Guia da Semana

"O Samba que faz parte de mim!"

Com uma mistura de hits que identificam sua trajetória musical, Paula Lima lança seu primeiro DVD, no qual apresenta o som que corre nas suas veias

Foto: Divulgação

Mostrando um som visceral e cheia de personalidade, Paula Lima lança o DVD SambaChic hoje, 24 de janeiro, no palco do HSBC Brasil. Apresentando um repertório com ritmos que influenciaram sua vida, tais como bossa, soul, funk e jazz, dessa vez a cantora priorizou o samba, em um álbum de musicalidade contemporânea.

E foi para falar sobre o novo trabalho que a artista, lançada no cenário brasileiro como vocalista do Funk Como Le Gusta, concedeu uma entrevista exclusiva ao Guia da Semana. Nas linhas abaixo, você pode conferir os detalhes dessa produção inédita, na qual Paula conta como pretende unir som e imagem, além de apresentar um outro lado de sua personalidade, ainda desconhecido por muitos.

Criação

Guia da Semana: Quais são as suas expectativas em relação ao SambaChic?
Paula Lima:
Estou muito feliz. O DVD ficou muito além das minhas expectativas, em todos os sentidos. As músicas ficaram bem bacanas e deram muito certo. Os convidados me surpreenderam, teve uma coisa quente, uma harmonia que aconteceu naquele dia e naquele lugar, que nem sempre acontece. Estou apaixonada pelo trabalho, meu primeiro DVD solo.

Guia da Semana: Quando surgiu a idéia desse trabalho?
Paula:
No meio da turnê Sinceramente tive um insight de que precisaria fazer uma coisa para começar a linkar o som com a imagem. Eu tinha muita história para contar musicalmente, queria contar minha trajetória musical. Eu acho que hoje, mais do que nunca, a gente sabe que o DVD é o grande canal que o artista tem para se aproximar das pessoas. Imaginei como um divisor de águas, como realmente tem sido.

Guia da Semana: Como foi o processo de formação do repertório?
Paula:
Ao mesmo tempo em que não poderia cantar uma música que as pessoas nunca tivessem ouvido no meu repertório, quis apresentar novas faixas para não ficar na mesmice. Então pensei em cantar minha trajetória musical pegando hits do meu primeiro CD ( Isso Aí, Sai Daqui Tristeza, Mangueira), do segundo ( Guarda Chuva, Gafieira S.A) e do terceiro ( Tiro Onda e Novos Alvos). Junto a tudo isso, coloquei as músicas que soavam inéditas, como Já Notei, da Ana Carolina, Tudo Certo ou Tudo Errado, do próprio Arlindo Cruz e Cuida de Mim, do Seu Jorge. Eu tinha também que colocar uma coisa nova, que foram as duas músicas Vou Deixar, que é a minha xodó, uma música minha com Márcio Local, que deu tão certo ao ponto de virar o trabalho escolhida por todo mundo. Tem outra que é Samba Sem Nenhum Problema, de Márcio Local, que resume muito o que é o disco. Fala de Brasil, sol, carnaval e futebol.

Guia da Semana: Você nomeou o trabalho como SambaChic. Qual é a sua ligação com o samba?
Paula:
Com quatro anos de idade eu ouvia Martinho da Vila na minha casa, com seis imitava a Alcione. Então o samba nasceu comigo e as outras coisas apareceram depois. No decorrer do meu crescimento fui descobrindo o funk do James Brown, o pop do Michael Jackson, o jazz de Ella Fitzgerald, a bossa de Tom Jobim e o samba foi ficando meio de lado, mas sempre esteve comigo. Eu adoro o samba e não tenho problema em afirmar o meu amor, mesmo sem ser sambista, nem frequentar rodas de samba. Faço samba do meu jeito, diferente, contemporâneo, urbano, com Piano Raymond, guitarras distorcidas, scracth e cavaquinho.

Novidades

Guia da Semana: Qual é a principal diferença entre os outros discos que você já lançou? Que novidades o DVD apresenta?
Paula:
Eu sempre tive um namoro com o samba desde o primeiro disco. Mas fiquei conhecida como uma cantora de soul. Esse trabalho é como se todos os rios se encontrassem, através de uma maturidade e um conhecimento melhor de tudo que eu poderia apresentar. Mas o diferencial mesmo é as pessoas verem como é um show de Paula Lima, porque muito disso eu já fazia, mas sem registro de imagem.

