Guia da Semana

Qual é a graça?

Independe de fórmulas ou formatos, humoristas televisivos concordam que o importante é fazer rir



Contração do diafragma, liberação do ar e estímulo das cordas vocais. Esses são alguns resultados sentidos em todo corpo depois de uma boa gargalhada. Quem nunca teve um ataque de riso na frente da televisão depois de escutar uma piada ou ver uma cena engraçada? Contagioso, alguém pode desandar a rir simplesmente ao ver e ouvir alguém na mesma onda. Algumas pessoas, no entanto, têm dia e horário certo para rir. Isso mesmo! Milhares esperam ansiosamente pelos humorísticos da televisão, que oferece atrações diversificadas.

Muitos programas são velhos conhecidos do público, como o Zorra Total, exibido pela Rede Globo, A Praça É Nossa, do SBT, e Uma Escolinha Muito Louca, da Band - versão repaginada da antiga Escolinha do Professor Raimundo. Usando a mesma fórmula de décadas passadas, o velho formato é calçado nos bordões que caem fácil na boca do povo e personagens estereotipados de apelo popular.

Já os humorísticos Pânico na TV, exibido na Rede TV, CQC - Custe o Que Custar, da Band, Furfles e Furo MTV, do canal MTV Brasil, chegaram recentemente e ganharam espaço na mídia como uma nova forma de entreter, misturando informações e reportagens de rua bem humoradas. "É bacana, porque informa e diverte o público que está assistindo", fala Dani Calabresa, 27, apresentadora do Furo MTV.

Sem Classificação

Com a chegada desses programas muito se falou sobre uma nova forma de fazer um humor mais inteligente, não só feito de sátiras e bordões, fugindo do caminho até então oferecido pelas emissoras. Quando o CQC surgiu em 2008, foi visto como uma alternativa do gênero humorístico pela sofisticação de suas piadas e tiradas, além de uma dose de crítica social. "O programa não é inteligente, é sensato. Ele sacaneia quem tem que sacanear", fala Oscar Filho, 31, um dos repórteres que veste o terno preto. Para ele, a sensatez era o que faltava na TV e é a maior arma do programa. "O programa ainda é uma novidade e no geral elas são boas, estamos vivendo isso", fala.

Classificar o humor não o deixa mais ou menos engraçado e muitos nem gostam de falar que exista um formato assim ou assado. "Essa história de humor inteligente é ridícula. Humor ou você ri ou não. Eu dou risada de tudo. Na hora que você está rindo, está se lixando se a coisa é inteligente ou não", fala Evandro Santo, 34, interprete do personagem Christian Pior, do programa Pânico.

Definir se o que causa gargalhada é inteligente ou não, é difícil, já que o que é engraçado para um, pode não ser para outro. "A comédia tem que surpreender as pessoas e fazer com que elas riam. Cada público se identifica com um tipo de humor", fala Dani Calabresa, que não vê graça em mulheres seminuas fazendo papéis de burras em programas humorísticos. "Isso é muito ultrapassado, ainda bem que dá para mulher fazer humor sem ser gostosa, senão eu ia estar fazendo malabarismo nos faróis de São Paulo", faz graça.

O novo e velho humor

Com piadas e formatos variados, nenhum programa perde espaço. Fórmulas criticadas e tidas como ultrapassadas, como o Zorra Total e A Praça É Nossa, continuam intactos na grade das emissoras "O Zorra tem uma fórmula antiga, mas é algo que dá certo e ele se renova sempre. Cada semana tem uma esquete diferente, que traz um humor ingênuo, de composição, quase com um tom de desenho animado", fala Rodrigo Fagundes, 36, que dá vida ao popular Patrick, do programa Zorra Total.

A fórmula pode ser velha, mas ainda atrai um público grande. "Muita gente assiste esses programas. Independente do formato, o humorista tem que chegar e quebrar tudo", fala Fábio Rabin, 27, do programa Furfles MTV. Para Rabin existem coisas mais importantes do que a fórmula do programa. "Eu acredito mais na força do humorista do que no fracasso de um formato".

Humoristas da nova geração, como Evandro Santo, fazem parte do time que apóia os dois formatos. "Essas fórmulas são clássicas, sempre vão existir", diz Evandro, que defende os programas que abusam do "humor à antiga". "Se esse tipo que as pessoas consideram ultrapassado ainda existe, é porque tem público para isso. Eles não vão acabar, o que vai acontecer é agregar outros formatos", fala ele.

Com programação variada e atrações que despertam o riso do público, os humorísticos não podem parar por ai. É tudo muito engraçado, mas ainda dá para renovar. "Eu ainda sinto falta do politicamente incorreto, nós ainda não podemos falar sobre certos assuntos", destaca Rodrigo Fagundes. Oscar Filho tem opinião semelhante. "Falta ousadia, falta os caras dada TV buscarem pessoas boas, e isso tem um monte, principalmente gente do teatro".

Atualizado em 6 Set 2011.

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