Guia da Semana

Novo olhar

Fotógrafos brasileiros e franceses revelam o Brasil de uma outra maneira

Foto: Divulgação

A Pinacoteca do Estado registra o Brasil na ótica de nove fotógrafos franceses e brasileiros, com a inauguração da mostra "À procura de um olhar", em cartaz desde o dia 25 de abril. Com curadoria de Diógenes de Moura, a exposição reúne 184 fotos P&B e coloridas, em comemoração o ano da França no Brasil. A mostra também homenageia Claude Lévi-Strauss, um dos grandes pensadores do século XX, que exibe o centro de São Paulo em 10 fotos, registradas no período de 1935 a 1937.

O país fica dividido em dois momentos históricos: o primeiro, de desenvolvimento, nas paisagens mais antigas do Brasil, retratadas pelos fotógrafos Pierre Verger, Marcel Gautherout e Jean Manzon. Já o Brasil contemporâneo fica sob responsabilidade dos cliques de Antoine D"Agata, Bruno Barbey e Olívia Gay, além dos brasileiros Tiago Santana, Luiz Braga Arraial e Mauro Restiffe.

"Não comi nada disso na Bahia", disse uma senhora com o legítimo sotaque português ao ver a foto "Segunda-feira na festa da Ribeira", tirada por Marcel Gautherot, em Salvador no ano de 1955, que retrata uma baiana rodeada de comidas típicas. Gautherot nasceu em 1910, em Paris e encontra grande influência na obra do escritor Jorge Amado.

Pensar no Estádio do Pacaembu nos dias de hoje, após vê-lo nas imagens de Jean Manzon, de 1940, é como entrar em um túnel do tempo. Parisiense, nascido em 1915, Manzon revolucionou o fotojornalismo, fotografando Brasília em 1952, a convite do presidente Juscelino Kubichek.

O marroquino Bruno Barbey, por sua vez, traça um paralelo entre o luxo da festa dos travestis cariocas, em baile de Carnaval nos anos 70, exibindo também o trabalho pesado dos moradores da periferia de Belém. Um grupo de cerca de quinze adolescentes achou graça dos periquitos da foto "Rose e seus pássaros", da fotógrafa francesa Olívia Gay. O retrato é o ponto alto de seu trabalho, que registra a posição da mulher no mercado de trabalho e no mundo moderno.


O paulistano Mauro Restiffe representa as fotos de multidão, clicadas pelo indivíduo que anda solitário em regiões de São Paulo que poucas pessoas param para olhar. Restiffe exibe um novo ângulo para apreciação arquitetônica da cidade, como em seu retrato da "Praça Roosevelt", de 2009. Antonio D"Agata registrou, entre 2006 e 2008, bordéis de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. O sexo não é visto com muita poesia, sem constrangimento do nú e do prazer. Antoine D"Agata finaliza a exposição, mostrando com sensibilidade o erotismo tão cultuado em terras brasileiras.

O brasileiro em todos os retratos não é visto com piedade, de quem vê na pobreza uma forma de espetáculo. "À procura de um olhar" busca outro caminho, mostrando novos meios de enxergar a religião, o espaço, o tempo e toda a cultura que nos cerca.

Quem é o colunista: Alguém que adora música, desde samba de raiz até...Madonna! Também curto um cineminha, principalmente os filmes de Almodóvar. Gosto de caminhar por São Paulo, observando como as pessoas se comportam nesta metrópole.

O que faz: Estudante de jornalismo e estagiária do Guia da Semana.

Pecado gastronômico: Não dispenso qualquer tipo de chocolate.

Melhor lugar do Brasil: Praça Coronel Custódio Fernandes Pinheiro, mais conhecida como Praça do Pôr-do-Sol, na Vila Madalena. Um ótimo lugar para relaxar e curtir uma linda paisagem.

Fale com ela: savana_azolini@hotmail.com

Atualizado em 6 Set 2011.

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