Guia da Semana: O título sugere algo inusitado, já que a origem do samba é uma coisa simples, no morro carioca. Você colocou esse nome para causar um certo estranhamento nas pessoas?
Paula:
Pois é, tenho um lado nostálgico que gosta de Fred Astaire, Dona Ivone Lara, daquela coisa do Wilson Simonal com a Sara Vaughan. Essa é a minha idéia do samba que faz parte de mim, das coisas que fiz desde criança. Então não tinha como colocar um nome diferente que não fosse SambaChic. Não estava a fim de fazer o mais do mesmo, queria apresentar algo diferente.

Foto: Divulgação


Guia da Semana: Apresentar o samba com uma roupagem nova foi uma idéia utilizada por artistas como o Marcelo D2, Marisa Monte e Maria Rita. Você acha que isso tem a ver com a nossa brasilidade, com a mistura do nosso país?
Paula:
Com certeza, embora eu ache que o D2 faz uma mistura de hip-hop com samba, inclusive o CD À procura da Batida Perfeita, está na minha lista de 20 melhores de todos os tempos. A Marisa já consegue separar bem, quando ela quer tocar um samba, ela busca uma coisa bem antiga, dos anos 30, 40, aí quando ela faz o pop dela, é o pop dela. Eu tenho uma coisa de misturar mesmo. Se eu gosto de Red Hot Chilli Peppers, eu vou dar uma pitada disso, como faço com a Dona Ivone e o balanço do Ben Jor. O samba faz parte da vida de cada um e cada um expressa como sente.

Referências

Guia da Semana: Você acha que ser jurada do programa ídolos influenciou a sua maneira de se apresentar nos shows?
Paula:
Foi uma super experiência. Com certeza causou algumas mudanças bem latentes para mim. Tem gente que acha que não, mas quando estou ali, comigo mesmo, pensava nas avaliações dos candidatos e se estava agindo corretamente. Tornei-me muito mais responsável e uma artista melhor. Cresci e aprendi muito. Praticamente não me dou o direito de errar.

Guia da Semana: Você acha que a música negra tem seu espaço devido no cenário brasileiro?
Paula:
Eu não gosto de falar de música negra porque rotula demais. Eu, por exemplo, faço música brasileira. O samba está mais que solidificado, a bossa e a MPB também. Então é música brasileira sim. Porque se você for pensar o que é realmente a música negra, vai se deparar com o hip-hop, e eu não faço parte desse universo. Tirando o D2, que faz parte do mainstream, não sei mais o que acontece ali. Então eu acho que a gente tem que olhar música em uma amplitude maior.

Guia da Semana: Você tem saudades do tempo em que era vocalista do Funk Como Le Gusta?
Paula:
Era mó barato. Vou dizer que não tenho tempo de ter muitas saudades não, pois tenho uma parede sonora muito legal. Mas aquele momento, aquela coisa que sentia estando com o Funk, cantando com eles... Era bárbaro. Foram grandes parceiros que abriram as portas do Brasil para mim e a partir daí gravei o meu primeiro CD solo. Sinto que tem uma nostalgia, todo mundo sente isso. Mas enfim, quem sabe um dia a gente possa se reunir novamente e se divertir junto.

Bate Bola
Nascimento: 10/10/70
Música: Rock Feel, do Michael Jackson
Livro: O caçador de pipas
Ídolo: Prince Jones
Banda nacional: o Rappa
Banda internacional: Rolling Stones
Cantor: Marvin Gaye
Cantora: Chaka Khan
Mania: Perfeição
O que não pode faltar no seu Ipod: SambaChic, John Meyer, Amy Winehouse, Chaka Khan e Aretha Franklin.
Um sonho de consumo: Uma viagem à Nova Iorque com um cartão sem limite para gastar.
Pegado gastronômico: Häagen-Dazs
Uma frase: "Respeite o próximo como a ti mesmo"

Atualizado em 6 Set 2011.

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