Guia da Semana

Olhar peculiar

O fotógrafo João Castilho fala ao Guia da Semana sobre carreira e o mercado artísitico nacional

Fotos: Divulgação

Há oito anos João Castilho percebeu que a fotografia tinha ocupado um espaço definitivo em sua vida. Especialista em Artes e Contemporaneidade pela Escola Guignard, aos 30 anos, este mineiro se destacou com o livro Paisagem Submersa, obra feita em conjunto com os fotógrafos Pedro David e Pedro Motta, no qual retratam a vida das comunidades ribeirinhas e suas terras inundadas pelo lago da Usina Hidrelétrica de Irapé, no leito do Jequitinhonha.

Apesar de jovem, João já acumula importantes prêmios da fotografia nacional. Entre as conquistas, brilham o Conrado Wessel e a Bolsa Funarte de Estímulo à Criação Artística, pelo ensaio Redemunho. Em entrevista ao Guia da Semana, João revela suas principais influências, comenta sobre os rumos da fotografia documental e comenta que até hoje nunca viu nenhum retrato perfeito.

Guia da Semana: Você é especialista em Artes e Contemporaneidade pela Escola Guignard. Como você vê a arte contemporânea atualmente?
João Castilho: Além de especialista, agora também sou mestrando em artes pela UFMG. Mas não saberia responder ao certo esta pergunta. Posso apenas dizer que a arte contemporânea tem me instigado mais do que a fotografia em geral.

Guia da Semana: Como foi fazer o livro Paisagem Submersa?
João: Pode parecer demagogia, mas a melhor parte de todo esse processo foi conhecer aquelas pessoas. São pessoas grandiosas. Foi o projeto mais difícil que eu já fiz. Existia uma grandiosidade em tudo que estava envolvido.

Guia da Semana: Quais são suas principais referências fotográficas?
João: Minha principal referencia na fotografia, durante um bom tempo, foi o Miguel Rio Branco (fotógrafo conhecido por ensaios poéticos sobre o Brasil). Além disso, busco referência em muitos outros tipos de arte que me interessam, principalmente no cinema e na literatura.

Guia da Semana: Você ficou reconhecido por aliar a fotografia documental ao universo abstrato. Por quê apostou nisso como diferencial fotográfico?
João: Não foi uma aposta. Foi acontecendo, um processo natural. Eu não escolhi isso.

Guia da Semana: O que caracteriza uma boa foto?
João: Difícil responder. Uma boa foto pode ter as mais diversas características, inclusive ser fora de foco e borrada. Por quê não?

Obra que integra o ensaio Redemunho

Guia da Semana: Como você vê a fotografia documental brasileira atual?
João: Sempre aparecem bons trabalhos. Mas ela não está numa grande fase. Acho que está se reinventando.

Guia da Semana: Qual fotógrafo da atualidade você admira? Por quê?
João: Eu admiro o Francilins, um fotógrafo underground e fora do sistema por opção. Ele é antropólogo e tem um trabalho de muitos anos com as prostitutas da região da Guaicurus, em Belo Horizonte.

Guia da Semana: O ensaio Redemunho foi baseado em Grande Sertão: Veredas. Como você conciliou o mundo da imagem com a literatura?
João: Na realidade, o Redemunho não tem tanta relação como o livro de Guimarães Rosa. As únicas coisas que peguei dele foram o nome e uma certa inclinação para o fantástico. Acho difícil conciliar fotografia e literatura. Não creio que tenha feito isso. Quem fez isso muito bem foi a Maureen Bisiliat (fotógrafa que realizou um ensaio sobre a obra).

Guia da Semana: No Brasil, viver somente de fotografia ainda é um sonho distante? Que dicas você daria para quem está começando nesta área?
João: Não imagino que seja um sonho tão distante. Tem um montão de gente aí vivendo de fotografia. É uma profissão como outra qualquer. Acho que a dica seria não desistir com facilidade.

Fotografia integrante do ensaio Redemunho, cujo nome foi retirado em Grande Sertão: Veredas

Guia da Semana: Com a popularização do digital, você acha que a fotografia pode perder em qualidade técnica?
João: Não acho que a qualidade tenha diminuído. Depende do equipamento que está sendo usado. Acho que com o uso do digital, a fotografia tem mais a ganhar do que a perder.

Guia da Semana: Quais são seus projetos para 2009?
João: Tenho um trabalho em andamento intitulado Linhas realizado a partir de intervenções com fios de lã na natureza. Também estpu realizando um trabalho sobre tradução, realizado a partir de traduções da novela de Franz Kafka, A Metamorfose.

Bate-bola
Cor preferida: Azul
Defeito: Sou cego de um olho.
Qualidade: Tenho o outro olho muito, muito bom.
Comida preferida: Couscous marroquino.
O que nunca faria por dinheiro: Tantas coisas...
Filme: Rosetta, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne
Livro: Mil Platôs, de Gilles Deleuze e Felix Guattari
Ídolo: Caetano Veloso
Uma música: Jesus Chorou, dos Racionais MC´s
Sonho de consumo: Um tríptico do Francis Bacon
A foto perfeita é... Ainda não vi nenhuma.
Frase: Seja rápido, mesmo parado!


Atualizado em 6 Set 2011.

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