Guia da Semana

Retorno do mito

Após longos anos de sua estreia, a peça Orfeu, escrita por Vinícius de Moraes, passa por uma modernizada e ganha os tablados do Brasil

Foto: Divulgação


Tudo começou na noite de 25 de setembro de 1956. O Theatro Municipal do Rio de Janeiro foi palco pela, primeira vez, de um time de atores negros, que viveram Orfeu da Conceição, obra-prima escrita por Vinicius de Moraes, com música de Tom Jobim e cenários de Oscar Niemeyer. Logo, o musical se tornou um marco do moderno teatro brasileiro.

Passados 54 anos daquela noite, a peça Orfeu ganha uma repaginada e volta aos palcos. Novamente com um casting de atores negros, no total 18 profissionais, acompanhados em cena por uma banda de sete músicos, e irá passar por capitais brasileiras, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Goiânia, Porto Alegre e Curitiba.

O protagonista

Na mitologia grega, Orfeu é filho do deus Apolo e de Caliópe, musa da poesia. Conhecido pelo seu dom musical, o jovem toca sua lira e encanta a todos, desde pessoas a animais. Dessa forma, conquista o coração de Eurídice, que morre picada por uma serpente. Sendo assim, seu amado mergulha em uma tristeza profunda, deixa de lado se instrumento e vai até o reino do mortos para resgatar a bela jovem.

Cara a cara com Hades, o deus do mortos, o rapaz volta a tocar sua lira e te de volta seu grande amor. Porém, há uma condição. Durante o percurso de volta a terra, Orfeu não poderia olhar para Eurídice e, quando vê um raio de sol, logo se vira para se certificar se ela o estava seguindo. Dessa forma, a maldição de concretiza e a bela moça se transforma em uma estátua de sal.   

No tablado

Inspirado em um dos mais belos e trágicos mitos da civilização ocidental, o espetáculo Orfeu ganha um tom de modernidade. A peça, com direção de Aderbal Freire Filho e produção de Gil Lopes, trata do desejo humano do amor acima da vida e da morte. O texto fala de paixão em suas variadas formas, a obsessão sem limites que ela gera e como contamina tudo que está a sua volta. No enredo, Orfeu, um sambista que vive no morro, filho de um músico e de uma lavadeira, se apaixona por Eurídice.

A paixão entre os dois logo desperta o ciúme e de Mira, ex-namorada do rapaz. Dessa forma, a jovem faz com que Aristeu, apaixonado por Eurídice, a mate. Na terça-feira, último dia de Carnaval, Orfeu desce do morro e vai até o Clube Os Maiorais do Inferno depois de Eurídice estar morta. Ele procurar por ela, mas sem sucesso, volta à favela, e é morto por Mira e outras mulheres do local.

O musical serviu como base para o filme Orfeu Negro, do diretor francês Marcel Camus, que ganhou, em 1959, a Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em Hollywood. Em 1999, o diretor Cacá Diegues revisitou a obra original para criar o filme Orfeu, com trilha sonora assinada por Caetano Veloso.

Quem são?

O elenco principal reúne Érico Bras (Orfeu), que pode ser visto também em Quincas Berro d'Água, Aline Nepomuceno (Eurídice), protagonista da minissérie global Ó Paí, Ó, Jessica Barbosa (Mira), premiada com o troféu de atriz revelação em 2009 no Festival de Cinema Negro de São Paulo pelo filme Besouro, e Wladimir Pinheiro, que participou da minissérie Capitu, e no musical vive o personagem Poeta.

Quando

A estreia nacional acontece dia 9 de setembro, no Canecão, Rio de Janeiro, para uma temporada de duas semanas. Em seguida, a montagem segue para São Paulo (HSBC Brasil, de 23 a 26 de setembro), Brasília (Teatro Nacional - Sala Villa-Lobos, de 08 a 10 de outubro), Goiânia (Teatro Rio Vermelho, 14 de outubro), Porto Alegre (Teatro do SESI, 22 e 23 de outubro) e Curitiba (Teatro Guaíra, 27 e 28 de outubro).

Atualizado em 6 Set 2011.

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