Guia da Semana

O que importa é sobreviver

Colunista escreve a respeito de um livro em que pai e filho tentam sobreviver em meio a destruição do mundo

Foto: Getty Images


A nossa sociedade sempre se fascinou por acontecimentos pós-apocalípticos e como seria o mundo depois da destruição total. Muitos livros e filmes já trataram desse tema, mas poucos conseguem fazer uma história em que o motivo da destruição é a parte mais interessante da história.  O livro The Road (A estrada), de Cormac McCarthy, conseguiu este feito e foca a história em sobrevivência e amor em um mundo dominado pelo medo e pela morte.

Situado nos Estados Unidos, alguns anos após um evento cataclísmico que dizimou quase toda a humanidade, um homem e seu filho decidem ir para o sul tentar encontrar outras pessoas boas como eles, pois sabem que não conseguirão sobreviver a outro inverno aonde se encontram. Durante todo o percurso, eles seguem a estrada, constante companheira que, além de trazer uma direção, traz também muitos perigos para os dois.

O mundo e os personagens que encontram no caminho são cruéis, e o pai sempre se protege de todos que encontra. O pai é uma pessoa cética, e sempre toma como princípio que as pessoas irão machucar ele e seu filho e, por esse motivo, evita qualquer contato. Já o filho, ainda mantém esperança de alguma moralidade ou bondade nas pessoas, além de tentar convencer seu pai a ajudar ou falar com todos que encontram. Esse equilíbrio entre os dois gera consequências no fim da história o que faz a construção dessa dinâmica valer a pena no término do livro. 

McCarthy é bem descritivo quanto ao mundo ao redor dos dois, porém o foco principal da história é o relacionamento entre pai e filho. O histórico dos dois antes da destruição do mundo é citado algumas vezes, incluindo o destino da mãe do menino. Os motivos da destruição e como aconteceu só aparece em detalhes, somente para dar uma ideia do que pode ter acontecido, estimulando a imaginação do leitor para isso, porém, para os mais atentos, não é difícil descobrir.

O autor tem sucesso em mostrar que pequenos acontecimentos têm grandes consequências. O pai carrega uma arma com duas balas, ou para proteção ou para suicídio, caso o pior aconteça. Forçado a usar a arma, todo o plano do pai cai por terra, e o diálogo em que o pai tenta explicar pro filho a necessidade da arma é muito bem construído. É fácil se colocar na pele dele e imaginar o que você faria nessa situação. Ele também carrega sempre um carrinho de supermercado com alguns suprimentos, o que dificulta a locomoção, porém é indispensável para a sobrevivência. Essa problemática é constante durante o livro, algo perigoso que precisa ser feito para a sobrevivência, o que leva a vários acontecimentos que deixam o leitor grudado para saber o que acontece a seguir.

Cormac McCarthy, também autor do livro Onde os fracos não tem vêz,  ganhou o pulitzer de ficção de 2007 com esse livro, que foi adaptado ao cinema e será lançado nos Estado Unidos ainda esse ano.

Com uma visão diferente de uma história já conhecida, diálogos excelentes e construção de uma narrativa que não deixa o leitor desgrudar do livro, The Road é imperdível. Recomendo!

Quem é o colunista: Formado em jornalismo, casado e trabalha em uma empresa de tecnologia.

O que faz: Gosto de assistir filmes, ficar em casa, ler, conhecer lugares novos e jogar videogame.

Pecado gastronômico: Sorvete de capuccino, feito em casa por mim e pela minha esposa.

Melhor lugar do mundo: Minha casa, em um sábado chuvoso, à tarde, com minha esposa, um computador e meus videogames..

Fale com ele: camposaraujo @hotmail.com  ou acesse seu twitter.

Atualizado em 26 Set 2011.

Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

5 hotéis ao redor do mundo que são verdadeiras obras de arte

Confira locais com acomodações incríveis, mas que têm obras como protagonistas

Evolução dos emojis ganha instalação no Museu de Arte Moderna de NY

Os primeiros emoctions, criados em 1999, também entram para a coleção MoMA

6 motivos para visitar a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano em SP (e nem perceber que está na capital)

Local une arte, cultura, lazer, arquitetura e natureza, fazendo com que o visitante esqueça que está em SP

13 grafites em SP que todo mundo que ama arte deveria ver pessoalmente

Confira obras espalhadas pela cidade que merecem sua atenção

Na Semana da Criança, uma selfie vale um passaporte nos museus de SP; entenda

Para participar, é só postar foto com uma criança no Facebook com a hashtag #MuseusSP e apresentar na bilheteria da Pinacoteca, Casa das Rosas ou do Museu da Imigração

Unibes Cultural oferece programação especial e gratuita para o mês das crianças

Evento acontece até dia 31 de outubro e comemora o Mês das Crianças