Guia da Semana

O tempo passou e João Gilberto ficou mais simpático

A coluna do Tutty Vasques na semana passada ponderou que o show do João Gilberto seria para pessoas que veriam João e seriam vistas e que sairiam por aí dizendo que foi a melhor interpretação de "O Pato" que João já fez.

Na segunda noite João entrou elegantemente, sentou pegou o violão e desfiou seu repertório. Banquinho na altura certa, violão na altura certa, voz na altura certa, público correto, aplaudia no tempo certo. Como se combinado com a platéia, assim que João sentava depois dos agradecimentos, os aplausos cessavam.

João se sentia íntimo da platéia a ponto de interromper uma das primeiras canções para reclamar da notícia saída naquela sexta de que o show de quinta teria atrasado porque estaria jantando. E tendo a platéia como cúmplice reclamou que veio num avião de hélice, que o vôo atrasou, a cabine estava despressurizada e a fala era acompanhada de caretas, o que tornava comicotrágico o desabafo. Eram tão sinceras as palavras que a cada repetição da história o público se condoia e se tornava solidário ao mestre.

João é assim, sincero e amigo dos amigos, embora convidasse alguns pela coluna da Mônica Bergamo não recebeu ninguém no camarim depois do show. Já tinha um carro esperando ao lado de fora para levá-lo ao Hotel Maksoud. Um hotel que está sendo desativado e que sempre tratou bem ao João, que fez questão de hospedar-se lá por amizade.

João vive no seu mundo e seus amigos são eternos. Nesta lista de convidados, cujo convite foi feito através da coluna, muitos já faleceram e João desconhecia. Alguns ainda estão vivos nesse seu mundo, como Elza Laranjeira. Eram pessoas de uma amizade feita no início dos anos 50, quando iniciava sua carreira.

Nesse seu mundo, muitas de suas canções ainda precisam ser aprimoradas, mesmo cantando desde os anos 50 como Doralice, Isso Aqui O Que É, O Pato, Desafinado e outras que precisam de um apuro que João procura dar na voz e no violão.

Ele se reconcilia com Tito Madi, com quem brigara no passado, cantando Chove Lá Fora. João ia cantando e elogiava São Paulo que foi a primeira cidade a entender seu disco "Chega de Saudade", marco da Bossa Nova. Em algumas letras ele trocava palavras e para a canção Ligia, de Tom e Chico, omitia o nome Lígia. Seria por esquecimento, por provocação ou simplesmente um melhor jeito de cantar, não importa. Foi um show arrebatador que só o João conseguira fazer com a voz e o violão.

Quem é a colunista: Lázaro Oliveira, jornalista. Trabalha no Vitrine e no Entrelinhas, ambos na TV Cultura

Pecado gastronômico: Comida japonesa ou cozinhar o que tem vontade para a família e amigos

Melhor lugar do Brasil: Quando não em casa, a bela cidade de Paraty!

Como falar com ele: lazaro.o@uol.com.br

Atualizado em 5 Dez 2011.

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