Guia da Semana

"O local da experimentação"

O dramaturgo contemporâneo Samir Yasbek aposta nas artes cênicas como exercício fundamental para a formação do ator

Foto: Divulgação/Heloísa Bortzde



Definido pela crítica como um dos autores Geração 90, Samir Yasbek já trabalhou como ator, diretor de teatro e professor de interpretação. Teve destaque na carreira de dramaturgo, com a peça O Fingidor, encenada em 1999 e que lhe rendeu o prêmio Shell de Melhor Autor. Além dessa, escreveu outras de grande repercussão, como A Terra Prometida (eleita pelo jornal O Globo como um dos dez melhores espetáculos de 2002), A Entrevista e O Invisível.

Após 10 anos, a peça que o projetou está novamente em cartaz, no Tuca, em São Paulo. Revelando-se um bom manipulador da narrativa e visando sempre às relações conflituosas do homem com o meio, o Guia da Semana conversou com o autor que não deixa de apontar a mediocridade da vida, disposto a falar sobre grandes espetáculos, atores contemporâneos, reconhecimento e a ajuda que o teatro deveria ter.

Guia da Semana: O espetáculo O Fingidor reestreou em abril e tem 10 anos desde a primeira montagem. Você considera a sua peça de maior destaque?
Samir Yasbek:
Diria que foi a que mais ficou em cartaz, 10 anos. Mas de uma forma ou de outra algumas peças, como A Terra Prometida e A Entrevista, ficaram dois até quatro anos em cartaz. São espetáculos muito diferentes, com linguagem própria e outras propostas. Não daria pra dizer se melhor ou pior. O Fingidor é uma peça que alcançou uma projeção maior, uma ressonância com o público mais cativo e foi premiada. Então, de certa maneira, foi uma peça que projetou meu nome e trabalho, como um marco do início de uma trajetória.

Guia da Semana: Como está o perfil dos atores atuais, eles se demonstram mais interessados em teatro ou acham que é só um trampolim para a TV?
Samir:
Televisão é um campo de trabalho como outro qualquer. O problema é que os atores não têm tido a oportunidade de desenvolver um trabalho de qualidade dentro da televisão, não da forma como é feita hoje em dia. Têm pouquíssimos projetos em que há respaldo da televisão, no sentido de haver aprofundamento na dramaturgia, na interpretação. Você vê os atores se sacrificando. É claro que você pode dizer que o ator tem o livre arbítrio, mas tem a questão da sobrevivência, o que dá uma contradição muito grande para ele. No teatro, por não depender de grandes quantias de dinheiro, você pode fazer com mais liberdade, autonomia. Já na TV, tem a questão comercial, com o rabo preso com esse esquema todo. Então, a sensibilidade artística e sua responsabilidade perante a sociedade ficam comprometidas por esses interesses.

Foto: divulgação/ Arnaldo Torres

A peça O Fingidor reestreou após 10 anos da sua primeira montagem

Guia da Semana: Existe diferença entre o ator de teatro e o que prioriza a TV?
Samir:
Alguns atores se dão melhor com um tipo de linguagens, enquanto outros transitam sobre todas. Poderíamos chamá-los de mais completos. Não podemos generalizar, mas o fato é que o ator completo tem mais facilidade para trabalhar com diferentes linguagens, até porque tudo é uma questão de aprendizado. Basta uma oportunidade para experimentar essa linguagem e tenho certeza de que poderia trabalhar em televisão, teatro ou cinema. Mas, de uma maneira geral, o teatro oferece a possibilidade para os atores de um aprofundamento maior. O cinema não é um campo adequado para o exercício. Já o teatro, p

Atualizado em 6 Set 2011.

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