Guia da Semana

Nada demais

Tradicional mostra de São Paulo chega a 28ª edição sem novidades e perde brilho perante o público

Gabriel Oliveira
Pavilhão da Bienal do Ibirapuera


Em 1951 nascia a Bienal Internacional de Arte de São Paulo, fundada durante a Semana de Arte Moderna por Francisco Matarazzo e a sua esposa Yolanda Penteado. O objetivo era criar uma exposição de grandes proporções, além de abrir espaço para artistas desconhecidos e trazer movimentos culturais para a cidade de São Paulo. A primeira edição apresentou a arte brasileira de Lasar Segall, Victor Brecheret, Oswaldo Goeldi e além de trazer nomes como Pablo Picasso, Alberto Giacometti, René Magritte, George Grosz.

No final da exposição de 51, as portas do país foram abertas para as novas linguagens plásticas e para arte moderna e, São Paulo definitivamente era um centro artístico. Em 2008, a 28ª edição da mostra que a capital paulista está mais forte do que nunca no cenário cultural e a Bienal ganha o tema Em Vivo Contato. Com um formato distinto das edições anteriores, a exposição pretende desenvolver um trabalho investigativo e crítico, que acompanhe as transformações ocorridas não apenas no lugar em que a mostra se inscreve, mas também no plano internacional.

Os curadores Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen trazem 42 artistas de 22 países e quatro projetos especiais que estão distribuídos pelos quatro andares do Pavilhão: o andar térreo foi transformado em uma grande praça pública e abrigará apresentações de música, dança, performances e cinema.

O segundo andar do pavilhão é o que mais chama atenção nessa edição. O local está completamente aberto e vazio, refere-se ao conceito criado por Le Corbusier, em 1926, para definir um dos cinco princípios da nova arquitetura: com o uso de pilotis e o concreto armado, as paredes não são mais usadas na sustentação dos andares de um edifício. Estes princípios estão na base da arquitetura moderna brasileira.

Já o terceiro andar, homenageia o Arquivo Histórico Wanda Svevo, o único e mais valioso patrimônio da Fundação Bienal de São Paulo, a sua memória, e principal fonte de referências para qualquer reflexão e programa que vise a uma avaliação e reciclagem da instituição. É ainda parte dessa plataforma uma série de conversas com artistas que se relacionam com a história da Bienal de São Paulo.

O Outro Lado

Se por um lado o intuito da Bienal em 1951 era trazer São Paulo para a rota dos grandes centros culturais, por outro era abrir espaço para novos artistas e parece que esse intuito se perdeu ao longo dos 57 anos de história. Pelo menos é essa a opinião de Anna Donádio, proprietária da galeria Área Artis. "Quem expõem são sempre as mesmas pessoas, os mais chegados dos curadores, os artistas novos não tem chance de jeito algum", protesta.

Para a proprietária além de "elitista", a mostra está perdendo a magia. "Arte tem que trazer emoção, mexer com o público e isso não está acontecendo. É tudo igual, com exceção de uma ou outra obra", revela Anna.

As reclamações não vêm só de quem ficou de fora, até mesmo quem participou têm suas queixas. A dupla americana Fischerspooner, contratada para fazer o show de abertura da Bienal, passou maus bocados com a falta de organização do evento. No domingo, 26, quando ia se apresentar tudo estava errado. Na hora marcada para passagem de som ainda não havia água, luz elétrica e camarim. "É terrível ir descascando uma proposta até não sobrar nada. Foi um processo muito difícil. Esse foi o show mais desgastante e doloroso da minha vida", informou Casey Spooner, vocalista do grupo a coluna da Mônica Bergamo. Essa afirmação aconteceu devido às mudanças que tiveram que ser feitas para apresentação pelo corte de 40% no orçamento. O resultado: "Foi basicamente o show normal, porque, com as limitações, é tudo que pudemos fazer. Não tem nada a ver com nossa proposta inicial, nem com arte", completou Spooner.

"A Bienal ainda é considerada um dos maiores eventos de arte do mundo, mas está cada vez mais perdendo espaço. Pra mim, essa última foi uma decepção total", finaliza Anna.

A assessoria de imprensa da Bienal negou entrevista ao Guia da Semana após várias tentativas e até o fechamento dessa reportagem, nem produtores nem o curador quiseram se manifestar.

Atualizado em 6 Set 2011.

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