Guia da Semana

Reencontro no tablado

Confira a entrevista com Helena Ranaldi, que sai da frente das telas para protagonizar a peça A Música Segunda, de Marguerite Duras

Foto:TV Globo/João Miguel Júnior



O comportamento contido, gestos delicados e a voz baixa, esses são os traços característicos da paulistana de 43 anos. Com 15 telenovelas, duas minisséries e um filme, Helena Ranaldi volta aos palcos para a sexta peça, A Música Segunda, sob a direção de José Possi Neto. Diferente de seu último trabalho no folhetim das 8, a atriz se despe do personagem Dedina, dominado pelo desejo e infidelidade que causou uma revoltante inquietação nos espectadores, para reviver com o mesmo Leonardo Medeiros as angústias e dificuldades de um casal apaixonado que se reencontra.

Em meio à estreia no Teatro Maison de France, Rio de Janeiro, conversamos com Helena Ranaldi, que já estudou Educação Física, foi modelo e apresentadora do Fantástico, para saber as expectativas desse novo trabalho, a escolha dos personagens e seus projetos futuros.

Guia da Semana: Como surgiu o convite para trabalhar na peça?
Helena Ranaldi: No ano passado Celia Fortes, produtora e também autora, me convidou para fazer parte do elenco de uma peça de sua autoria, com direção de José Possi Neto. O projeto acabou não acontecendo. Algum tempo depois, o Possi me ligou e conversamos sobre a peça A Música Segunda. Ele me encaminhou o texto e eu li no mesmo dia. Não tive dúvida alguma. Era uma proposta belíssima, sobre assuntos que me interessam. Relações humanas, amor, paixão, desejo, separação. Liguei de volta e ele soube do meu desejo de fazer a peça.

Guia da Semana: Você trabalhou com Leonardo Medeiros em A Favorita, no papel de sua mulher. Isso ajudou na escolha da dupla para viver esse romance desiludido?
Helena: O Possi tinha algumas opções de atores e me perguntou o que achava sobre eles. O Leo era sua primeira opção. Eu lhe disse que tínhamos trabalhado recentemente juntos e que tivemos um ótimo relacionamento, além de admirá-lo muito como ator. O Possi não sabia de nossa parceria na televisão.

Foto: divulgação

Helena Ranaldi e Leonardo Medeiros revivem um romance em A Música Segunda

Guia da Semana: A peça retrata a angústia e as dificuldades da comunicação afetiva e interpessoal, ajudados pela Internet e o trabalho. Na sua opinião, os relacionamentos estão mais difíceis de se solidificar?
Helena: A primeira parte dessa peça foi escrita em 1965 ou seja, há mais de quarenta anos. Acredito que hoje há um reflexo das mudanças e conquistas da mulher na sociedade. Isso permite que haja expressão em todos os sentidos. Hoje um casal "de fato", consegue resolver questões, superar problemas e amadurecer, através da comunicação. Há liberdade de escolha. Estamos onde queremos e com quem queremos estar. E isso pode acontecer mesmo com ritmo de trabalho intenso. Para se solidificar uma relação, esta precisa ter qualidade. Quando há qualidade, há valorização. A gente valoriza o que nos é caro, sagrado e verdadeiro. Por isso acho que relações verdadeiras se solidificam sim.

Guia da Semana: Quais são as diferenças entre atuar na TV, cinema e teatro?
Helena: Acho que as diferenças básicas são o tipo de interpretação, a preparação de personagens e a atmosfera física. No teatro temos, normalmente, um tempo suficiente para que um trabalho detalhado sobre aquela obra fechada seja feito. É dedicado um longo tempo do ensaio para o que chamamos de trabalho de mesa. Discutimos e descobrimos tudo que nos é possível sobre a história e seus personagens. O ator tem que estar fisica e vocalmente preparado, pois ele está inteiro no palco e seu corpo fala. Da mesma forma o texto também tem que ser ouvido na última fileira de um grande teatro.

A TV normalmente se trata de uma obra aberta onde sabemos muito pouco sobre o personagem e sobre a história que será contada. O tempo que temos para a preparação é quase nenhum, muitas vezes feito no próprio set de gravação. É necessária muita concentração para abstrair-se de toda a mecânica necessária para que a cena seja gravada. A interpretação é geralmente naturalista.

Vejo o cinema como um intermediário entre os outros dois. Trata-se de uma obra fechada, temos tempo para trabalhar as personagens, mas precisamos da mesma concentração que a TV nos exige. Da mesma forma, existe um grande número de equipamentos e pessoas trabalhando a poucos metros de você. A atmosfera de cada um é singular.

Mas adoro poder trabalhar em todos eles.

Foto: divulgação


Guia da Semana: Seus trabalhos são destacados principalmente na televisão. Este é o meio que tem mais interesse em atuar?
Helena: Não. Gosto de transitar pela TV, teatro e cinema. Sem dúvida o número de trabalhos feitos por mim na televisão é superior aos realizados no teatro e no cinema. Esta será minha sexta peça e atuei em apenas um filme.

Guia da Semana: O que um papel precisa ter para chamar a atenção do seu trabalho?
Helena: Em primeiro lugar preciso acreditar na história que vamos contar. Depois tenho que me apaixonar pela personagem. Este tem que me tocar de várias maneiras. Tenho que sentir que terei um grande desafio pela frente. Envolver de verdade com o projeto.

Guia da Semana: Na novela Favorita, você encarnava um personagem que traía o marido e causava revolta no público, a Dedina. Como vê esse apego que os espectadores têm pelos personagens?
Helena: As novelas são entretenimento e as pessoas gostam de ficar em casa, por razões diversas. Falta de dinheiro para ir ao teatro ou cinema, medo da violência, cansaço após um dia de trabalho fora etc. Por isso elas acabam adotando a novela muitas vezes como seu fiel programa. Assim acaba havendo um grande envolvimento com a trama e seus personagens.

Guia da Semana: Qual a sua preferência, um papel de vilã ou mocinha?
Helena: A minha preferência é por um bom personagem, seja vilã ou mocinha.

Guia da Semana: Além da peça, surgiu na imprensa boatos de que você poderia aparecer nos palcos como cantora. Isso vai acontecer? Quando será sua primeira apresentação?
Helena: Isso é uma grande mentira. Fui entrevistada para o jornal O Dia, questionaram se gostava de cantar e disse que sim. Perguntaram se eu cantaria em um palco. Respondi que para isso precisaria de um grande preparo, aulas de canto etc. E aí me transformaram numa cantora. Assim. Como se cantar fosse tão simples!

Guia da Semana: Quais são seus projetos futuros?
Helena: No momento meu projeto é a peça A Musica Segunda. Pretendemos viajar com ela pelo Brasil.



Serviço:

A Música Segunda
Local: Teatro Maison de France
Preço: R$ 30,00 (quinta e sexta); R$ 60,00 (sábado e domingo)
Data: Até 27 de setembro de 2009.
Horário: Quinta a sábado, 20h; domingo, 19h.

Atualizado em 6 Set 2011.

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