Guia da Semana

Produto tipo exportação

Por aqui, artistas brasileiros precisam fazer sucesso lá fora, para ganhar respeito

A arte brasileira passa por um ótimo momento. Produções nacionais despertam grande interesse em galerias de todo o mundo. A procura por artistas brasileiros aumentou e a cidade de São Paulo se consagra como epicentro deste fenômeno, uma comprovação deste fato é a SP Arte, feira que, em sua edição 2008, reuniu 67 galerias de artes moderna e contemporânea e atraiu milhares de visitantes para o pavilhão da Bienal no Ibirapuera.

Para Akio Aoki da Galeria Vermelho, que participou da SP Arte, São Paulo realmente é o centro artístico do país, mas por algumas características simples, como concentração de capital e diversidade cultural.

Anna Donadio, artista plástica e dona da galeria Área Artis, também na metrópole, recebe obras de muitos lugares do país e destaca Rio de Janeiro e Belo Horizonte como pólos produtores de cultura, "os artistas vêm de lá para expor aqui". Ela ressalta que a concentração de arte na capital paulista aumentou muito e a cena carioca se enfraqueceu, sem nenhum motivo aparente.

A artista plástica paulistana Drica Queiroz (SP) foi morar em Amparo, para poder produzir suas esculturas na calma de uma cidade do interior. Porém, sempre precisa voltar à capital para divulgar seu trabalho e se interar desta cena que reúne a produção artística nacional.

Jeitinho Brasileiro

Segundo Aoki, a procura por obras brasileiras cresce cerca de 50% ao ano, mas este fervor no mundo das artes é um reflexo de algo que acontece na economia mundial, "o mundo tem mais liquidez, ou seja, o dinheiro não está preso à investimentos. Pode ser aplicado em arte". Compradores estrangeiros vêm visitar galerias, conhecer novos artistas e as promessas da arte brasileira contemporânea. De seu acervo destaca Rosângela Rennó, Marcelo Cidade e Chiara Banfi como jovens nomes que estão despontando.

Com apenas 29 anos, a escultora em vidro Drica Queiroz já causa burburinho em salões da Europa e acha que a brasilidade é um diferencial, "Ser brasileiro tem um Q a mais, não sei o que é. Não há mais aquele mito que a arte brasileira é feita de cores cítricas, bananas... Claro, esses elementos também fazem parte, mas temos uma grande mistura de culturas e muita criatividade". E Donadio completa, "acabou aquele negócio de achar que no Brasil só tem selva e papagaio, agora começaram a valorizar nossas obras".

Dificuldades

Depois de participar de exposições na Europa, Drica apresenta sua segunda mostra individual na galeria Área Artis, onde fez seu debut no Brasil. Mesmo com uma carreira ainda em estágio inicial, a artista ressalta que, para se tornar conhecido no Brasil, é preciso ganhar respeito no exterior, "Muita gente faz um baita sucesso lá e no Brasil ainda não é comentado. É como se ganhar reconhecimento lá fora comprovasse seu talento, só assim te dão atenção aqui".

Apesar de estar passando por um excelente momento no exterior, a produção nacional não consegue um destaque maior por conta de alguns empecilhos estruturais, Drica desabafa, "A gente faz pouco porque tem que bancar tudo" e Anna completa "São sempre os mesmos nomes que têm auxílio do governo, são sempre os amigos do rei".

A grande dificuldade é enviar os trabalhos para o exterior, o auxílio que o governo dá é praticamente nulo e ainda é necessário lidar com a burocracia. Até para levar a obra é preciso respeitar certos padrões de embalagem, pagar impostos e pagar tarifas referentes ao peso do objeto. O trabalho é tão complicado que existem assessores especializados nisto.

À princípio, para integrar o rol de expositores, o artista precisa se inscrever na seletiva e enviar um dossiê com sua proposta, sua trajetória e portfólio. A inscrição para a seleção é paga na moeda local, por exemplo, na Europa, geralmente, custa mais de 100 euros. Além disto, todo o custo da postagem também fica por conta do artista.

Apesar de todos os encargos, Queiroz confessa que o retorno é positivo, a escultura já recebeu proposta para expor na Rússia e vai ganhar sua primeira exposição individual em Paris, agora, ela estuda o transporte de suas peças, feitas em vidro.

Anna também teve suas obras expostas em diversos salões europeus, recebeu duas medalhas de prata por uma exposição recente Louvre, em Paris. Aliás, em recente visita a cidade, fechou um acordo com o curador de uma galeria francesa e, para celebrar 2009 como o ano da França no Brasil, vai promover um intercâmbio entre os expositores nas duas galerias.

Algumas obras de Drica Queiroz estão no album. Confira!

Fontes:

Akio Aoki
Galeria Vermelho

Anna Donadio
Artista plástica e dona da Galeria Area Artis

Drica Queiroz
Artista plástica

Atualizado em 6 Set 2011.

Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

5 hotéis ao redor do mundo que são verdadeiras obras de arte

Confira locais com acomodações incríveis, mas que têm obras como protagonistas

Evolução dos emojis ganha instalação no Museu de Arte Moderna de NY

Os primeiros emoctions, criados em 1999, também entram para a coleção MoMA

6 motivos para visitar a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano em SP (e nem perceber que está na capital)

Local une arte, cultura, lazer, arquitetura e natureza, fazendo com que o visitante esqueça que está em SP

13 grafites em SP que todo mundo que ama arte deveria ver pessoalmente

Confira obras espalhadas pela cidade que merecem sua atenção

Na Semana da Criança, uma selfie vale um passaporte nos museus de SP; entenda

Para participar, é só postar foto com uma criança no Facebook com a hashtag #MuseusSP e apresentar na bilheteria da Pinacoteca, Casa das Rosas ou do Museu da Imigração

Unibes Cultural oferece programação especial e gratuita para o mês das crianças

Evento acontece até dia 31 de outubro e comemora o Mês das Crianças