Guia da Semana

Ressaca de Natal

Álbuns que podem destruir ou embalar sua ceia



Todo ano a cena se repete: dispostos na mesa, peru, chester e tender figuram ao lado de porções de frutas cristalinas que mais parecem objetos cênicos. Enquanto a criançada examina ansiosamente os embrulhos debaixo do pinheiro, o Papa celebra a Missa do Galo na TV. Tão manjadas quanto as ceias natalinas são as trilhas sonoras repletas de Jingle Bells, Noites Felizes e Então É Natal. Se muitos discos poderiam ser levados de volta para a Lapônia junto com o Papai Noel, outros são ideais para embalar a muitas vezes longa madrugada de 25 de dezembro.

De todos os discos natalinos nacionais, poucos fizeram tanto barulho quanto 25 de Dezembro, da cantora Simone. Encarando canções de Roberto e Erasmo Carlos, Assis Valente e Irving Berlin - a onipresente White Christmas -, Simone forneceu por muitos anos o fundo musical de ceias e almoços de natal. A versão de Happy Xmas (War Is Over), de John Lennon e Yoko Ono, sagrou-se um de seus maiores hits, consagrando a duvidosa estrofe "Então é natal, e o que você fez? / O ano termina e nasce outra vez".

Quem também forçou a barra foi o grupo Roupa Nova, com seu Natal Todo Dia, disco que traz versões de My Sweet Lord, do ex-Beatle George Harrison, Come Home For Christmas e What Wonderful World, imortalizada na voz de Louis Armstrong. O romantismo água com açúcar da banda, ideal para embalar folhetins matutinos, toma conta ainda das célebres Então É Natal, O Velhinho e Noite Feliz.

Mais romântico que a banda de Serginho Herval apenas o piano de Richard Clayderman. Em Rudolph The Red Nosed Reindeer, uma das faixas do disco Christmas, nem a rena do bom velhinho escapa da sonoridade anestesiante do francês, cujo estilo beira a chamada música ambiente. É nesse ritmo que seguem ainda Jingle Bells, Silent Night, Holy Night e White Christmas - sempre ela.

Consagrado no Programa do Raul Gil, o jovem saxofonista Caio Mesquita se tornou um sucesso de vendas. Seu primeiro álbum bateu na casa das 250 mil cópias ao adocicar ainda mais canções como Madalena, de Ivan Lins, e Mona Lisa, de Jorge Vercilo, duas de suas principais influências. Esqueça, portanto, incursões pelas searas jazzísticas, referências aos maiores nomes do instrumento, como John Coltrane e Charlie Parker. Em sua compilação natalina, o garoto dá um clima "música de elevador" às faixas Noite Feliz, Sino de Belém e Boas Festas. Mais enjoativo que um espumante barato.

Se Kenny G é a maior inspiração de Caio Mesquita, que já afirmou não dar muita pelota para o jazz, uma excelente opção para os amantes do gênero é Christmas Songs, ótimo trabalho da pianista e cantora Diana Krall. Ao lado da competente Clayton-Hamilton Jazz Orchestra, a canadense passeia pelos maiores standards natalinos deixando as armadilhas que costumam detonar tais canções para trás. Let It Snow e Winter Wonderland são as faixas de maior destaque, e valem pelo álbum inteiro.

Elvis Presley, o mesmo que chocou a sociedade na metade do século passado ao requebrar ao som do rock ´n´ roll, não apenas lançou um belo álbum da natal, como fez do disco o mais vendido de sua carreira e de toda a década de 50. No álbum, o rei do rock aparece um pouco mais contido, embora dê um toque mais pessoal aos clássicos Santa Claus Is Comingo To Town, Silent Night e I´ll Be Home For Christmas.



Outro grande nome da música que também deixou uma série de gravações natalinas foi Frank Sinatra. A seleção que vai em Frank Sinatra Christmas Collection reúne um bom número de canções que não costumam figurar nas coletâneas de natal. Inebriante, Sinatra leva o clima nova-iorquino, com árvore de natal e patinação no gelo no Rockfeller Center, para as noites de 25 de dezembro.

Para os roqueiros, a dica é Merry Christmas From Yo La Tengo, compilação de uma das bandas mais inventivas dos anos 90, que inclui It´s Christmas Time, composição da excêntrica Sun Ra Arkestra, além de outras duas faixas que prometem curar a ressaca de Jingle Bells.

Atualizado em 6 Set 2011.

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