen (algumas harmonias vocais poderiam estar A Night at the Opera ou A Day at the Races), Suede & Radiohead. Em relação a este último existe uma fama que acompanha o Muse até os dias atuais: a de ser uma cópia mal acabada da banda de Thom Yorke (isso é motivo de irritação para a maior parte dos fãs do grupo). Essa comparação, ao menos para mim, decorre das semelhanças dos vocais de Bellamy, que em sua intensidade e densidade interpretativa, lembram os de Yorke - inclusive em alguns breves falsetes - e pelo fato da banda ter experimentado várias nuances em seu som, numa linha próxima ao Radiohead. Dentre os destaques musicais do disco estão Fillip, Sober, Muscle Museum e Cave - ótimas dicas para descobrir a sonoridade de Showbiz.

Em 2001, eles confirmam as expectativas geradas na estréia, e lançam Origin of Symmetry, disco no qual utilizam instrumentos que ampliam a sonoridade da banda (como órgão de igreja e mellotron), e começam a consolidar sua criatividade em canções como New Born, Futurism e Plug in Baby. A turnê deste disco serviu para fortalecer a banda como uma das melhores em grandes shows, com apresentações carregadas de intensidade e densidade. Na esteira do sucesso lançam, em 2002, a coletânea de raridades e gravações ao vivo, intitulada Hullabaloo Soundtrack.

Trio faz três apresentações no Brasil, em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília


O disco seguinte, Absolution, de 2003, foi outro sucesso instantâneo de público, ainda que alguns críticos torcessem o nariz para a banda, e colocou o trio definitivamente entre os grandes nomes do pop-rock inglês. Canções como Hysteria, Stockholm Syndrome e The Snall Print são obrigatórias para os que desejam conhecer melhor o som do grupo.

Mas o grande feito, tanto criativo como comercial, viria no ano de 2006 com o lançamento de Black Hole & Revelations, disco responsável por consolidar a reputação da banda perante o público, seduzir uma parcela da crítica (sem escapar do rótulo "Made By Radiohead") e confirmar a criatividade dos rapazes em hits como Super Massive Blackhole, Starlight, Map of the Problematique, Soldier´s Poem (poderia perfeitamente estar nos três primeiros discos do Queen) e Knights of Cydonia. A turnê de Black Hole & Revelations deu a eles, na Europa e nos EUA, o status de popstars e rendeu uns bons trocados na conta bancária de seus membros.

O álbum mais recente da banda, o ao vivo H.A.A.R.P, foi gravado durante o apoteótico show realizado em junho do ano passado na reinauguração do estádio de Wembley, e é uma amostra do que a banda é capaz na frente de um público enlouquecido pela grandeza de sua sonoridade. Particularmente, sou um cético em relação a esse tipo de lançamento, pois muitas vezes ele representa um mero caça-níquel e não um trabalho capaz de retratar a sonoridade das bandas em geral, mas H.A.A.R.P., sem ser brilhante, transmite toda competência e energia de um dos grupos com melhor performance ao vivo da atualidade e que caracteriza-se por reciclar o rock de arena (rótulo surgido nos anos 70 para classificar shows de bandas como STYX e Foreigner) e contém os hits certeiros dos quase dez anos de carreira, servindo como uma prévia do que esperar dos shows em terras brasileiras.

Se você for fã deve estar contanto os minutos para ver ao vivo os maiores sucessos do grupo e sua energia ao vivo. Se não os conhece, está na hora de ouvir alguns de seus discos e ver entender o que pode ser um dos grandes momentos de uma banda em cima dos palcos brasileiros neste ano. Ah, não vale falar que eles são um genérico do Radiohead, pois o Muse merece destaque entre os melhores do pop na atualidade.

Quem é o colunista: Rogério Duarte da Silva.

O que faz: redator do blog musical Katacultura.

Pecado gastronômico: arroz, feijão e bife

Melhor lugar do Brasil: Pelotas, Rio Grande do Sul

Fale com ele: katacultura@gmail.com

Atualizado em 6 Set 2011.

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